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Caxias antiga07/08/2018 | 07h30Atualizada em 07/08/2018 | 07h30

Memória: Edifício Dona Ercília e uma esquina recheada de histórias

Prédio que abriga o famoso elevador de veículos tem sua origem mesclada à trajetória da família do imigrante italiano Abramo Pezzi

Memória: Edifício Dona Ercília e uma esquina recheada de histórias Mauro De Blanco / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação/Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação
O Edifício Dona Ercília (E) por volta de 1973, fazendo vizinhança com outro ícone projetado por Hugo Grazziotin, o Edifício Guadalupe (D) Foto: Mauro De Blanco / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

A recente matéria sobre a comunidade Prédios de Caxias do Sul, do Facebook, abordou um dos exemplares mais icônicos da área central de Caxias do Sul: o Edifício Dona Ercília. Localizado na esquina das ruas Sinimbu e Marquês do Herval, o condomínio projetado pelo engenheiro Hugo Grazziotin foi finalizado em 1967, trazendo como novidade o fantástico e inovador elevador de carros (leia mais abaixo). 

Mas a esquina — e quase toda a extensão da Marquês até a Rua Os Dezoito do Forte — tem sua história diretamente atrelada ao pioneirismo da família do imigrante italiano Abramo Pezzi (1846-1903). Chegado a Caxias em 1879, Pezzi, ou melhor "Il Maestro", destacou-se na história da cidade como um respeitado professor de italiano e português, lecionando e ensinando os colonos no próprio casarão onde residia, ao lado da Catedral. Foi lá que moraram também os filhos Arcadio, Mansueto, Mario, Ettore, Ercília, Fenice e Aurora. 

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A Cantina Pezzi, na Rua Marquês do Herval, por volta da década de 1920Foto: Banco de dados / Agência RBS

A Adega Pezzi

Filhos de Abramo Pezzi, Mário e Ettore foram os responsáveis pela fundação da lendária Adega Pezzi, em 1918. A empresa respondia pelos famosos Vinhos Perdigueiro — nas variedades tinto, branco, moscatel e niágara — e por bebidas como vermouth, quinado, gemado e conhaque. Uma produção que se consolidaria no mercado a partir da década de 1930, com o surgimento da Festa da Uva e a presença constante da vinícola em estandes e eventos do setor. 

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A jovem Querida Hampe e seu filho, Oswaldo Hampe Sobrinho, contemplam o busto de Dante Alighieri em meados da década de 1920. Ao fundo, a Casa Pezzi e o lendário Hotel Bella Vista (E)Foto: Oscar Hampe / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação
A Casa Pezzi (E) e a Praça Dante captadas a partir do terraço da Metalúrgica Abramo Eberle, em 1950Foto: Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami / divulgação
A antiga Casa Pezzi, em meados dos anos 1930, na esquina da Sinimbu com a Dr. MontauryFoto: acervo pessoal de beatriz gollo / divulgação
Esquina das rua Sinimbu e Marquês do Herval: a Casa Pezzi e o bispado por volta de 1930, durante uma cerimônia militar Foto: Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami / divulgação

Demolição em 1959

Além da cantina e da antiga residência da família, o complexo dos Pezzi abrigou posteriormente um hotel e um comércio de secos & molhados e ferragens, bem na esquina, ao lado do Bispado. Porém, o casarão de madeira adornado por lambrequins, típico dos primórdios da imigração italiana, seguiu apenas até 1959, quando foi demolido. 

Começava a nascer aí o moderno Edifício Dona Ercília, cujo projeto foi aprovado pela prefeitura em 1961. O nome foi uma homenagem do engenheiro Hugo Grazziotin à mãe, dona Ercília, filha de Abramo Pezzi e casada com o comerciante Domingos Grazziotin.

Memórias na vertical: as curiosidades dos antigos prédios de Caxias do Sul

A demolição da lendária Casa Pezzi, por volta de 1959Foto: Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami / divulgação
A esquina das ruas Sinimbu e Marquês do Herval por volta de 1962, com o terreno já isolado para o início das obras do Edifício Dona ErcíliaFoto: Studio Geremia / Acervo pessoal de Beatriz Gollo, divulgação

O elevador de veículos

Conforme o engenheiro Hugo Grazziotin, 92 anos, o Dona Ercília foi o primeiro prédio a dispor dessa tecnologia no Brasil. A ideia surgiu a partir de um empecilho para avançar no subsolo: o terreno bastante rochoso e a existência de uma nascente. 

— Não dava para fazer um prédio daquele padrão sem vagas de garagem. Então, em vez de descer, nós fizemos os carros subirem — explicou o visionário engenheiro na matéria de 14 e 15 de julho. 

Traduzindo: o morador avança com o carro em um compartimento e é levado pelo zelador até seu andar, onde estaciona no box da garagem, localizado junto à área de serviço... dentro do apartamento.

O majestoso Edifício Dona Ercília, recém-construído, no início dos anos 1970Foto: Mauro De Blanco / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação
Os edifícios Dona Ercília e Guadalupe, dois ícones projetados pelo engenheiro Hugo GrazziotinFoto: Studio Geremia / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação
O Edifício Dona Ercília e o Bispado em meados dos anos 1970Foto: Banco de dados / Agência RBS
Casrtão-postal do início dos anos 1970 destaca o Dona Ercília e os arredores da Praça Dante AlighieriFoto: acervo pessoal de Romeu Rossi / divulgação

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