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Caxias antiga03/07/2018 | 07h30Atualizada em 03/07/2018 | 14h54

Memória: Moinho Progresso e um incêndio em 1954

Casarão de madeira da Rua Coronel Flores foi atingido por um sinistro na véspera do Natal de 64 anos atrás

Memória: Moinho Progresso e um incêndio em 1954 Studio Geremia / Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação/Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação
O prédio do Moinho em 1948, ainda com o velho casarão de madeira e a inscrição Moinho Progresso: Viúva Angelo Corsetti & Filhos Foto: Studio Geremia / Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação / Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Edificação mais antiga do trecho da Rua Coronel Flores entre a Sinimbu e a Os Dezoito do Forte, o Moinho Progresso é daqueles exemplares cuja história mescla-se à evolução do bairro São Pelegrino e do setor tritícola na cidade.

Um dos episódios mais emblemáticos envolvendo o espaço fundado por Angelo Corsetti em 1912 (leia mais abaixo) foi o incêndio que destruiu o casarão de madeira frontal (foto acima). Conforme informações contidas na publicação São Pelegrino - Quem te viu, Quem te Vê..., lançada em 2015 pelos autores Ana Seerig, Charles Tonet e Tânia Tonet, as chamas tiveram início na véspera do Natal de 1954. 

Em depoimento prestado no no livro, Enio Rossi Corsetti, neto de Angelo Corsetti, relata: 

"Provavelmente, foi um problema elétrico. Então, foi construído o prédio de material que existe até hoje". 

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Na imprensa

Matéria publicada na capa do Pioneiro de 1º de janeiro de 1955 destacava o sinistro:

"Cerca da meia-noite do dia 24, foi presa das chamas o pavilhão de madeira do Moinho Progresso, da tradicional firma caxiense Vva. João Corsetti. Graças à pronta intervenção do Corpo de Bombeiros, o fogo foi circunscrito à parte de madeira, não se alastrando às demais instalações, como a Mecânica Industrial Colar Ltda, e nem nos prédios vizinhos. Assim mesmo, os prejuízos somaram cerca de 250 mil cruzeiros, pois que no interior do prédio sinistrado havia, inclusive, uma máquina recentemente recebida para beneficiamento de cereais".

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A nova fachada do Moinho após o incêndio que destruiu o casarão de madeira, em 1954Foto: Acervo pessoal de Enio Corsetti / reprodução

O prédio hoje

O edifício como conhecemos hoje difere bastante da fachada em alvenaria dos anos 1950, erguida após o incêndio de 1954. Parte dela foi demolida, cedendo espaço para o prédio de uma escola de idiomas. A metade restante abriga um mix de loja e café, no térreo, uma clínica veterinária, no subsolo, além de uma agência de design e uma produtora audiovisual nos andares superiores, com acesso pela lateral.  

Tombado pelo Patrimônio Histórico do Município em 2003, o prédio sofreu um detalhado processo de revitalização, encabeçado pelo veterinário Máximo Kramer, proprietário do imóvel, e pela arquiteta Carla Todescato —  a iniciativa foi possível graças à venda dos índices de potencial construtivo decorrentes do tombamento pela prefeitura.  

Em tempo: com a recente demolição do antigo prédio do Habib's, na esquina com a Sinimbu,  uma moderna edificação em breve fará vizinhança com o complexo histórico. O projeto prevê subsolo e três andares, nivelando com a altura do moinho. Já o acesso de veículos, pela Rua Coronel Flores, deverá manter o antigo recuo existente junto ao muro.

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A lateral do prédio, após a revitalização: a moderna pele de vidro nos fundos e os tijolos aparentes da construção original Foto: Maicon Damasceno / Agência RBS
A lateral do prédio, após a revitalização: a moderna pele de vidro nos fundos e os tijolos aparentes da construção original Foto: Maicon Damasceno / Agência RBS
A lateral do Moinho Progresso e o terreno onde subirá a construção de três andares, na esquina com a SinimbuFoto: Acervo pessoal / divulgação

O fundador

Nascido em 1887, Angelo Corsetti era filho dos imigrantes italianos Antonio Corsetti e Antonia Parenza, oriundos da província de Belluno, que se fixaram no antigo Campo dos Bugres em 1878. 

Aos 13 anos, o garoto iniciou na Metalúrgica Abramo Eberle, como aprendiz de funileiro. Posteriormente, empregou-se na firma Chaves & Almeida, em Porto Alegre, onde adquiriu conhecimentos nas áreas industrial e comercial. Ao retornar a Caxias, em 1912, fundou o Moinho Progresso, empresa que consolidou a aveia em flocos "Neve" a partir de 1926.

Angelo Corsetti casou-se com Angelina Germani, filha de Aristides Germani, outro pioneiro e incentivador da triticultura gaúcha. O casal teve os filhos Ítalo, Hugo, Iracema, Hygino, Carlitos e Victor. Após a morte do empresário, em 1936, a viúva e os filhos assumiram o negócio, que perdurou até o final dos anos 1950.

Nome de rua

Uma avenida no bairro Pioneiro homenageia o empresário Angelo Corsetti. 

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