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Memória31/08/2016 | 06h32Atualizada em 01/09/2016 | 12h53

Armazém de Antonio Boz nos anos 1940

Comércio fazia vizinhança com a Cervejaria Leonardelli, a Tecelagem Panceri, as malharias Polar e Americana e a indústria de Produtos Químicos Veronese

Armazém de Antonio Boz nos anos 1940 Acervo pessoal de Adelmar Boz/Divulgação
Antonio Boz e o antigo casarão do armazém, na esquina da Vinte com a Vereador Mario Pezzi Foto: Acervo pessoal de Adelmar Boz / Divulgação

O armazém do filho de imigrantes italianos Antonio Boz marcou época na esquina das ruas Vinte de Setembro e Vereador Mário Pezzi nas décadas de 1930, 1940 e 1950. E as lembranças do neto Adelmar Boz jogam luzes sobre a relação das centenas de moradores dos arredores com o antigo comércio de secos e molhados, que sucedeu a antiga pensão da família.

Toda essa história teve início com a chegada, em 12 de setembro de 1878, do casal Vittore Boz e Rosa Boff Boz. Vindos da província de Belluno, eles se estabeleceram no antigo Travessão Solferino, na Quinta Légua, onde Antonio Boz, um dos filhos, dedicava-se à agricultura. 

Tempos depois, após fixar-se na cidade, Antonio instalou uma espécie de hospedaria em um antigo casarão de madeira. Era onde acolhia, juntamente com a esposa Domenica Salvador, a maioria dos viajantes, comerciantes e tropeiros que passava pela cidade em meados da década de 1920.

Conforme Adelmar, alguns anos depois a pensão foi demolida, sendo construído no lugar um novo casarão de alvenaria de dois andares. Foi onde, a partir da década de 1930, Antonio Boz daria início ao famoso armazém de gêneros alimentícios. Eram os tempos em que tudo era comprado a granel e marcado "no caderno": de arroz, açúcar, feijão e farinha de trigo a fogões, cadeiras, colchões, tecidos, calçados e qualquer outro produto de primeira necessidade no dia a dia das famílias.

Venda a granel: ontem, hoje e sempre

A consolidação do local também deveu-se à localização. Além de não haver "concorrência", o armazém  era vizinho de nada menos do que sete empresas de vulto na cidade. Todas com uma excelente quantidade de empregados e, logicamente, potenciais clientes: a Cervejaria Leonardelli, a Cervejaria Brahma, a Tecelagem Panceri, a Tecelagem Luiz Pizzamiglio, a Indústria de Produtos Químicos Veronese, a Malharia Polar e a Malharia Americana. De todas elas, apenas a Veronese, fundada em 1911, segue em atividade.

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Ícone da Rua Vereador Mário Pezzi: placa trazia anúncio do antigo refrigerante Marabá  Foto: Acervo pessoal de Adelmar Boz / Divulgação

Negócio de família

Nos anos 1950, Gastão Boz, filho de Antonio e pai de Adelmar Boz, deu continuidade ao estabelecimento. Gastão, inclusive fez parte da diretoria que fundou a Associação Regional do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios de Caxias do Sul, surgida em 19 de janeiro de 1953.

Já em 1970, o estabelecimento passou a ser de propriedade de Delvina Brustolin Boz. Com o mesmo sistema de funcionamento, mas agora localizado no térreo do prédio da família – mais ao centro da Rua Vereador Mário Pezzi (foto acima) –, o armazém continuou até meados da década de 1980, quando foi passado para Gilberto Antonio Boz, que o administrou por mais alguns anos.

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A extinção

Com a consolidação das grandes redes de supermercados e a chegada dos shoppings, o comércio dos Boz e dezenas de antigos armazéns da cidade foram se extinguindo, devido às facilidades nas compras e à própria modernização da cidade. 

Aos poucos, porém, esse antigo formato começa a ser ressignificado pelas novas gerações de consumidores e empreendedores. Pesam aí, literalmente, fatores como as relações mais próximas entre produtores, comerciantes e clientes, além de um retorno a um consumo mais consciente. 

Uma herança que, por quatro gerações, a família Boz ajudou a eternizar na memória da cidade...

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O livro de registro de vendas da firma de Antonio Boz nos anos 1940 Foto: Acervo pessoal de Adelmar Boz / Divulgação

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