Memória: Rua Dr. Montaury em 1959 - Cidades - Pioneiro

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Caxias antiga18/06/2018 | 07h30Atualizada em 18/06/2018 | 07h30

Memória: Rua Dr. Montaury em 1959

Logradouro foi um dos tantos abordados pelo jornalista Christiano Carpes Antunes no Boletim Eberle

Memória: Rua Dr. Montaury em 1959 Studio Geremia / Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação/Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação
Em 1959: a Rua Dr. Montaury captada a partir da sacada do Magnabosco, com a antiga sede do Banco do Brasil (à esquerda) e a residência Sassi (à direita, ao fundo) Foto: Studio Geremia / Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação / Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Primeiro colunista social do jornal Pioneiro, o jornalista e escritor Christiano Carpes Antunes (1934-1967) também teve atuação no lendário Boletim Eberle, informativo interno editado pela metalúrgica entre 1956 e 1965.

Christian, como ficou conhecido posteriormente, era responsável pela seção "Ruas de Caxias do Sul". Tratava-se de um delicioso relato com observações do que o colunista enxergava durante seus passeios pela área central, a evolução da cidade, o comércio, as casas e os modernos edifícios que iam surgindo a partir dos anos 1950 e 1960 — além, claro, de uma minibiografia da personalidade que nomeava a via.

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Em 1969: a Sinimbu e a Dr. Montaury captadas a partir da escadaria da Catedral, com o trânsito interrompido devido a obra das prefeitura. Ao fundo, à direita, a construção do Edifício Jotacê. Foto: Studio Geremia / Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

A rua

No Boletim Eberle de abril de 1959, Christian destacou a Rua Dr. Montaury, cujo texto reproduzimos em parte a seguir:

“Ao percorrermos essa via pública, notamos de início as transformações que o Governo Municipal vem realizando na mesma. Após um trecho quase que exclusivamente residencial, mais uma vez passamos pelos pavilhões que compõem a Cooperativa Madeireira Caxiense Ltda. Prosseguindo, uma forte subida anuncia o início de uma nova quadra. À nossa esquerda, vemos o Hotel Brasil, em sua construção de três andares. 

Ao chegarmos ao topo da ladeira, a nova quadra nos atrai pela magnífica beleza de suas construções residenciais, seus prédios, suas construções modernas. Formando esquina com a Rua Pinheiro Machado, deparamos com dois edifícios monumentais: à direita, o Cine Teatro Ópera, à esquerda, a Malharia Caxiense. Na quadra seguinte, formando esquina com a Av. Júlio de Castilhos, à esquerda temos o edifício Sassi, onde encontra-se instalada uma agência da Varig. À direita, um prédio onde funciona há anos a tradicional Relojoaria Comandulli.

Atravessando a Av. Júlio de Castilhos, à nossa esquerda, a nossa já conhecida e decantada Praça Rui Barbosa. À direita, na esquina, o antigo e tradicional edifício do Banco Nacional do Comércio, em suas linhas clássicas. Em seguida, o prédio onde funciona a Escola Municipal de Belas Artes, a Biblioteca Pública Municipal, a Câmara de Vereadores e outras repartições públicas. Bares, casas comerciais e, bem na esquina, em suas linhas modernas, o Banco do Brasil, com frente para a Praça Rui Barbosa, completam essa quadra.

Atravessando a preferencial Rua Sinimbu, à direita, um dos edifícios mais antigos de Caxias do Sul e, do outro lado, a Casa Magnabosco, com a sobreloja em belíssima decoração. No resto, essa quadra apresenta apenas residências particulares, a não ser o edifício onde funciona a Inspetoria do Imposto de Renda. Passando a preferencial Os Dezoito do Forte, deparamos, à direita, com o prédio do Colégio São José. A partir desse ponto, temos diante de nós a descida de uma ladeira, e a rua prossegue em seu curso, sempre ladeada por casas residenciais, a não ser o moderno edifício do Instituto de Enologia do Estado, recentemente inaugurado, até perder-se por entre o verde da chácara de Luiz Antunes”.

Foto: Acervo Centro de Memória da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul / reprodução
Foto: Acervo Centro de Memória da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul / reprodução
Fachada do antigo prédio da Escola Superior de Belas Artes de Caxias do Sul, na Rua Dr. Montaury, entre a Av, Júlio de Castilhos e a Rua Sinimbu, em meados dos anos 1950.Foto: Studio Geremia / Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Quem foi

A rua homenageia José Montaury de Aguiar Leitão, um dos diretores da Comissão de Terras da Colônia Caxias, em 1884. Na foto acima, a fachada do antigo prédio da Escola Superior de Belas Artes de Caxias do Sul, na Rua Dr. Montaury, entre a Av, Júlio de Castilhos e a Rua Sinimbu, em meados dos anos 1950.

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No local também funcionavam o Museu Municipal e a Biblioteca Pública Municipal, inaugurados em 1947. À direita, parte do Banco Nacional do Comércio, e à esquerda, parte da primeira sede própria do Banco do Brasil, na esquina da Dr. Montaury com a Sinimbu.

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Passeio guiado

Pegando carona no aniversário de 128 anos de Caxias, celebrado dia 20 de junho, o Sesc promove duas edições do projeto Memória Visual – Passeio Cultural Guiado, sob a orientação deste colunista. Será nos dias 23 e 30 de junho (sábados), das 9h às 11h, com saída da Casa da Cultura, na Rua Dr. Montaury.

O roteiro engloba parada em 10 pontos do Centro Histórico, apresentando alguns detalhes imperceptíveis no cotidiano dos passantes. No dia 23, é aberto ao público em geral. No dia 30, direcionado a acadêmicos de comunicação, fotografia, cinema, artes plásticas, artes visuais, arquitetura, engenharia civil, licenciaturas ou áreas afins.

Mais informações e inscrições: Sesc Caxias do Sul, pelo (54) 3209.8250 (setor de Cultura).

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