Memória: Silla Mariani Santini e a Mercearia Caxiense em 1952 - Cidades - Pioneiro

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Caxias antiga08/03/2018 | 07h30Atualizada em 08/03/2018 | 07h30

Memória: Silla Mariani Santini e a Mercearia Caxiense em 1952

Comerciante notabilizou-se no atendimento ao público do Centro nas décadas de 1950 e 1960

Memória: Silla Mariani Santini e a Mercearia Caxiense em 1952 Studio Tomazoni Caxias/Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami,divulgação
Dona Silla (ao fundo, à direita) comandava o balcão da famosa mercearia, aberta em 1952. Ao fundo, os enlatados dispostos em pirâmide Foto: Studio Tomazoni Caxias / Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami,divulgação

Neste Dia Internacional da Mulher, duas leitoras auxiliaram a recontar a história de uma personagem de atuação marcante no comércio da área central de Caxias do Sul. Falamos de dona Silla Mariani Santini, a responsável por fidelizar os milhares de clientes da lendária Mercearia Caxiense entre os anos 1950 e 1960. E coube à filha Therezinha Lourdes Santini Meneghetti e à nora Ruth Santini trazerem de volta essa rica trajetória.

Nascida em 1910, na Terceira Légua, Silla migrou para a cidade em 1922, aos 12 anos. Foi quando passou a auxiliar o irmão Attílio Mariani no balcão do não menos icônico Mercadinho do Povo, na Av. Júlio de Castilhos, ao lado do Prataviera. Começava a se desenhar ali o perfil que "Ciccila" levaria para o resto da vida: o de uma comerciante que sempre privilegiava o cliente e o bom atendimento, muito antes de qualquer manual de marketing. 

No Mercadinho do Povo, Silla permaneceu “full time” até casar com Faustino Ulderico Santini, em 1935. Auxiliou no velho secos & molhados da Júlio de forma esporádica até 1947. Foi quando, junto com o marido, o irmão Adão Mariani e o casal Avelino Kahler e Argia Kahler Mariani, passou a trabalhar no Armazém Mariani & Kahler Ltda , na esquina da Av. Rio Branco com a Rua Dr. Augusto Pestana. 

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Anúncio da antiga Mercearia Caxiense, publicado no jornal Diário do Nordeste, em 2 de março de 1954.
Anúncio da antiga Mercearia Caxiense, publicado no jornal Diário do Nordeste, em 2 de março de 1954Foto: Acervo Centro de Memória da Cãmara de Vereadores de Caxias do Sul / divulgação

O negócio próprio

Cinco anos depois, Faustino e Silla criavam o próprio negócio. A Mercearia Caxiense abria as portas em 1952, em um sobrado ao lado da antiga Farmácia D’ Arrigo, na Júlio, entre a Visconde e a Dr. Montaury. Era o início de um tipo de comércio ainda inédito na cidade: mais sofisticado, com bebidas importadas, enlatados finos e especialidades para datas específicas, como Natal e Páscoa. Em resumo, uma delicatessen, onde eram encontradas nozes, alcaparras, damascos, tâmaras, avelãs, castanhas, chocolates de marcas famosas e frios cortados na hora.

Mas a consagração do espaço viria mesmo com a mudança para o outro lado da rua, no térreo do sobrado onde hoje funciona a Padaria Central. Foi lá que Silla e Faustino eternizaram uma época e um estilo: ela, no atendimento e na venda direta ao consumidor; ele, nas compras, estoques e, principalmente, na decoração e disposição dos produtos. 

Sim, enquanto dona Silla fidelizava o público no balcão, na compra "a caderno", um dos trunfos de seu Faustino era saber organizar as mercadorias de forma a chamar a atenção da clientela. Enlatados dispostos em formato de pirâmide, por exemplo, só eram vistos lá. Vitrines ricamente adornadas e sacos de produtos na calçada, para atrair a freguesia, também. 

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Anúncio da antiga Mercearia Caxiense, publicado no jornal A Época, em 23 de outubro de 1955
Anúncio da antiga Mercearia Caxiense, publicado no jornal A Época, em 23 de outubro de 1955Foto: Acervo Centro de Memória da Cãmara de Vereadores de Caxias do Sul / divulgação

Exímia vendedora

Conforme a filha Therezinha e a nora Ruth Santini, dona Silla era uma vendedora "nata". Sabia desde sempre que nenhum estabelecimento sobrevivia sem um bom atendimento e uma relação de proximidade com o consumidor. Tanto que Silla era procurada até em domingos e feriados, quando clientes fiéis necessitavam de produtos especiais para alguma visita de última hora - principalmente as famílias moradoras do Centro e arredores, como os Brugger, Eberle, Peroni, De Carli, Pezzi e Beretta, entre outros.

Com a morte de Faustino, em 1959, Silla seguiu na mercearia até por volta de 1961, quando o negócio foi vendido. Na sequência, a comerciante montou um pequeno armazém na Rua Marquês do Herval, entre a Júlio e a Pinheiro. Após o fechamento deste, Silla atuou por anos como caixa no Mariani Artefatos de Couro, sempre mantendo uma relação de proximidade com o consumidor. 

Dona Silla faleceu em 1974, aos 63 anos. 

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Família de Silla Mariani Santi e Faustino Ulderico Santini, proprietários da lendária Mercearia caxiense, nos anos 1950. Casal aparece com os filhos Zilmar Renato Santini, com cinco anos, e Therezinha Lourdes Santini, com seis meses, em 1942
Silla e Fustino Santini com os filhos Therezinha (o bebê) e Zilmar em 1942Foto: Giacomo Geremia / Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami,divulgação

A família

Da união de Silla Mariani e Faustino Ulderico Santini, em 1º de junho de 1935, nasceram três filhos: Zilmar Renato Santini, Therezinha Lourdes Santini Meneghetti e Sarita Maria Santini. Na imagem acima, o casal em um registro de 1942, no antigo Studio Geremia, com Therezinha ainda bebê e o menino Zilmar. 

Mais abaixo, Therezinha, Zilmar e a esposa Ruth Santini conferem uma das raridades sobreviventes dos tempos da Mercearia Caxiense: o livro de registro dos empregados. Lá estão fotos e dados pessoais de antigos funcionários, como Iradi Therezinha Della Giustina, Remo Giacomelli, Sergio Hermenegildo Mariani, Valter Giacomelli, Luiz da Silva, Eloá Bottini e Ivo Andrade dos Santos. 

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Os irmãos Zilmar Renato Santini e Therezinha Lourdes Santini Meneghetti, filhos de Faustino Ulderico Santini e Silla mariani santini, fundadores da antiga Mercearia Caxiense, em 1952. À direita, dona Ruth Santini, esposa de Zilmar.
Therezinha e Zilmar, filhos de Silla e Faustino, conferem o antigo livro de registro de empregados da mercearia, juntamente com a nora Ruth Santini (esposa de Zilmar)Foto: Rodrigo Lopes / divulgação
O livro de registro de empregados da Mercearia Caxiense, uma das raridades preservadas pela famíliaFoto: Rodrigo Lopes / especial
O registro de Silla no livro de registro de empregados, com a grafia errada (Cyla), em 1954Foto: Rodrigo Lopes / especial

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