A trajetória do imigrante Ludovico Cavinato - Cidades - Pioneiro

Versão mobile

 
 

Memória05/03/2019 | 07h30Atualizada em 05/03/2019 | 07h30

A trajetória do imigrante Ludovico Cavinato

Italiano chegado ao Brasil em 1891 denomina a principal rua de acesso aos Pavilhões

A trajetória do imigrante Ludovico Cavinato Acervo de família / divulgação/divulgação
Ludovico e Getúlia (ao centro) com a família em 1938, no antigo Travessão Thompson Flores da 9ª Légua Foto: Acervo de família / divulgação / divulgação

Em tempos de Festa da Uva, recordamos da trajetória do imigrante italiano que nomeia umas das principais vias de acesso aos Pavilhões. Falamos de Ludovico Cavinato, cuja bisneta, Caroline Guadagnin, foi uma das embaixatrizes da edição de 2016 e, agora, ajuda a recontar parte dessa rica história — que se mescla ao cotidiano da celebração.  

Nascido em 5 de abril de 1877, Ludovico chegou ao Brasil por volta de 1891, juntamente com seus pais e duas irmãs. Oriundos de Pádova, na Itália, os Cavinato instalaram-se inicialmente no interior de São Paulo, onde Ludovico começou a constituir família. Aos 21 anos, em 24 de setembro de 1898, ele casou-se com a também imigrante Getúlia Bernardi, com quem teve 11 filhos. 

Naqueles primórdios do século 20, todos trabalhavam como agricultores meeiros até que, em 1918, fortes geadas atingiram os cafezais, fazendo com que o trabalho diminuísse. Foi então que, a convite do professor e amigo Antenor Gardenghi, Ludovico veio conhecer Caxias, trazendo posteriormente sua família.

Por aqui, começou a trabalhar na Cooperativa Agrícola de Caxias, na qual Gardenghi era gerente. Com o tempo, conseguiu adquirir um lote no Travessão Thompson Flores da 9ª Légua, posteriormente transformado em sua "Granja Modelo" — onde deu início ao plantio de videiras e outras frutas. 

A partir dos ensinamentos repassados pelo então diretor da  Estação Experimental de Viticultura e Enologia, Celeste Gobbato, Ludovico começou a fazer enxertos para a produção de uvas finas. Tanto que mandou buscar novas mudas em Jundiaí (SP) e também na Itália, divulgando pioneiramente esse plantio aos demais agricultores.

Todo esse envolvimento rendeu uma atuação marcante no setor. Cavinato foi presidente do Instituto do Vinho, criado para controlar a venda, qualidade e preço do produto e mensalmente dirigia-se a Porto Alegre para tratar desses assuntos, juntamente com Joaquim Pedro Lisboa, presidente da primeira Festa da Uva, em 1931.

— Ele acreditava na força dos trabalhadores e vislumbrava a necessidade de uma sociedade mais justa e que possibilitasse emprego e terra para todos. De operário a meeiro, empregado urbano a proprietário de terras, comerciante e industrialista, Ludovico e sua família representam uma síntese das diversas formas que o imigrante se inseriu no processo de transformação da nossa região — destaca a bisneta Caroline Guadagnin.

Ludovico Cavinato faleceu em 3 de março de 1948, aos 70 anos.

Leia mais:
Joaquim Pedro Lisboa e a Festa da Uva
Joaquim Pedro Lisboa: um espaço dedicado ao tradicionalismo no Pioneiro
CTG Rincão da Lealdade visita a Bahia em 1961
Rádio Caxias, 70 anos: Venha pra Cancha, Amigo
Auditório da Rádio Caxias, um palco de estrelas nos anos 1950 e 1960 

Ludovico e suas uvas no estande da Granja Modelo, na Festa da Uva de 1932Foto: Acervo de família / divulgação

Uvas premiadas 

A qualidade das uvas e vinhas renderam a Ludovico Cavinato diversos prêmios e menções honrosas. Na primeira Festa da Uva, em 1931, ele participou como expositor de uvas da Estação Experimental, juntamente com a Granja dos Irmãos Maristas de Garibaldi. Na edição seguinte, de 1932, além de novamente expor, foi premiado com a 1ª colocação por ser o mais destacado agricultor. 

Seus parreirais e suas premiadas uvas, além da própria vida familiar, ganharam destaque ainda em uma filmagem realizada em sua propriedade, com posterior exibição no Cine Apolo (antigo Cine Ópera).

Leia mais:
Cine Apolo, Cine Ópera e dois incêndios
Vindima na Quinta São Luiz em 1932
Celeste Gobbato na Festa da Uva de 1933
A "interminável" Festa da Uva de 1954
Flagrantes das Festas da Uva de 1965 e 1969
1972: o último ano do Pavilhão da Festa da Uva no Centro
Inauguração dos Pavilhões da Festa da Uva de 1975
Festa da Uva: construção da Réplica de Caxias, nos Pavilhões, em 1977  

Carro criado por Ludovico Cavinato na Festa da Uva de 1931. À direita, às filhas Romilda e VandaFoto: Studio Geremia / Acervo de família, divulgação

Carro em 1932 

Em 1932, Ludovico Cavinato idealizou e criou o carro alegórico para participar do corso alegórico da Festa. Nele, além de outras moças, desfilaram suas filhas Romilda e Vanda (à direita, na foto acima) em trajes de trabalho e expondo os frutos da colheita. 

Na foto que abre a matéria , a família Cavinato por volta de 1938, no antigo Travessão Thompson Flores da 9ª Légua, onde eles fixaram residência. Em pé estão Roberto Santini, Armando Cavinato, Antonio Speggiorin, José de Carli, Érico Cavinato, Walter Cavinato, Luis Rovina, Oberdan Cavinato e Adelino De David. 

Sentados vemos Doralice Cavinato (esposa de Roberto) com o filho Helis no colo, Olimpia Gaio (esposa de Armando), Vanda Cavinato (esposa de Antonio), o casal Getúlia e Ludovico, Italina Cavinato (esposa de Luis) com o filho Nelson no colo, Antônia Picoli (esposa de Oberdan) e Romilda Cavinato (esposa de Adelino). As duas crianças do meio, em pé, são Mélide e Aldino de Carli. As crianças no chão, da esquerda para a direita, são Adiles Santini, Valdir Cavinato, Ivo, Danilo e Ieda Cavinato e Edir De David.

Leia mais:
Magnabosco e Festa da Uva: um legado de amor
Encontro da família Guerra em Carlos Barbosa
Caxias em 1957: a Metrópole do Vinho
Randon 70 anos: uma mecânica surge em 1949
Encontro da família Libardi em Galópolis
O incêndio da Ferragem Caxiense em 1952

Caroline Guadagnin, embaixatriz da Festa da Uva 2016, e o vestido homenageando as uvas das primeiras festasFoto: Acervo de família / divulgação

O vestido 

Embaixatriz da Festa da Uva de 2016, Caroline Guadagnin fez questão de resgatar a história do bisavô. Os bordados de seu vestido faziam menção às premiadas uvas das primeiras festas.

Leia mais:
Cantina Antunes: uma carta e um catálogo
Estande dos Vinhos Imperial na Festa da Uva de 1965
Vinhos Raposa: um clássico da Mosele
Cooperativa Vinícola Caxiense em 1960
Cooperativa Vinícola São Victor nos anos 1950
Trajetória da família Zandomeneghi
Chaminés, as sobreviventes das alturas  
Vinícola Adega Pezzi em 1933
Estação Férrea em 1958
Caxias antiga: Quando o trem cortava a cidade  

Confira outras publicações da coluna Memória
Leia antigos conteúdos do blog Memória  

 
 
 

Veja também

 
Pioneiro
Busca
clicRBS
Nova busca - outros