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Caxias antiga30/03/2018 | 07h30Atualizada em 30/03/2018 | 18h15

Memória: construção da Réplica de Caxias, nos Pavilhões, em 1977

Conjunto foi inaugurado na abertura da Festa da Uva, em 18 de fevereiro de 1978

Memória: construção da Réplica de Caxias, nos Pavilhões, em 1977 Vasco Rech/Divulgação
As obras de construção da Réplica de Caxias, em dezembro de 1977, a dois meses da festa Foto: Vasco Rech / Divulgação

Inaugurada oficialmente há 40 anos, na abertura da Festa da Uva de 1978, a Réplica de Caxias buscava reproduzir duas quadras da seminal Rua Grande (Av. Júlio de Castilhos) em 1885 e a arquitetura típica italiana dos primórdios da colonização. Mas também era uma espécie de contraponto à modernidade dos novíssimos Pavilhões, surgidos na edição anterior, em 1975. 

Inauguração dos Pavilhões da Festa da Uva de 1975
Réplica de Caxias é tema de ensaio fotográfico
Grupo de danças folclóricas do Semtur na Réplica de Caxias em 1986

Conforme o jornalista Luiz Carlos Erbes, autor do livro Festa da Uva — A Alma de um Povo, "a construção da réplica suavizou o cenário moderno do parque de exposições, que pouco lembrava o passado dos imigrantes, mesmo na celebração do centenário, em 1975".

A ideia foi do empresário e presidente da Festa João Flávio Ioppi (1929-2015). Ioppi foi o idealizador, captador de recursos e executor do projeto da réplica, além de impulsionador do projeto Som & Luz, que se consagraria junto ao espaço a partir dos anos 1980 (leia mais abaixo). 

Todo o trabalho teve início em dezembro de 1977, a menos de dois meses do início do evento, o que fez muita gente achar que o complexo de 17 casas não ficaria pronto a tempo. Além das construções de madeira, do campanário e da capela reproduzindo a antiga Igreja de Santa Teresa (Catedral), o conjunto destacava uma edificação de alvenaria (sede do antigo escritório da empresa Festa Nacional da Uva) e um portal. 

Giovanni Argenta e os primórdios da Catedral

Frei Cyrillo Mattielo conduziu a cerimônia, acompanhado pelo bispo coadjutor Dom Paulo Moretto (à direita)Foto: Banco de dados / Agência RBS
Frei Cyrillo Mattielo, o bispo coadjutor Dom Paulo Moretto e o Coral Nova Trento, regido pelo maestro Felix Slaviero (ao fundo)Foto: Banco de dados / Agência RBS

A solenidade

A inauguração deu-se em 18 de fevereiro de 1978, primeiro domingo da festa, com uma missa em frente à capela — transmitida para todo o Estado pela então TV Difusora. Edição extra do Jornal de Caxias do dia 19 destacava a cerimônia conduzida pelo frei Cyrillo Mattielo, acompanhado pelo bispo coadjutor Dom Paulo Moretto. 

Conforme o texto, as câmeras da emissora mostravam uma lenta panorâmica da cidade, costurada pelo áudio do locutor: "Aqui mora o colono, convivendo com sua religiosidade, à espera dos frutos da fé, pelas sementes  que depositou nos sulcos do trabalho regados pelo suor".

Na sequência, a TV trazia imagens de uma família vestida com roupas típicas do início da colonização, vistas gerais da réplica e da igreja, com a locução enaltecendo a importância das capelas na constituição da sociedade no contexto da imigração italiana. 

Por fim, o Coral Nova Trento, de Flores da Cunha, entoava a infalível "De l'Italia noi siamo Partiti" (Merica, Merica). Tudo sob a regência do maestro Felix Slaviero — falecido no último dia 3 de março, aos 88 anos. 

Fundador do Coral Nova Trento, Felix Slaviero morre aos 88 anos

Foto: Acervo Centro de Memória da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul / reprodução

O projeto

Projetado pela arquiteta Cristina Elisabeth Oliva e sob a responsabilidade do engenheiro Fulvio Oliva, o conjunto mereceu ampla cobertura da imprensa da época. Matéria especial de duas páginas do Pioneiro, em 4 de fevereiro de 1978, trazia um belo ensaio fotográfico sob o título "A réplica da velha Caxias emociona" (foto acima). 

Ex-diretora do Museu Municipal, Maria Frigeri Horn, que também colaborava com a Festa da Uva, elogiava a execução dos trabalhos e a cobertura das casas com tábuas de madeira, os chamados "escándoles". "Um dos problemas é localizar os escándoles, que não são mais fabricados", disse à época. 

Na sequência abaixo, as várias etapas da construção e sua repercussão na imprensa.

Foto: Acervo Centro de Memória da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul / reprodução
Foto: Acervo Centro de Memória da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul / reprodução
Foto: Centro de Memória da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul / reprodução
Foto: Centro de Memória da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul / reprodução
Foto: Centro de Memória da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul / reprodução
Foto: Centro de Memória da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul / reprodução
Foto: Centro de Memória da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul / reprodução

Museu do Comércio

Atualmente, um dos destaques do conjunto está na Casa 9. O Museu do Comércio, idealizado pelo Sindilojas, reproduz os velhos armazéns de secos & molhados do início da colonização, com sua típica mistureba de produtos.

Em 2017, o museu por pouco não precisou deixar a casa, por uma determinação da prefeitura. Um acordo entre a Festa da Uva e o Sindilojas, porém, garantiu a sua permanência nos Pavilhões.

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Darwin Gazzana

A Réplica de Caxias também foi cenário para um dos últimos trabalhos do médico e artista plástico Darwin Gazzana para a Festa da Uva. Criador de alguns dos mais belos figurinos e carros alegóricos do evento, Gazzana e o filho Henrique foram os responsáveis pela direção artística do primeiro espetáculo Som & luz no local, no início dos anos 1980  — o que deu projeção nacional à Réplica de Caxias.

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A festa de 1978

A Festa Nacional da Uva de 1978 teve como presidente o empresário João Flávio Ioppi, que na época também administrava o Real Hotel, de propriedade da família Ioppi. A edição de 40 anos atrás teve como rainha Annemarie Brugger, acompanhada pelas princesas Marta Mugnol e Rosmary Bergoli da Luz.

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