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Memória17/01/2019 | 07h30Atualizada em 17/01/2019 | 11h04

Martin Schenk no casarão de Hércules Galló

Imigrante alemão atuou no Lanifício São Pedro entre 1931 e 1967

Martin Schenk no casarão de Hércules Galló Acervo de Marlene Schenk, Instituto Hércules Galló / divulgação/divulgação
Marlene, Martin, Albertina e Mario Schenk em frente à segunda residência de Hércules Galló em maio de 1946 Foto: Acervo de Marlene Schenk, Instituto Hércules Galló / divulgação / divulgação

A trajetória da família Schenk em Galópolis, abordada na coluna de ontem, coincidiu com o aniversário de 83 anos de dona Marlene Schenk Duque, celebrado no último sábado. E motivou um telefonema da própria, que acrescentou ainda mais detalhes a toda essa história, principalmente o período em que os Schenk residiram na segunda casa de Hércules Galló — atual sede do Instituto Hércules Galló —, entre 1938 e 1951. 

Nascida em 12 de janeiro de 1936, dona Marlene é a filha do meio do casal Martin Schenk e Isolina Sartori Schenk — cuja história mesclou-se ao cotidiano de Galópolis por mais de 30 anos. Imigrante alemão chegado ao Brasil em 1926, Martin conheceu a antiga vila em 1931, após cruzar com o empresário Ismael Chaves Barcellos, então diretor do Lanifício São Pedro — foi na Fábrica de Tecidos Belém, em São Paulo, onde o empresário buscava por um químico-têxtil. 

Os primeiros passos do pai em Galópolis foram ricamente detalhados por dona Marlene no livro Galópolis e os Italianos, lançado em 2012:

"Hospedou-se em um hotel próximo da entrada do vilarejo, onde também vivia Alberto Sartori, vice-prefeito de Caxias e na época já viúvo. Sartori vez por outra levava uma das filhas para lhe fazer companhia. Uma delas se chamava Isolina, daí surgiu o romance… e eles se casaram em 25 de junho de 1932, em Porto Alegre, em cerimônia realizada em casa, já que Martin era protestante. A partir de então passaram a morar em uma das casas da fábrica, ao lado da Igreja Matriz".

O casal teve três filhos: Marisa, nascida em 33; Marlene, em 1936; e Mário, em 1937. O período, porém, não foi dos mais felizes para os pais, conforme lembrou dona Marlene:

"Nossa irmã Marisa teve um quadro de pneumonia, não resistiu e faleceu em 19 de janeiro de 1936, uma semana depois de meu nascimento. Quando minha mãe teve seu terceiro filho, o parto foi difícil, e por força de complicações, minha mãe veio a falecer no mesmo dia".  

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Albertina, Martin, Marlene e Mário Schenk na entrada do casarão de Hércules Galló em março de 1939Foto: Acervo de Marlene Schenk, Instituto Hércules Galló / divulgação
Martin Schenk no alpendre da segunda residência de Hércules Galló, em 1938Foto: Acervo de Marlene Schenk, Instituto Hércules Galló / divulgação
Marlene, Martin, Mario e Albertina Schenk no jardim da segunda casa de Hércules Galló, em 1948Foto: Acervo de Marlene Schenk, Instituto Hércules Galló / divulgação

O segundo casamento

Abalado com as duas mortes e tendo dois filhos pequenos para criar, Martin contratou inicialmente uma empregada, o que não deu muito certo. "Foi então que seu cunhado, o padre Luiz Victor Sartori, aconselhou Martin  a se casar com Albertina, irmã de sua falecida mulher, que era solteira e já estava acostumada a cuidar dos sobrinhos", recordou a filha no livro.

O casamento ocorreu em 27 de junho de junho de 1938, também em Porto Alegre, culminando com o retorno a Galópolis e a mudança do antigo sobrado da Vila Operária para o casarão de Hércules Galló. "A casa estava vazia, já que a família, após a morte de Hércules Galló (em 1921), havia voltado para a Itália e só poderia regressar quando a (Segunda) Guerra acabasse", detalhou Marlene na publicação.  

Os Schenk permaneceram no casarão até por volta de 1951, quando os Galló retornaram da Europa e pediram que a residência fosse desocupada. Os irmãos Marlene e Mário já estudavam em Porto Alegre, e os pais, após um período morando no então novo prédio do Círculo Operário Ismael Chaves Barcellos, também se mudaram para a Capital. 

Martin Schenk trabalhou no Lanifício São Pedro durante 36 anos, de 1º de outubro de 1931 a 31 de outubro de 1967. Nascido em 1903, ele faleceu em Porto Alegre em 1996, aos 93 anos. 

Martin Schenk e a primeira esposa, Isolina, junto a um dos mascotes da família ainda na casa da Vila Operária, nos anos 1930Foto: Acervo de Marlene Schenk, Instituto Hércules Galló / divulgação
Isolina e Martin Shenke com um cachorro no quintal de residência da vila operária.Foto: Acervo de Marlene Schenk, Instituto Hércules Galló / divulgação
Isolina, com a filha Marisa nos braços, e Martin Schenk em frente à residência da Vila Operária. no Natal de 1933Foto: Acervo de Marlene Schenk, Instituto Hércules Galló / divulgação
Isolina, com a filha Marisa nos braços, e Martin Schenk em frente à residência da Vila Operária. no Natal de 1933Foto: Acervo de Marlene Schenk, Instituto Hércules Galló / divulgação

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Dezembro de 1946: Marlene e o pai Martin Schenk nas escadarias do casarãoFoto: Acervo de Marlene Schenk, Instituto Hércules Galló / divulgação
Martin e Mario Schenk na sacada do segundo andar da segunda residência de Hércules Galló, em 1941Foto: Acervo de Marlene Schenk, Instituto Hércules Galló / divulgação

Museu a céu aberto

O centenário casarão por onde passaram as famílias Galló, Schenk e Canuto deu a largada para o surgimento do Museu de Território de Galópolis. Trata-se de um projeto que busca transformar o bairro em uma espécie de museu a céu aberto, mapeando pontos de forte vínculo afetivo com seus moradores, mas que também seduzem todos que visitam o lugarejo. 

A primeira fase do Museu de Território teve início em novembro de 2015, com a inauguração do Instituto Hércules Galló e da instalação do primeiro totem-símbolo do projeto, no jardim entre os casarões de madeira restaurados às margens da BR-116. 

Estruturas semelhantes a essa, com um breve texto explicativo, devem ser estendidas a outros pontos históricos do bairro, como a antiga Vila Operária, a Igreja Matriz, a Cascata Véu de Noiva, o Cine Operário, o Lanifício São Pedro, o Círculo Operário Ismael Chaves Barcellos e a praça. 

Todo esse trabalho foi idealizado e coordenado pela museóloga e pesquisadora Tania Tonet (falecida em julho de 2018), a partir de um desejo do empresário José Galló e do arquiteto Renato Sólio, descendentes de Hércules. 

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Albertina, Mário (com seu triciclo) e Marlene Schenk em frente à segunda residência de Hércules Galló, em 1942Foto: Acervo de Marlene Schenk, Instituto Hércules Galló / divulgação

Visitas

O Instituto Hércules Galló pode ser visitado de terça a sábado, das 13h30min às 17h30min, com entrada franca. Saiba mais acessando o site www.herculesgallo.com.br e o perfil Museu de Território de Galópolis no Facebook.

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