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Opinião08/11/2019 | 18h23Atualizada em 08/11/2019 | 18h23

Pedro Guerra: a decisão mais difícil que já tomei

Descobri que crescer e tornar-se responsável pelos seus próprios atos e escolhas é exatamente isso: a gente vai ter que tomar decisões uma hora ou outra

Pedro Guerra: a decisão mais difícil que já tomei Antonio Giacomin/Divulgação
Foto: Antonio Giacomin / Divulgação

Se eu tivesse que dizer qual foi a decisão mais difícil que já tomei, provavelmente não saberia a resposta. Até porque, existiram várias. Todas as vezes que eu me imaginei seguro e confortável, foi só o dia seguinte chegar para que eu me deparasse com as bifurcações que a vida nos brinda: isso ou aquilo? Ir adiante ou parar? Andar duas casas ou retroceder meia dúzia?

Recentemente tive que tomar uma decisão nada fácil. A escolha envolvia lados bons e ruins, e acho que essa é a pior parte: quando você não tem ideia do que fazer. Temos medo de escolher pelo errado, e nem dedicamos um tempo para lembrar que muitas perdas também significam diversos ganhos. Parando para pensar, geralmente as decisões mais árduas são aquelas que envolvem nós mesmos: quando é que a gente entende que deve parar para respirar um pouco? Até porque, fomos criados com a ideia de que devemos trabalhar, trabalhar e trabalhar. É como se a gente tivesse um pouco de receio (e até vergonha) de dizer: estou saindo de férias.

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Hoje eu sei que a gente merece.

Merecemos o nosso tempo, a nossa pausa mesmo que forçada, e esse período onde nos fechamos para balanço deveria ser até um hábito sazonal. Vez que outra a gente precisa se entender, colocar-se frente a frente (no espelho mesmo) e promover um autoquestionamento capaz de nos fazer responder: o que é que eu quero para mim daqui pra frente? Porque é isso – e só isso – que nós temos.

Muita gente tem sorte de fazer o que ama. Felizmente, também tenho. E talvez para estas pessoas seja mais difícil ainda compreender que o trabalho (mesmo o dos sonhos) não pode virar obrigação. Não somos loja de conveniência para funcionar 24/7, não devemos trocar a água pelo café ou pelo energético. Precisamos – e tenho certeza de que iremos – deixar um legado, mas o meu desejo de hoje é que lá na frente a gente possa se despedir lembrando de tudo o que fez, de todos que atingimos, do bem que provocamos, e para isso precisamos estar saudáveis.

Aqui vai uma confissão pública: minha mente vai de mal a pior. Então, mais do que nunca, eu estou apertando o botão de emergência da minha própria vida e gritando para mim mesmo da forma mais gentil possível: vai com calma. Somos só um (por mais contraditória e errada que a frase possa parecer). E só nós mesmos sabemos quando pisar no freio se torna uma necessidade.

Descobri que crescer e tornar-se responsável pelos seus próprios atos e escolhas é exatamente isso: a gente vai ter que tomar decisões uma hora ou outra. Nem sempre vamos saber o que fazer, quase nunca iremos sentir prazer ao optar e abrir mão disso ou daquilo, mas teremos sim a certeza do que precisa ser feito. E machuca, né? Tem decisão que nos envolve de um jeito tão cruel que nem abraço de inimigo conseguiria ser pior. Mas passa. E aí o que permanece é a certeza de que não paramos de remar – nós só desaceleramos um pouco. E o importante é não deixar o barco parar.

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