Caxias do Sul sedia seminário para discutir o jogo da Baleia Azul - Geral - Pioneiro

Perigo na web10/05/2017 | 11h59Atualizada em 10/05/2017 | 11h59

Caxias do Sul sedia seminário para discutir o jogo da Baleia Azul

Evento será na UCS e vai ajudar os pais a entender o tema e a detectar sinais de alerta

Caxias do Sul sedia seminário para discutir o jogo da Baleia Azul Felipe Nyland/Agencia RBS
Foto: Felipe Nyland / Agencia RBS
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Um seminário discutirá nesta quarta-feira em Caxias do Sul as consequências do jogo da Baleia Azul e outros comportamentos perigosos envolvendo crianças e adolescentes. O encontro "Baleia Azul: da banalização da violência ao suicídio" é aberto à comunidade e ocorre na Universidade de Caxias do Sul (UCS), às 19h30min. Pelo menos duas cidades da Serra – Farroupilha e Carlos Barbosa – já registraram o envolvimento de jovens com o jogo. Por isso, a ideia do encontro é não deixar que o assunto caia no esquecimento e provoque a atenção dos pais, defende a professora de Psicologia Maria Elisa Carpena, uma das palestrantes.

— Nada parou de acontecer. No lugar da Baleia Azul, surge o jogo das Fadas, que lida com crianças menores e as incentiva a ligar o gás de casa à noite, ou vídeos no Youtube que incentivam o suicídio. A ideia de que elas estão seguras só por estarem em casa é falsa. O conteúdo que elas podem ter acesso na internet é muito perigoso — alerta Maria Elisa.

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Quando o desafio da Baleia Azul virou assunto na internet, houve quem cogitasse que ele não passasse de farsa. A psicóloga diz que interpretá-lo dessa forma é uma irresponsabilidade e alerta que a conversa sobre ele deve ser insistida pelos familiares. Ela também chama a atenção para a banalização do comportamento do adolescente: ainda que sejam normais os momentos de reclusão ou dificuldade de diálogo, isto não pode ser visto como algo permanente.

— Não é porque é adolescente que pode ficar trancado horas no quarto. É mais comum que aconteça na adolescência, claro, mas isto precisa ser monitorado. As vítimas são jovens com um grau de fragilidade emocional importante — avalia a psicóloga.

A taxa de aumento do suicídio entre jovens, que cresce de modo lento mas constante, é estudada por acadêmicos do curso de Psicologia da UCS. A grande brecha é entender porque, de fato, cada vez mais jovens tiram a própria vida. De acordo com o Mapa da Violência, a taxa de taxa de suicídios na população brasileira de 15 a 29 anos subiu de 5,1 por 100 mil habitantes em 2002 para 5,6 em 2014 - um aumento de quase 10%. O mapa é um estudo publicado a partir dos dados do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde. Por faixa etária, o número de suicídios aumentou 40% entre crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. Já entre os jovens de 15 a 19 anos o crescimento foi de 33%.

— O que faz com que estes jovens se envolvam em jogos como este é o grande problema. Pessoas mal intencionadas sempre existiram, mas esse interesse por parte dos jovens é o que deve ser debatido — defende Maria Elisa.


Isolamento e valor à avaliação externa

Seja na escola ou em casa, o que leva um jovem a cometer suicídio e como preveni-lo dificilmente é tema de conversas entre os adultos e os mais novos.

O vácuo faz com que os sinais de alerta emitidos pelos filhos passem despercebidos pela família. Isolamento, agressividade, distúrbios alimentares, alterações de sono, problemas na escola são vistos como sintomas típicos da adolescência e, muitas vezes, relativizados pelos pais.

Este distanciamento se torna mais grave na medida em que o grupo onde ele está inserido passa a ter mais importância na vida do adolescente.

— O jovem tende a ficar vulnerável porque dá mais valor à avaliação externa dos seus pares do que a das pessoas que sempre fizeram parte da vida dele, como a família — afirma o psiquiatra Jair Segal, chefe da equipe de saúde mental do Hospital de Pronto Socorro, de Porto Alegre.

A primeira dica do psiquiatra, que também é pesquisador em comportamento suicida, é para que os pais conversem com seus filhos quando perceberem que algo não está bem ou se houve uma mudança de comportamento.

— Ser verdadeiro e não ter medo de abordar o adolescente de forma aberta e direta é o mais importante. Dizer que percebeu uma mudança, querer saber o que está acontecendo e que pode ajudar — diz.

É preciso respeitar o espaço do adolescente, mas se mantendo atento.

— Se houver a percepção que algo está errado é o momento de se aproximar. O jovem é impulsivo, disruptivo e pode agir de forma dramática a algo simples. Isso pode ser evitado — afirma.



 
 

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