Após duas semanas internado com coronavírus, aposentado de 88 anos sai do hospital em Caxias e comemora  - Cidades - Pioneiro

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Final feliz03/06/2020 | 15h26Atualizada em 03/06/2020 | 15h26

Após duas semanas internado com coronavírus, aposentado de 88 anos sai do hospital em Caxias e comemora 

Idoso estava no Hospital Virvi Ramos e recebeu alta nesta quarta-feira

Após duas semanas internado com coronavírus, aposentado de 88 anos sai do hospital em Caxias e comemora  Hospital Virvi Ramos/Divulgação
Adelphino Gadens, 88 anos, no reencontro com a filha Fabiana Foto: Hospital Virvi Ramos / Divulgação

De cada três pacientes infectados com covid-19 em Caxias do Sul, dois se recuperam, saem do hospital e voltam para suas famílias, segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Até esta quarta-feira (3), já são 122 recuperados na cidade. Um destes finais felizes foi o do metalúrgico aposentado Adelphino Gadens, 88 anos. Ele passou duas semanas internado no Virvi Ramos, onde inclusive comemorou o aniversário com uma festa surpresa das enfermeiras. Na quarta, segurando uma placa "Eu venci a Covid-19", o idoso recebeu alta médica e, ao sair do hospital, foi aplaudido pelos profissionais da saúde.

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Gadens percebeu os primeiros sintomas no dia 18 de maio. Ele procurou um posto de saúde e foi medicado para gripe. Dois dias depois, a situação piorou e o metalúrgico precisou ser internado. O resultado positivo para coronavírus veio no dia 24.

— Ficamos sem chão, né? Pela idade dele e tudo que sabemos (da doença). Quando deu positivo, afetou a todos nós (da família). É bem difícil. A partir do exame, fomos proibidos de visitá-lo — conta o cunhado Oseias Nunes, 46 anos.

Gadens tem problemas de audição, por isso o único contato com os familiares era por vídeo chamada. O aposentado mora no bairro Kayser com a esposa Terezinha Basso, 82, a filha Fabiana, a neta Rafaela, de sete anos, além do cunhado. A família não teve sintomas, mas também ficou em isolamento.

— Ele é um pouco surdo, mas pedia muito dos cachorros, como estava a casa, como estavam as netas e a esposa. A Sharon, uma vira-lata que ele tem há oito anos, ia todo dia no quarto procurar por ele. Ficava cheirando a cama. Nós também estávamos em quarentena, só que em casa. Foram 15 dias bem longos — relata Nunes.

A família não sabe como ou onde Gadens foi contaminado. O cunhado admite que aconteceram falhas no distanciamento e prevenção.

— Ele só se resguardou no início de março. Com os dias passando, as pessoas vão perdendo o medo e parece que os mais velhos são mais difíceis de entender, né? Foi teimosia. Ele ia a mercado, lotérica, foi até o sindicato pagar mensalidade e até andou de ônibus. Mas também pode ter sido nós que passamos para ele. Não temos como saber — diz Nunes.

Felizmente, o quadro do idoso se manteve estável e não precisou de entubação durante a internação. Sobre os dias no hospital, a família agradece ao apoio e carinho da equipe médica. Gadens completou 88 anos na última segunda-feira (1º) e foi surpreendido pelas enfermeiras com uma torta e balões. A festa ajudou o aposentado a manter o pensamento positivo pela recuperação.

— Só voltamos a vê-lo na saída do hospital. Foi bem emocionante, um choro de alegria. O médico falou que agora é vida normal. Meu sogro  venceu o vírus.  Mas nós precisamos ter cuidado e continuar usando a máscara. Como não apresentamos sintomas, temos que tentar ficar tranquilos. Mas se dou um espirro já fico com medo. Ninguém está preparado para passar por isso — comenta o cunhado.

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