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Memória03/02/2020 | 07h00Atualizada em 03/02/2020 | 10h06

Máquina de escrever, telefone de baquelite, mata-borrão e outros apetrechos mais...

Registro do escritório de contabilidade da Metalúrgica Abramo Eberle em 1943 traz a lembrança de objetos fundamentais para o trabalho até meados dos anos 1960

Máquina de escrever, telefone de baquelite, mata-borrão e outros apetrechos mais... Giacomo Geremia / Acervo pessoal de Francisco Michielin, divulgação/Acervo pessoal de Francisco Michielin, divulgação
O escritório de contabilidade da Metalúrgica Abramo Eberle, no prédio da Rua Sinimbu, em 1943 Foto: Giacomo Geremia / Acervo pessoal de Francisco Michielin, divulgação / Acervo pessoal de Francisco Michielin, divulgação

O vasto acervo fotográfico sobre a Metalúrgica Abramo Eberle mantido pelo médico e escritor Francisco Michielin – e agora compartilhado com a coluna – permite as mais variadas abordagens. A foto de 1943 abaixo, por exemplo, eternizou o setor de contabilidade da empresa, na Rua Sinimbu –chefiado pelo senhor Henrique Michielin, pai de Francisco. 

Mas o curioso mesmo é observarmos alguns dos objetos, móveis e maquinários fundamentais para o trabalho em escritórios até meados dos anos 1960, mas que hoje não passariam de meras peças decorativas, para dar aquele ar meio retrô na ambientação. 

Entram aí as máquinas de escrever, o mata-borrão, a caneta-tinteiro, os carimbos, os cinzeiros de metal sobre as escrivaninhas com três gavetas em cada extremidade, o telefone preto de baquelite, a campainha de mesa, os cabideiros tomados de chapéus, capas, sobretudos e ternos; a iluminação sequencial com lustres de opalina em estilo art déco, os ficheiros e arquivos em armários de madeira e até uma prensa em ferro fundido. Bem ao fundo, quase imperceptível, à esquerda, vemos o senhor Henrique Michielin, que faleceu prematuramente em 1947, aos 38 anos.

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A tarde se fez noite

Além da atuação marcante na metalúrgica, seu Henrique Michielin também fixou seu nome na galeria de personagens marcantes do Esporte Clube Juventude. Sobre a  atuação do pai no Ju, Francisco Michielin também reservou um emocionante relato em seu livro Assim na Terra como no Céu, lançado em 1994.

"Em 27 de novembro de 1947, aos 38 anos, morre Henrique Michielin, que fizera uma porção de coisas boas no Juventude: chefe de delegações, tesoureiro, secretário, orador oficial e, finalmente, como seu indicado, presidente da Liga Caxiense de Futebol. A insidiosa doença aniquilou com suas resistências durante os dois últimos sofridos anos e o afastou da presidência esmeraldina, que seria seu caminho natural e desejado por todos os seus amigos. Ele tinha essa propriedade afetuosa. Dizimado pela insuficiência renal, numa época em que a diálise e o transplante nem eram imaginados, meu pai despediu-se altivamente desse mundo, sabendo que sua morte estava escrita. A ata do clube, na ocasião, lhe dedica uma homenagem tocante, e a sessão não vai adiante. É suspensa. As lágrimas escorrem pela face de muitos daqueles homens consternados. Seu sepultamento é um dia tristíssimo para a cidade, de onde pululavam amigos de todos os lados, cores e credos, tal a sua dimensão humana. Nas exéquias, sobre seu ataúde, a bandeira do clube que ele sempre amou e o acompanhou até a última morada, findando com o seu suplício na terra. Eu havia recém completado meus quatro anos. A tarde se fez noite, e logo o ano virou seu calendário." (Francisco Michielin)

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Odino Sartori, Henrique Michielin, Salvador Sartori, Américo Garbin, Armando Meneghini e Carlos Mosele em meados dos anos 1930Foto: Acervo pessoal de Francisco Michielin / divulgação

Um domingo tranquilo

A partir da foto acima, datada do início dos anos 1930, Francisco Michielin presta uma homenagem não apenas ao pai, mas a vários outros colegas dele na metalúrgica.

"Amigos de todas as horas, eles se encontravam diariamente em seus cargos. Os domingos primaveris se prestavam para piqueniques nos bosques da cidade, ainda assim, não dispensando o uso da gravata. O primeiro à esquerda é Odino Sartori, seguido por Henrique Michielin, Salvador Sartori, Américo Garbin, Armando Meneghini e Carlos Mosele. A vida era bela...". 

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