Mostra "Helenas" abre neste sábado, na Sala de Exposições do Ordovás, em Caxias do Sul - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Artes plásticas07/07/2017 | 16h10Atualizada em 07/07/2017 | 16h10

Mostra "Helenas" abre neste sábado, na Sala de Exposições do Ordovás, em Caxias do Sul

Questionamento da fragilidade feminina pauta obras da artista plástica Heloísa Biasuz

Mostra "Helenas" abre neste sábado, na Sala de Exposições do Ordovás, em Caxias do Sul Roni Rigon/Agencia RBS
Para a artista, natural de Vacaria, a mulher representa força, que ela registra nas suas obras por meio do olhar Foto: Roni Rigon / Agencia RBS
Maristela Scheuer Deves
Maristela Scheuer Deves

maristela.deves@pioneiro.com

Heloísa Biasuz nasceu Heloísa Helena, mas não é só por isso que a artista plástica de Vacaria resolveu intitular Helenas a exposição que abre neste sábado na Sala de Exposições do Centro de Cultura Ordovás, em Caxias do Sul. Ela buscava um símbolo para questionar a fragilidade feminina, e, pesquisando, chegou a Helena de Tróia. Embora sempre se fale dessa personagem da mitologia como a mais bela mulher do mundo, por quem guerrearam gregos e troianos, ela também tinha astúcia e força, observa Heloísa.

A miríade de significações em que o nome se desdobra serve à perfeição ao conceito da mostra, cujas 13 telas representam ao mesmo tempo a força feminina, expressa por meio do olhar, e todas as dores, tarefas e preconceitos que as mulheres ainda carregam, representados nos rostos diluídos em manchas, como se questionassem o espectador sobre se ele acredita mesmo nos estereótipos que cercam a figura feminina.

— São mulheres sem idade nem nacionalidade, poderiam ser qualquer mulher — diz Heloísa, que considera esse trabalho como o fechamento de uma busca de muito tempo.

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A artista, cujas obras anteriores já trabalhavam com o tema do feminino _ por meio da gestação e da arte primitiva —, conta que desta vez quis colocar em xeque a representação tradicional da mulher sob o estigma de frágil. Como prova de que a força é que está por trás desse sexo, lembra que desde a época da imigração as mulheres tiveram papel fundamental — embora muitas vezes desconsiderado. E que hoje, apesar dos avanços, a coisificação da mulher continua, sujeitando-a a padrões de beleza, a dupla jornada, a fazer sempre mais e ganhar menos (além de ser vítima constante da violência).

Como um trabalho de arte precisa de sutileza na abordagem de seus temas, Heloísa optou por uma técnica de pintura não tradicional. O uso de tinta acrílica sobre tela ganhou contornos menos definidos, sem sombras, com preferência pelas manchas. É a força representada não tem termos físicos, mas de almas desnudadas — da Helena artista, das Helenas espectadoras e das Helenas sem voz, Brasil e mundo afora.

Agende-se
O quê:
exposição Helenas, de Heloísa Biasuz, com curadoria de Thiago Quadros.
Quando: abertura neste sábado, às 17h30min; visitação até 6 de agosto, de segunda a sexta, das 9h às 22h, e aos finais de semana, das 16h às 22h.
Onde: na Sala de Exposições do Centro de Cultura Ordovás (Rua Luiz Antunes, 312), em Caxias do Sul.
Quanto: entrada franca.

Rostos diluídos em manchas na obra de Heloísa Biasuz representam a carga de violência e preconceito que as mulheres ainda carregam Foto: Roni Rigon / Agencia RBS
 

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