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Eleições 201809/10/2018 | 07h00Atualizada em 09/10/2018 | 07h00

"Tenho de escutar as pessoas", diz Neri, o Carteiro, deputado estadual eleito de Caxias

Ele obteve mais de 27 mil votos e conquistou uma cadeira na Assembleia 

"Tenho de escutar as pessoas", diz Neri, o Carteiro, deputado estadual eleito de Caxias Diogo Sallaberry/Agencia RBS
Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

Vereador em segundo mandato em Caxias, Neri, o Carteiro (Solidariedade) alçará novos voos a partir de janeiro. Eleito deputado estadual com 27.808 votos, terá a missão de representar principalmente a Serra na Assembleia. Reconhecido pelo atendimento à comunidade quase como um presidente de bairro — ele circula por Caxias em uma van que se tornou seu gabinete móvel —, Neri quer continuar com o mesmo estilo de trabalho na Assembleia. Um dos primeiros movimentos será abrir um escritório em Caxias para manter o contato direto com os eleitores da região. 

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Nesta segunda-feira, em uma entrevista transmitida pelo Facebook do Pioneiro, ele falou sobre os planos como deputado e o que pensa sobre privatizações de estatais. Sobre ser prefeito de Caxias, questão levantada por leitores durante a transmissão, Neri disse que não está descartado, mas tudo no seu tempo. 

A que o senhor atribui sua vitória?
A gente sempre procurou tratar as pessoas com muito respeito nos encaminhamentos, sendo um vereador muito presente nas comunidades. Acho que é isso o que o pessoal espera. Muitas coisas a gente consegue ajudar, outras não, mas o mínimo que a gente tem de fazer é estar lá, dar uma resposta. Nossos mandatos sempre foram participativos. A gente conseguiu trazer muitos projetos para a Câmara através das dificuldades das pessoas e acho que agora vem esse reconhecimento.

>> Assista à entrevista:

Quais serão as suas bandeiras na AL?
Um dos nossos compromissos é ter uma extensão do nosso gabinete em Caxias para que na região eu possa atender a todos, promover os debates com as pessoas para que a gente possa averiguar os problemas e levar para a Assembleia. Tem tantos problemas, a questão da saúde que a gente sabe que os governos não estão fazendo os repasses, então a gente tem um grande compromisso de ser fiscalizador. Pelo nosso contato direto com as pessoas, a gente sabe que lá na ponta estão sofrendo, seja por uma cirurgia, que estão esperando há dois anos, por um exame há um ano, a falta de leitos. A questão da nossa segurança, a Brigada Militar sem estrutura. Caxias, que é a segunda maior cidade do Estado, e a gente pouco vê policiais nas ruas. Precisa de mais estrutura, mais efetivo. Tem muitas demandas, nossas rodovias, nossas escolas. Trabalho tem. Como vereador, adotei uma postura, eu não tinha bandeiras fixas. A minha bandeira é defender o problema de todos.

O gabinete móvel continua?
Ele me ajudou bastante para tentar aproximar o Neri das comunidades. Como deputado, a gente vai manter o gabinete móvel percorrendo Caxias e a região. Continuo com a ideia de que o agente político tem de ir até as pessoas. Não o contrário. 

Qual projeto o senhor pretende levar para a AL?
Tem um projeto, não sei se existe em nível de Estado, mas se não existir é certo que apresentarei, que prevê o símbolo do autismo. Apresentei em Caxias e foi aprovado. Toda mãe que tem um filho com autismo quando entra na fila de um plantão médico, de banco, de restaurante, a gente sabe que a criança com autismo não pode ficar em lugares que tem aglomeração de pessoas, que tem barulho, ela fica irritada. A lei dá prioridade de atendimento aos pais de autistas. Quero trabalhar não só esse projeto, mas a causa do autismo. 

O senhor é a favor das privatizações das estatais?
O plebiscito é importante porque abre a possibilidade de todos opinarem, mas eu também tenho a minha opinião. Corsan e Banrisul não tem por que privatizar. O que dá lucro não precisa ser privatizado. Talvez aquelas estatais que não dão lucro, que dão prejuízo, que servem de cabide de emprego. 

Quem assume sua vaga na Câmara de Vereadores?
É a Tatiane Frizzo, minha suplente. Foi rainha da Festa da Uva de 2010. A gente ainda não conversou, até porque no momento ela não mora em Caxias. Está morando na Austrália. Acredito que ela deve retornar ao Brasil no início do ano que vem para assumir essa cadeira. 

Quem o senhor irá apoiar para governador?
Nossa coligação era com Jairo Jorge (PDT), que não entrou no segundo turno. Agora, é um diálogo interno para ver que linha o partido vai seguir. O Solidariedade de Caxias sempre teve muita liberdade. Acredito que nosso presidente municipal vai chamar uma reunião com o diretório. Esse debate vai ser feito também com o diretório estadual. 

No primeiro turno, o Solidariedade liberou os filiados para o voto a governador?
Sim. Nosso partido preza pela democracia. Tinha muitas pessoas que não gostariam de votar no candidato que a sigla tinha escolhido, então ficou meio que aberto. Mas o partido em si estava com Jairo Jorge. 

Isso não lhe deixa sem posição? O senhor não se preocupa com o prejuízo?
O partido vai ter uma posição. Para o governo, o partido estava com Jairo Jorge, alguns filiados, tem muita gente em Caxias que tem carinho pelo (José Ivo) Sartori. Teremos uma posição e, no momento certo, poderemos abrir. 

O senhor estava com Jairo Jorge? Votou nele?
Sim, votei no Jairo Jorge. 

E para presidente?
É uma incógnita. O pessoal estava bastante aberto, estava bastante polêmica essa questão. Nossa coligação era com o (Geraldo) Alckmin (PSDB),  mas muitos não queriam votar nele. Agora a gente vai fazer esse debate interno. Mas acredito que a maioria está com (Jair) Bolsonaro.

O senhor irá cumprir seu mandato até o final ou pode ser candidato a prefeito na próxima eleição?
Eu acho que o diálogo é muito importante. Tudo tem de ser tratado dentro do partido. Muitas pessoas ajudaram a me eleger, então eu tenho de escutar o presidente, os filiados, para que a gente possa chegar a uma conclusão do futuro. Mas, principalmente, tenho de escutar as pessoas, o povo, as pessoas que me elegeram. Não vou dizer que não tenho pretensão de um dia concorrer a prefeito. Caxias foi a cidade que me acolheu, que me adotou, como eu sempre digo. Quem sabe no futuro, mas a gente tem de focar mais no compromisso com as pessoas. Foram 27.808 pessoas que confiaram seus votos nas urnas. A gente vai tentar desempenhar esse trabalho atuante, participativo na Assembleia, votando com coerência, tendo posição. O futuro a Deus pertence. E lá na frente, a própria população vai dizer o que eu tenho de fazer.

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