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 Feminicídio15/11/2019 | 08h29Atualizada em 15/11/2019 | 11h52

Carro de investigado por assassinato de mulher é apreendido em Caxias

Suspeito deve se apresentar para prestar depoimento na terça-feira

Carro de investigado por assassinato de mulher é apreendido em Caxias Divulgação / Arquivo pessoal/Arquivo pessoal
A funcionária pública Ereni dos Santos, 42, foi morta a tiros no bairro Desvio Rizzo, em Caxias do Sul Foto: Divulgação / Arquivo pessoal / Arquivo pessoal

O carro do homem investigado pelo assassinato da funcionária pública municipal Ereni dos Santos, 42 anos, foi apreendido na tarde desta quinta-feira (14), em Caxias do Sul.  O mandado de busca e apreensão expedido pela Justiça foi cumprindo por volta das 16h50min. A Blazer branca estava em um estacionamento na bairro Esplanada. A camionete pertence ao ex-marido de Ereni, um homem de 62 anos. O nome do suspeito não é divulgado porque não há confissão formal do crime ou indiciamento.

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O veículo estava trancado e a chave não foi deixada no local. O carro foi recolhido e encaminhado ao depósito credenciado. O suspeito não foi localizado. Ele deve prestar depoimento na próxima terça-feira (19). A previsão inicial era de que o suspeito compareceria na última quinta-feira (14) na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam).  No entanto, após conversas entre os advogados dele e a delegada titular da Deam, Carla Zanetti, o depoimento foi agendado para a próxima semana.

Ereni foi assassinada com cinco tiros no dia 11 de novembro, na Rua Avelino José Lora, no Desvio Rizzo. Os disparos foram efetuados pelo motorista de uma caminhonete Blazer. Pouco antes do crime, ela havia participado de uma audiência de conciliação no Fórum com o investigado. 

O processo abordava o reconhecimento da união estável do casal, a guarda de dois filhos e a partilha de bens. Não houve nenhuma discussão ou sinais de agressão por parte do homem, durante o encontro. Ainda de acordo com os advogados Marina Demoliner Barbosa, Airton Barbosa de Almeida e Alceu Barbosa Velho, que representam o suspeito, ele nunca teria se oposto a um acordo. O Fórum informou que Ereni tinha medida protetiva contra o investigado, o que impedia a aproximação dele.

CRONOLOGIA

Abril de 2018

::   Segundo relatos de familiares e informações no processo da Vara de Violência Doméstica, Ereni dos Santos decide fugir de casa após ameaças e humilhações por parte do homem com quem conviveu durante 19 anos - eles estavam juntos desde 1999. Ela sai da casa, no bairro Desvio Rizzo, com roupas e documentos e leva os dois filhos para um apartamento mobiliado, que havia alugado sem o conhecimento do marido. Em relatos a familiares, ela confidencia que o marido não aceitava uma separação e ameaçava matar ela e os filhos. O homem segue vivendo na moradia. 

:: As ameaças não cessam e pouco tempo depois Ereni solicita uma medida protetiva na Vara de Violência Doméstica, que foi decretada no dia 24 de abril.

Setembro de 2018

:: Ereni ingressa com uma ação na Vara de Família para obter o reconhecimento da união estável que mantinha com o marido. Com isso, poderia formalizar a separação e pleitear a divisão de bens e definir a guarda dos filhos.

Maio de 2019

:: As ameaças prosseguem e a medida protetiva a favor de Ereni é prorrogada no dia 27 de maio pela Vara de Violência Doméstica.

:: Em período não divulgado pela Justiça, o ex-marido é chamado para participar do Projeto Hora, no Fórum, espaço onde agressores são convidados a refletir sobre seus atos como forma de diminuir a violência doméstica e a reincidência. Ele anota presença numa primeira reunião, mas não aceita seguir adiante no projeto.

:: Nesse período, Ereni já tinha voltado a morar com os filhos na casa no Desvio Rizzo por ordem da Justiça, que havia determinado a saída do homem da moradia.

Agosto de 2019

::  A Vara de Família designa o dia 11 de novembro para uma audiência de conciliação entre Ereni e o ex-marido.

Setembro de 2019

::  No dia 12, Ereni procura a Vara de Violência Doméstica e manifesta o desejo de não prosseguir com um processo movido contra o ex-marido pelo crime de ameaça. Ela diz que as ameaças cessaram e ela se sente mais segura. Com a decisão, o homem se vê livre de uma punição penal. A mulher, no entanto, pede ao juiz para manter a medida protetiva como garantia.

Novembro de 2019

:: Na manhã da segunda-feira, dia 11, Ereni e o ex-marido se encontram no Fórum para tratar sobre a audiência que levaria a um acordo de reconhecimento da união estável e da partilha de bens. O homem pede para reatar o relacionamento. Ele chora para sensibilizar a ex-esposa, mas Ereni não aceita. A audiência prossegue normalmente com a conciliação entre as partes. Ereni fica com a guarda dos filhos e o ex-marido pode ficar com eles aos finais de semana. O homem aceita vender a casa e dividir a metade do valor com a mulher. Em contrapartida, ele toma posse de uma lancha, de uma caminhonete Blazer e de um jet ski. Ereni fica com um Ônix e uma moto.

:: Por volta das 13h do mesmo dia, Ereni é emboscada na saída de casa, no Desvio Rizzo, pelo ocupante de uma Blazer, que seria o ex-marido. A perseguição se estende por cerca de 400 metros até a Rua Avelino José Lora, que não tem saída. A caminhonete encosta na traseira do Ônix e empurra o carro por alguns metros.

::  Segundo testemunhas, o motorista da Blazer desembarca, quebra o vidro do Ônix a coronhadas e dispara contra Ereni. Em seguida, larga um revólver na rua e foge com a caminhonete. No registro da polícia, porém, consta que a arma foi apreendida numa chapeação.

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