"Eles ofereciam drogas com preços tabelados", conta morador de comunidade invadida por criminosos em Caxias - Polícia - Pioneiro

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Violência06/03/2018 | 15h03Atualizada em 06/03/2018 | 17h02

"Eles ofereciam drogas com preços tabelados", conta morador de comunidade invadida por criminosos em Caxias

"Eles ofereciam drogas com preços tabelados", conta morador de comunidade invadida por criminosos em Caxias Juan Barbosa/Agencia RBS
Foto: Juan Barbosa / Agencia RBS

A ação de bandidos da Região Metropolitana de Porto Alegre para tomar pontos de tráfico em parte do Burgo e da comunidade do São Vicente, no complexo Jardelino Ramos, em Caxias do Sul, colocou muitas pessoas sem relação com a criminalidade na mira de fuzis e metralhadoras.

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Na noite de sábado, um dos moradores percebeu que homens armados estavam circulando pelas ruas das comunidades e decidiu se refugiar dentro de casa. Da janela, viu amigos e conhecidos serem abordados numa espécie de blitz. 

— Contei uns quinze caras armados, muito bem armados. Teve um senhor que conheço, que havia ido na frente de casa estender uma mochila no varal. Os bandidos apontaram as armas e mandaram ele deitar. Também vi uns dois pedreiros (usuários de crack) irem para a parede e serem revistados. Eles faziam que nem a polícia, só que não era a polícia — relata a testemunha.

Uma mulher, que pede para ter a identidade preservada, também havia ido de carro ao São Vicente para visitar conhecidos na noite de sábado. Ao ingressar na Rua dos Antúrios, foi parada numa barreira.

— Eram vários homens armados. Eles tinham roupas camufladas, escuras. Pensei que era da polícia, depois imaginei que fosse um assalto. Um deles olhou para mim e liberou. Disse que eles não estavam ali para roubar nada e que eu podia seguir em frente. Não pensei duas vezes e segui adiante por uma rua de trás e fui embora do bairro. Ali eu não volto mais — diz a mulher.

A maioria dos bandidos não usava capuzes ou máscaras, com exceção de dois homens, que seriam moradores de Caxias do Sul e não queriam ser reconhecidos por testemunhas. Como o grupo permaneceu horas nos becos e vielas, alguns comparsas trouxeram lanches como xis. Na ânsia de identificar e encontrar traficantes rivais, os criminosos entraram na moradia de pessoas sem relação com a disputa. 

Na noite de domingo, com as comunidades já dominadas pelos bandidos, alguns traficantes já estavam oferecendo drogas para usuários.

— Eles ofereciam drogas com preços tabelados. Eles disseram que o pino (de cocaína) custava R$ 20, o crack R$ 10 e a maconha R$ 5.

Na segunda-feira e na terça-feira, com a invasão já mais organizada, os traficantes optaram por organizar o controle por meio de olheiros com rádios comunicadores. 

— Hoje (terça-feira), passei por três deles quando estava indo ao trabalho. Não eram caras aqui da nossa comunidade. Nunca vi nada disso na minha vida — conta outro morador do bairro.

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