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Memória25/09/2020 | 07h01Atualizada em 25/09/2020 | 07h01

Para recordar da professora Gislaine Amoretti (1929-2020)

Pelo casarão da Rua Marechal Floriano passaram milhares de alunos desde a década de 1950

Para recordar da professora Gislaine Amoretti (1929-2020) Acervo de família/divulgação
Anos 1950: Gislaine (sentada à esquerda) com os pais Antônio (Nico) e Victória, e a irmã Iracema (D). Atrás, os irmãos Rogério, Sérgio, Marina, Teresinha, Natal, Ivanizi, Arnaldo e Mário Foto: Acervo de família / divulgação

Em 1952, Gislaine Diniza Amoretti tinha 22 anos e morava no amplo casarão de madeira da família, existente até hoje no trecho da Rua Marechal Floriano entre a Rua Sinimbu e a Avenida Júlio de Castilhos. Vivia ali na companhia dos pais, Antônio “Nico” Amoretti e Victoria Troian Amoretti, dos tios e irmãos - dez anos após a chegada da família à cidade, vinda da Fazenda dos Ilhéus, nos Campos de Cima da Serra.

Era o período em que a jovem, recém saída do Curso Técnico de Contabilidade do Colégio São Carlos, auxiliava o pai nas finanças do restaurante mantido na Av. Júlio, ao lado do Cine Central. “Forte” em Matemática, “Laine” intercalava a função de braço direito de seu Nico com o início de uma prática que faria dela uma das professoras mais famosas da cidade: as aulas particulares ministradas no antigo casarão da Marechal Floriano.

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Conforme relata a sobrinha Daniela Amoretti Finkler, o início dessa trajetória surgiu meio por acaso. Naqueles primórdios dos anos 1950, dona Eunyce Amoretti Zanoni, prima de Laine e também professora particular, obteve aprovação em um concurso estadual. Os alunos de Eunyce foram, então, sendo “repassados” à prima, que encontrou ali mais uma fonte de renda para manter-se e ajudar nas despesas da casa.

A continuação dessa história é bastante conhecida: pelos 40 anos seguintes, dona Gislaine auxiliou no “reforço” de milhares de estudantes - e também nos exames de admissão ao Magistério da Escola Normal Duque de Caxias e na preparação de candidatos aos mais variados concursos públicos, da Receita Federal ao Banco do Brasil.

Matemática, Português, Latim, Francês, História, Geografia, enfim, todas as disciplinas das séries iniciais eram lecionadas em uma das salas frontais da residência. Um local sagrado, onde Laine mesclava a paixão por ensinar a doses de cobrança e exigência para o bom aprendizado.

- Ela costumava dizer: “Eu respeito muito o esforço que os pais de vocês estão fazendo para vocês estarem aqui” - recorda a sobrinha Daniela, referindo-se ao profissionalismo e à objetividade da tia quando algum aluno não “rendia”.

Família de Gislaine Amoretti. Na foto: Gislaine Amoretti  e a mãe, Victoria Troian Amoretti em 1971, na casa da Rua Marechal Floriano.<!-- NICAID(14600335) -->
Gislaine Amoretti e a mãe, Victoria Troian Amoretti em 1971, na casa da Rua Marechal FlorianoFoto: Acervo de família / divulgação
Anos 1960: o casarão de madeira da família na Rua Marechal Floriano, onde ocorriam as aulas particularesFoto: Acervo de família / Divulgação

Lembranças do casarão

Afilhada de dona Gislaine, Daniela Amoretti Finkler, 52 anos, conviveu bastante com a madrinha. Destaca o perfil agregador da tia e o valor que ela dava ao estudo e ao conhecimento. A própria Daniela e várias irmãs de Laine também deram aulas particulares no casarão por influência dela:

- Autodidata, sem ter feito o magistério, ela ficou famosa na cidade graças à propaganda feita pelos alunos. Também teve o reconhecimento das escolas. Era uma vocação.

Conforme Daniela, a “salinha” era bastante concorrida nos anos 1960 e 1970:

- Das 8h às 20h, às vezes em grupos de até 12 alunos. Eram duas mesas e uma estante de livros - conta.

A hospitalidade e o prazer de reunir a família eram outros traços marcantes de Gislaine.

– O casarão sempre foi ponto de encontro de tios, irmãos, primos, sobrinhos – completa.

Toda essa trajetória de carinho, cuidado e afeição pela família e amigos cessou no último sábado, dia 19, quando dona Gislaine faleceu, devido a complicações na vesícula, aos 90 anos.

As missas de sétimo dia ocorrem nesta sexta (25), na Catedral Diocesana, em dois horários, às 16h e 19h, também com transmissão pelo Facebook da Paróquia Santa Teresa.

Família de Gislaine Amoretti. Na foto: Gislaine Amoretti e a irmã Terezinha Amoretti.<!-- NICAID(14600328) -->
Gislaine e a irmã Teresinha Laís, com quem morou no lendário casarão da Marechal FlorianoFoto: Acervo de família / divulgação

Em família

Nas sequência de fotos abaixo, alguns momentos das confraternizações em família. Na primeira, dona Gislaine comandando a ceia de Natal em 2015. Ao lado dela está a sobrinha Tamara Maffei e as irmãs Ivanizi, Marina e Teresinha.

Na foto seguinte, os 10 irmãos reunidos no aniversário de 50 anos de Natal José Amoretti, em 25 de dezembro de 1986. Em pé, da esquerda para a direita, estão Arnaldo, Rogério, Gislaine, Marina Iracema, Ivanizi, Sérgio e Natal. Sentados, Mario Alberto, dona Victória (mãe) e Teresinha.

Por fim, um registro do aniversário de 90 anos de dona Gislaine, em 2019. De pé, da esquerda para a direita, estão as sobrinhas Helena Amoretti, Virgínia Amoretti do Nascimento, o sobrinho neto Thiago Amoretti Finkler e a sobrinha Patrícia Amoretti. Sentados, a sobrinha Daniela Amoretti Finkler, a irmã Teresinha Amoretti, Gislaine e a sobrinha neta Cecília Amoretti do Nascimento.

Família de Gislaine Amoretti. Na foto: Gislaine Amoretti comandando a ceia de Natal em 2015 . Ao lado a sobrinha Tamara Maffei  e as irmãs Ivanizi, Marina e Teresinha<!-- NICAID(14600333) -->
Gislaine comandando a ceia de Natal em 2015, com a sobrinha Tamara Maffei e as irmãs Ivanizi, Marina e Teresinha (à direita)Foto: Acervo de família / divulgação
Família de Gislaine Amoretti. Na foto: Os 10 irmãos reunidos no aniversário de 50 anos de Natal José Amoretti  em 25 de dezembro de 1986. Em pé da esquerda para a direita: Arnaldo, Rogério, Gislaine, Marina Iracema, Ivanizi, Sérgio e Natal. Sentados Mario Alberto, D. Victória(mãe) e Teresinha<!-- NICAID(14600332) -->
Em 1986: a matriarca Victória e os 10 irmãos (Arnaldo, Rogério, Gislaine, Marina, Iracema, Ivanizi, Sérgio, Natal, Mário e Teresinha)Foto: Acervo de família / divulgação
Família de Gislaine Amoretti. Na foto:Em 2019, no dia do aniversário de 90 anos de Gislaine Amoretti. De pé da esquerda para a direita: as sobrinhas Helena Amoretti,  Virgínia Amoretti do Nascimento, o sobrinho neto Thiago Amoretti Finkler e a sobrinha Patrícia Amoretti.  Sentados: sobrinha Daniela Amoretti Finkler, a irmã Teresinha Amoretti,   Gislaine e a sobrinha neta Cecília Amoretti do Nascimento<!-- NICAID(14600334) -->
Os 90 anos em 2019: Gislaine, a irmã Teresinha, as sobrinhas Daniela, Helena, Virgínia e Patrícia, e os sobrinhos-netos Thiago e CecíliaFoto: Acervo de família / divulgação

Caxias e torta de nozes

Torcedora do Caxias desde os tempos do Grêmio Esportivo Flamengo e da Baixada Rubra, dona Gislaine também era mestra na cozinha. E uma de suas especialidades era a famosa torta de nozes, uma das iguarias obrigatórias nas festas de Natal. Tudo vinha, logicamente, da nogueira de quase 80 anos existente no “lote” dos fundos da casa:

- Tia Laine colhia, quebrava, descascava, picava. Ela gostava de cozinhar e demonstrava seu carinho pelas pessoas através de uma mesa farta e bonita - conta a sobrinha Daniela.

À esquerda, Gislaine Amoretti e a irmã Iracema nos anos 1950. Ao centro, Gislaine Amoretti com a irmã Marina em 1974. À direita, Dona Gislaine em 1984Foto: Montagem sobre as fotos de acervo de família / Divulgação

Em livro

A trajetória da família Amoretti e a história do icônico casarão da Rua Marechal Floriano estão eternizadas na publicação “Resgatando o Passado”, escrita por dona Ivanizi Maria Amoretti Sartori, irmã de dona Gislaine.

O livro, lançado no final do ano passado, também motivou uma reportagem especial da revista Almanaque, publicada em 3 de janeiro de 2020. À época, ex-alunos se manifestaram:

:: Estudei com ela para entrar no Magistério. Era como um cursinho particular. Bons tempos, saudades. (Sandra Jussara Lopes Andreola)

:: Eu e minha prima Vera Maria Argenta tivemos aulas particulares de Matemática com a professora Gislaine. Só ela para domar as duas pestes. Isso foi em 1965. Lembro de sair da aula em uma fria tarde de agosto e no caminho para casa começar a nevar. Era a nevasca de 1965. (Alexandre Arioli)

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