"Como médico estava confiante, mas como filho tive medo", diz filho de mulher em tratamento conta o coronavírus em Caxias - Geral - Pioneiro

Versão mobile

 
 

Pandemia 21/04/2020 | 11h22Atualizada em 21/04/2020 | 11h36

"Como médico estava confiante, mas como filho tive medo", diz filho de mulher em tratamento conta o coronavírus em Caxias

Adriana Aecker saiu da UTI na segunda-feira após 17 dias

"Como médico estava confiante, mas como filho tive medo", diz filho de mulher em tratamento conta o coronavírus em Caxias Unimed Nordeste / Divulgação/Divulgação
Adriana Aecker saiu da UTI na segunda-feira após 17 dias Foto: Unimed Nordeste / Divulgação / Divulgação

Depois de 17 dias de apreensão, a família de Adriana Aecker, 48 anos, se sente mais aliviada com a saída dela da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital da Unimed, em Caxias do Sul. A gerente-geral do complexo hospitalar está em tratamento contra o coronavírus e, na segunda-feira (20), foi transferida para um leito de internação. No trajeto para o novo local, foi aplaudida pelos colegas.

Leia mais
VÍDEO: paciente em tratamento contra o coronavírus é aplaudida ao sair da UTI de hospital de Caxias

Filho único de Adriana, o médico Thales Aecker, 25, conta que, até então, falava com a mãe somente por chamadas de vídeo, mas na manhã desta terça-feira (21) já se preparava para vir de Novo Hamburgo a Caxias.

- Perdi meu pai há muitos anos, claro que fiquei apreensivo e angustiado. Como médico estava confiante, mas como filho tive medo pela minha mãe. Por um lado, a parte técnica me deixou tranquilo. Contatava a equipe e conversava sempre com o médico dela e isso me deixava seguro. Agradeço a equipe que cuidou dela e deixou toda a nossa família tranquila  -  diz, emocionado, afirmando ainda que não sabe como a mãe pode ter se contaminado com o coronavírus. 

Adriana foi internada no dia 3 de abril, mas foi diagnosticada com a covid-19 nove dias antes. O filho conta que, no começo, os sintomas eram leves e que ficou em isolamento domiciliar com orientações médicas.

- Ela começou com um quadro gripal leve. Em uma semana, evoluiu para tosse seca, que permaneceu alguns dias. Na sequëncia ela começou a ter falta de ar. Foi quando ela procurou o hospital para avaliar o quadro. Os exames confirmaram danos ao pulmão. A tosse associada com a falta de ar evoluiu muito rápido, em 24h. Poucas horas depois da internação ela já estava na UTI e entubada  -  afirma Aecker.

O pneumologista intensivista da Unimed, Marcelo Zanchetin, acompanhou o caso de Adriana.  

- Depois dos exames, logo ela foi levada para UTI e entubada pela necessidade de ventilação mecânica. Ela também precisou de hemodiálise porque teve alterações renais -  conta Zanchetin.

Ele explica que o fato de Adriana não ter problemas de saúde foi essencial para a recuperação:

- O caso da Adriana evoluiu rapidamente, mas como ela é jovem e saudável, conseguiu se recuperar. O agravamento foi rápido e severo, tanto que ela precisou ser entubada logo que buscou atendimento. Em casos de falta de ar severa é preciso suporte respiratório, e o sistema de defesa tem que começar a reagir. No caso da Adriana, ela é jovem e não tem doenças associadas, então o sistema imunológico reagiu. O vírus é combatido quando o nosso sistema de defesa passa a se proteger. 

O quadro de Adriana começou a melhorar somente na última semana, de acordo com o médico.

- Com a recuperação do próprio sistema imunológico, ela não precisou mais da hemodiálise. Os rins voltaram a funcionar e ela foi evoluindo. No sábado (18) foi tirado o tubo porque ela não precisava mais de auxílio para respirar. Ela deve ter alta em breve, mas como teve uma evolução mais grave, deverá manter o isolamento em casa por pelos menos mais duas semanas -  ressalta. 

Leia também
Confira a dica do Iotti para se manter bem durante o distanciamento social
Transporte coletivo será retomado na quarta-feira em Carlos Barbosa
Pequenas empresas de turismo e eventos já fecharam as portas em Caxias

 
 
 

Veja também

 
Pioneiro
Busca
Imprimir
clicRBS
Nova busca - outros