Vizinhos de casarão incendiado lembram com saudades de personagem icônico do bairro Rio Branco, em Caxias do Sul - Geral - Pioneiro

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Fogo em imóvel histórico - parte 206/07/2018 | 18h45Atualizada em 09/07/2018 | 13h54

Vizinhos de casarão incendiado lembram com saudades de personagem icônico do bairro Rio Branco, em Caxias do Sul

Antônio Sérgio Borges da Silva, o Cabreira, teria ficado sob os escombros

Vizinhos de casarão incendiado lembram com saudades de personagem icônico do bairro Rio Branco, em Caxias do Sul Bruno Zulian/Divulgação
Todos os dias, Cabreira era visto tomando chimarrão no trevo da esquina da Avenida Rio Branco com a Rua Olavo Bilac, ao lado de seu fiel companheiro, o cão Max. Foto: Bruno Zulian / Divulgação

Leia aqui a primeira parte desta reportagem
Leia aqui a terceira parte desta reportagem

Ao lado do casarão incendiado no bairro Rio Branco, em Caxias do Sul, fica a barbearia de Renato Valdir Hofmeister, 58 anos. Ele não estava na cidade quando o fogo tomou o prédio na noite de 27 de maio. Ele mora em Bento Gonçalves. Na manhã da última quarta-feira (4), ele se emocionou ao lembrar de Antônio Sérgio Borges da Silva, o Cabreira, 75, que acredita ser a vítima fatal do incêndio. O corpo encontrado carbonizado sob os escombros do imóvel ainda não foi identificado. 

— Ele era tão bacana, faceiro. Naquele sábado, passou a manhã e a tarde aqui conosco e, no domingo, acontece isso — lembrou com a voz embargada.

O barbeiro também acredita que o cão Max, fiel companheiro de Cabreira, tenha morrido com o dono. Conforme relatos, na tarde do domingo, dia do incêndio, Cabreira foi a um baile da terceira idade. Teria retornado, trocado algumas palavras com os vizinhos e ido se deitar. Os moradores acreditam que ele pode ter tido dificuldade em ouvir os alertas sobre o fogo, já que tinha um pouco de dificuldade auditiva.

— Para nós, ficou um luto enorme, porque ele era muito presente. Era o faz tudo da rua — comentou a empresária Sabrina Mandelli, 36.

Um dos sobreviventes do incêndio, o auxiliar de construção civil Jorge Ronaldo Córdoba Borges, 49, foi uma das últimas pessoas a conversar com Cabreira naquele dia. À reportagem, Borges contou que estava na cozinha da pensão, que ficava no segundo andar, quando Cabreira chegou:

— Ele chegou e disse "adeus" para mim e disse: "Bom, meu amigo, vou descansar que a festa estava boa" e subiu...

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Imóvel seria desocupado até o final deste ano

A família Casara, dona do casarão e de outras três propriedades vizinhos aguarda a liberação do local onde houve o incêndio por parte da Polícia Civil para dar um destino aos imóveis. Enquanto isso, escombros permanecem amontoados no terreno. A limpeza também não é permitida até a conclusão da investigação. O casarão não era segurado. 

Segundo um dos proprietários, Emery Pedro Casara Júnior, a desocupação dos imóveis já vinha sendo tratada com os locatários, que deveriam deixar os locais até o final deste ano. Segundo Casara, a ideia era tornar o casarão, que era tombado como patrimônio histórico, um local de visitação.

Assim que o local for liberado pela polícia, a família vai decidir o que fazer com as casas vizinhas. Pelo menos duas delas, as lindeiras, apresentam danos na estrutura. Uma que funciona como pensão tem avarias externas no telhado. Na barbearia, os vidros de uma báscula estouraram e, no canto superior da peça, na parte mais atingida pelo fogo, exatamente acima de uma imagem de Nossa Senhora, as tábuas que formam as paredes internas racharam.

O locatário do casarão, Renato Rissi, também está tentando recomeçar:

— Aluguei uma sala na Sinimbu, estou comprando as coisas e tentando abrir novamente. Com calma, vamos ver se conseguimos.

 
 
 

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