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Manifestação02/07/2018 | 10h41Atualizada em 02/07/2018 | 11h20

Merendeiras protestam contra mudança em benefício de alimentação em Caxias

Empresa comunicou na sexta-feira que deixaria de repassar valor e que trabalhadoras passariam a receber marmita

Merendeiras protestam contra mudança em benefício de alimentação em Caxias Diogo Sallaberry/Agencia RBS
Merendeiras reclamam há anos de má gestão de empresa contratante. Na foto, Rosicler Maciel, 41 anos, Maria Teresa da Silva, 55 anos, e Elizabete Braga, 45 anos. Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS
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Cerca de 40 merendeiras protestaram na manhã desta segunda-feira em frente à sede da Secretaria Municipal da Educação (SMED) de Caxias do Sul. A manifestação iniciou por volta das 7h30min e ocorreu em resposta à recente comunicado de que teriam o direito de vale-alimentação substituído por marmitas diárias a partir desta segunda-feira. Até então, as trabalhadoras recebiam o benefício depositado no cartão ao valor de R$ 16 ao dia.

— Vai fazer um mês que a gente está com essa empresa e já estamos decepcionadas. Com a outra foi a mesma coisa. Desde 2015 estamos nos estressando — Janete Bos, merendeira há 13 anos.

 CAXIAS DO SUL, RS, BRASIL, 02/07/2018. Merendeiras de Caxias do Sul protestam em frente à Secretaria Municipal de Educação, a Smed, contra mudanças causadas pela troca de empresa responsável pelo serviço no município. Entre as reclamações, está a mudança do vale refeição por viandas fornecidas pela empresa. (Diogo Sallaberry/Agência RBS)
Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

— Com a antiga empresa não recebemos acerto e sempre tínhamos que protestar porque não éramos pagas. Agora, entramos no golpe da outra (empresa). Trabalho mais de oito horas por dia, mil reais e uma marmita é inaceitável, não é justo com a gente.  — protesta.

E acrescenta:

— Como vou chegar em casa e dar a comida para os meus filhos? Com vale-alimentação eu fazia rancho. Muitas das minhas colegas têm marido para ajudar, mas as que pagam aluguel e compram coisas para os filhos, como vão conseguir se virar? — Suzane da Silva Nunes.

Já a merendeira Rosicler Maciel admite que houve pressa na assinatura do  contrato com a empresa. Ainda assim, ela afirma que nunca houve transparência no processo:

— Tudo foi assinado com pressa. Tudo em grupo, não recebemos cópia do contrato. Fomos inocentes para nos livrar da outra empresa. O prefeito e a secretária foram nos visitar e prometeram que tudo ia melhorar. Não é o que está acontecendo — salienta.

De acordo com o presidente  do Sindicato dos Trabalhadores em Limpeza e Conservação (Sindilimp), Henrique Silva, há um acordo convencionado que permite substituir o valor de vale-alimentação em comida preparada. Porém, a refeição não pode ser menor do que os R$ 16.

— Para a empresa não compensa pagar o valor da marmita, porque o custo vai ser maior, pois ela teria que fornecer marmita por R$ 16 e gastar mais em logística e entrega — comenta o sindicalista.

 CAXIAS DO SUL, RS, BRASIL, 02/07/2018. Merendeiras de Caxias do Sul protestam em frente à Secretaria Municipal de Educação, a Smed, contra mudanças causadas pela troca de empresa responsável pelo serviço no município. Entre as reclamações, está a mudança do vale refeição por viandas fornecidas pela empresa. (Diogo Sallaberry/Agência RBS)
Presidente do Sindilimp, Henrique Silva, explica situação para merendeirasFoto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

Segundo ele, no entanto, para concorrer à licitação que definiu a gestora das merendeiras, a empresa vencedora propôs menor preço e não incluiu valores previstos para insalubridade. Esse, conforme Henrique Silva, teria sido o motivo da nova proposta de benefício alimentício apresentada.

— O que a empresa fez: reduziu valor para ganhar licitação e não incluiu insalubridade. Agora, como não podem pagar valor exato dela (da insalubridade), estão tentando mexer no auxílio-alimentação. A empresa foi até o sindicato e queria pagar valor do auxílio-alimentação menor do que o previsto. Neguei, afinal, a convenção definiu que são R$ 16 — ressalta.

O movimento foi encerrado por volta das 10h com a promessa de uma reunião na próxima quinta-feira, quando representantes da empresa, que tem sede administrativa em São Paulo, virão a Caxias.

O Pioneiro procurou representação da Secretaria de Educação para esclarecer a situação, porém, a reportagem foi informada de que não havia ninguém para atender antes das 14h30min. 

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