Sindicato do setor metalmecânico calcula prejuízo de R$ 3,5 milhões por falta de ônibus em Caxias do Sul - Geral - Pioneiro

Greve no transporte coletivo20/03/2017 | 16h39Atualizada em 20/03/2017 | 16h41

Sindicato do setor metalmecânico calcula prejuízo de R$ 3,5 milhões por falta de ônibus em Caxias do Sul

Indústria, comércio e serviços improvisam para enfrentar a greve dos rodoviários

Sindicato do setor metalmecânico calcula prejuízo de R$ 3,5 milhões por falta de ônibus em Caxias do Sul Marcelo Casagrande/Agencia RBS
Vânia ganhou carona do chefe Rafael no bairro Cinquentenário Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS
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O Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico (Simecs) já tem uma estimativa do prejuízo causado com a paralisação do transporte coletivo em Caxias do Sul

O levantamento aponta que pelo menos R$ 3,5 milhões deixaram de ser faturados apenas com os 30 minutos de atraso, em média, no início da jornada dos trabalhadores do setor metalmecânico na manhã desta segunda-feira. O montante pode ser maior, pois a pesquisa do Simecs foi por amostragem.

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Conforme o diretor-executivo da entidade, Odacir Conte, empresas de pequeno, médio e grande porte informaram que os funcionários que dependem dos ônibus da Visate tiveram dificuldade para cumprir o horário. Juntas, essas fábricas avaliadas absorvem cerca de 40% da mão de obra dos metalúrgicos na cidade. A Agrale, que emprega cera de 1,2 mil pessoas, não havia registrado a entrada de quase 20% do quadro funcional até as 8h — a jornada começa às 7h30min, conforme o Simecs.

— De forma genérica, houve atrasos que chegaram a 30 minutos, em média. Houve também funcionários que não compareceram porque moram longe do trabalho. Ainda assim, podia ter sido pior não houvesse um preparo das empresas e de seus funcionários — pondera Conte.

O preparo citado pelo empresário envolveu a contratação de ônibus fretados, um custo a mais na conta das empresas, e a solidariedade entre colegas que ofereceram caronas. Para calcular o prejuízo, o Simecs se baseou no faturamento médio mensal de R$ 1,5 bilhão do setor dividido por 22 dias úteis no mês. Diariamente, o setor fatura, em média, 68,2 milhões. O Simecs estima que 5% desse valor deixou de ser arrecadado com o atraso no início da jornada nas fábricas, o que compromete o andamento da produção e, consequemente, a entrega de pedidos.

— Nessa retomada lenta da economia, essas paradas são prejudiciais. Se não entrega o pedido, já incorre o prejuízo. Causa estranheza a determinação do judiciário ao expedir uma liminar que estabelece R$ 5 mil de multa pelo não cumprimento da exigência de ter 70% do transporte nas ruas. Essa pena é extremamente ridícula e deixa toda a população à mercê — critica Conte.

Movimento começou tímido no comércio

As empresas ligadas ao Sindicato do Comércio Varejista de Caxias do Sul (Sindilojas) também confirmaram atrasos de funcionários, mas nada que tenha complicado o atendimento ao público. Contudo, lojistas informaram ao sindicato que o movimento caiu cerca de 40% entre 9h, horário de abertura do comércio, e 10h30min. O segmento absorve 20 mil trabalhadores.

Para a vice-presidente do Sindilojas, Idalice Manchini, mesmo se a greve persistir, a terça-feira será mais tranquila. Muitos comerciários pegaram carona com colegas, usaram táxi ou Uber, por exemplo. Conforme a entidade, alguns empreendedores estão dando subsídios para essas corridas.

— Todos já estarão mais preparados para carona e outros meios amanhã (terça-feira). Os associados estão orientados neste sentido — diz Idalice.

Hospital contratou duas empresas de transporte

No setor de serviços, especialmente na área da saúde, a saída tem sido optar pelo fretamento. O Hospital Pompéia, o maior da Serra, contratou duas empresas de transporte para buscar e levar cerca de 900 funcionários dos três turnos já a partir desta terça-feira. O roteiro começará por Forqueta, Serrano e Loteamento Brandalise. Nesta segunda-feira, a instituição deslocou carros para trazer 10 trabalhadores. Os demais chegaram por meios próprios.

— Houve atrasos, mas a equipe está comprometida para garantir o atendimento. Enquanto os colegas não chegavam, quem estava para sair ficou no aguardo — revela a superintendente administrativa do Pompéia, Daniele Meneguzzi.

O dono da Casa de Repouso Novos Horizontes, no Cinquentenário, saiu de casa mais cedo para transportar os funcionários responsáveis pelos cuidados de idosos. Uma outra colaboradora da casa preferiu caminhar cerca de três quilômetros.

— Já imaginava que seria puxado nesta semana. Busquei a nossa cozinheira no Diamantino e uma cuidadora em Ana Rech e vou levá-las de volta. Apesar disso, quando tomamos uma atitude dessas, corremos riscos de estar na rua. A corda sempre estoura no lado mais fraco — lamenta Rafael Klein.

 

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