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Memória28/01/2020 | 07h00Atualizada em 28/01/2020 | 07h00

Eberle: o terraço de onde se captava a cidade

Ponto mais alto da cidade até os anos 1950, ultimo pavimento da metalúrgica era buscado por fotógrafos para registros da Praça Dante e de seu entorno 

Eberle: o terraço de onde se captava a cidade Studio Geremia / Acervo pessoal de Francisco Michielin, divulgação/Acervo pessoal de Francisco Michielin, divulgação
Registro do Studio Geremia a partir do terraço eternizou a multidão que compareceu ao Congresso Eucarístico, no Largo da Sinimbu, em 1948 Foto: Studio Geremia / Acervo pessoal de Francisco Michielin, divulgação / Acervo pessoal de Francisco Michielin, divulgação

Até meados de 1950, quando o prédio da Metalúrgica Abramo Eberle ainda era o edifício mais alto do Centro, todo e qualquer registro que necessitasse de uma visão panorâmica da Praça Dante Alighieri e do Largo da Catedral Diocesana – sem se recorrer aos monomotores do Aeroclube – era feito lá de cima. 

"Sempre imaginei o Pátio Eberle como um espaço democrático e urbano, diz dono da empresa responsável pelo espaço"

Não foi diferente entre os dias 6 e 9 de maio de 1948, quando Caxias do Sul parou para acompanhar a programação daquele que é considerado o maior encontro religioso realizado até hoje na área central: o Congresso Eucarístico Diocesano. 

Tendo à frente da Diocese o bispo Dom José Barea, a cidade recebeu milhares de fiéis da região e dezenas de sacerdotes, além de vários bispos do Estado. Entre as atividades, a comunhão de cerca de 12 mil crianças na manhã do dia 6 e a procissão de Nossa Senhora de Caravaggio. O destaque foi o cortejo de automóveis que acompanhou o translado da santa desde o santuário de Farroupilha até a Matriz de Santa Teresa, onde a imagem permaneceu por algumas semanas.

Na imagem acima, captada pelo Studio Geremia, vemos algumas das edificações que ficaram também apenas na lembrança, como o casarão de madeira da família Pezzi (atual Edifício Dona Ercília, na esquina da Sinimbu com a Marquês do Herval), o antigo prédio da Biblioteca Pública Municipal e da Escola de Belas Artes (Casa da Cultura) e o palacete do Banco Nacional do Comércio (na esquina da Júlio com a Dr. Montaury, demolido no final da década de 1960 para ceder lugar ao Edifício Solaris). 

O registro integra o acervo do médico e escritor Francisco Michielin, que também escreveu a respeito (abaixo).  

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O Congresso Eucarístico de 1948

"A cidade lotou. Seus hoteis não deram conta dos peregrinos, de forma que eles tiveram de ser abrigados em casas de famílias-voluntárias. O grande pórtico de madeira encimado por uma cruz com dísticos católicos enaltecia a devoção e a fé. A praça encheu-se de pessoas. Num de seus contornos (à direta), pode-se visualizar o casarão de esquina da Óptica Comandulli e que ainda se encontra por lá, em seu devido lugar. Repare-se, do outro lado, a imponente edificação do antigo Banco Nacional do Comércio, que jamais deveria ter sido demolido. A seguir, o local onde situa-se a Casa da Cultura. E por trás de tudo, mais ao fundo, um casario baixo, sendo o mais alto o do Hospital Pompéia. E pouca coisa mais, entre as quais, na última linha de visualização, um série de construções brancacentas e que estava longe de ser destinada ao seres vivos. Imagine-se que o Cemitério Público Municipal podia ser facilmente avistado, a olho nu, como uma fortaleza à espera dos cristãos. Por isso, rezar adquiria uma importância fundamental..." (Francisco Michielin)

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Registro do Studio Geremia a partir do terraço eternizou a multidão que compareceu ao Congresso Eucarístico, no Largo da Sinimbu, em 1948Foto: Studio Geremia / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação
Outro registro a partir do terraço, desta vez de um bucólico centro, em 1948Foto: Studio Geremia / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação
Outro ângulo captado a partir do terraço do Eberle, desta vez do Colégio Nossa Sennhora do Carmo, na Rua Os Dezoito do Forte, em 1948Foto: Studio Geremia / Acervo pessoal de Gilberto Marchioro, divulgação

A Rua Os Dezoito do Forte

Acima, outro ângulo captado a partir do terraço do Eberle, desta vez do Colégio Nossa Sennhora do Carmo, na Rua Os Dezoito do Forte, também em 1948. Foi 25 anos antes do surgimento da Garagem Alfa , na Rua Marquês do Herval, e dos prédios que substituíram as casas de madeira em primeiro plano.

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Sequência em 1950

Abaixo, três registros do desfile da Festa da Uva de 1950,  quando o cortejo pela Júlio atraiu milhares ao entorno da praça – tudo captado a partir do icônico terraço, lógico.  

Memórias na vertical: as curiosidades dos antigos prédios de Caxias do Sul 

A Praça Rui Barbosa e o entorno captados a partir do terraço do Eberle durante o desfile da Festa da Uva de 1950Foto: Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami / divulgação
A Praça Rui Barbosa e o entorno captados a partir do terraço do Eberle durante o desfile da Festa da Uva de 1950Foto: Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami / divulgação
A Praça Dante e um pedacinho da icônica "casinha" de madeira (à direita) no terraço, que reproduz a primeira funilaria de Abramo EberleFoto: Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami / divulgação

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