Santa Lúcia do Piaí: Dom Ambrósio Andreazza em 1947 - Cidades - Pioneiro

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Memória03/07/2019 | 09h32Atualizada em 03/07/2019 | 09h38

Santa Lúcia do Piaí: Dom Ambrósio Andreazza em 1947

Religioso formou-se pela Ordem dos Monges Camaldulenses e faleceu em um acidente de trânsito há 72 anos

Santa Lúcia do Piaí: Dom Ambrósio Andreazza em 1947 Acervo de Nuely Communello / divulgação/divulgação
Frei Ambrósio Andreazza entre a mãe, Júlia Richetti Andreazza, e o prefeito Dante Marcucci defronte à Igreja de Santa Lúcia, em 1947 Foto: Acervo de Nuely Communello / divulgação / divulgação

Dando sequência à coluna sobre a Ordem dos Monges Camaldulenses na região, destacamos hoje a trajetória de Miguel Andreazza, ou melhor, Dom Ambrosio Maria Andreazza. Ele foi único a ingressar e formar-se como sacerdote na congregação, indo embora para o monastério da Itália com os padres, em 1926.

Filho do casal de pioneiros Francisco e Julia Richetti Andreazza, o religioso nasceu  em 17 de outubro de 1907 e concluiu sua formação sacerdotal na Europa, rezando sua primeira missa em 10 de julho de 1932. A partir daí, mesclou uma série de idas e vindas ao Brasil, para visitar os pais em Santa Lúcia do Piaí. 

Conforme o pesquisador Éder Dall'Agnol dos Santos, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), a mãe, dona Júlia Richetti Andreazza, não obteve mais notícias do filho. Somente após o término do conflito, Ambrósio mandou outra carta à progenitora, solicitando recursos para ir visitá-la. 

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Frei Ambrósio, a mãe Júlia e o cunhado João Communello (de chapéu) durante a recepção em Santa Lúcia do PiaíFoto: Acervo pessoal de Neli Communello Cavalli / divulgação

Retorno e morte

Dom Ambrósio chegou a Santa Lúcia em 11 de outubro de 1947 e foi recebido com grande festa (fotos acima). Organizada pela mãe e por moradores da comunidade, a recepção reuniu cerca de de 200 pessoas durante um almoço no salão paroquial — entre as autoridades esteve presente também o prefeito Dante Marcucci.

Dois dias depois, porém, um acidente enlutou a vila. No dia 13, Dom Ambrósio saiu de Santa Lúcia para Caxias, com destino a Porto Alegre, para tratar de assuntos relacionados à fundação de uma nova casa da ordem dos cônegos. 

Ele embarcou juntamente com outros 12 passageiros no ônibus da empresa de Egydio Costa, que fazia a Linha Santa Lúcia-Caxias. Nas proximidades do Rio Piaí, o motorista perdeu o controle do veículo e avançou em direção a um perau. Dom Ambrósio foi a única vítima fatal do acidente. Ele tinha apenas 39 anos. 

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Foto: Acervo pessoal / divulgação

Comoção na vila

A morte de Dom Ambrósio gerou grande comoção no distrito. Pela missa de corpo presente, realizada na manhã do dia 14 de outubro, passaram os padres Eugenio Giordani (pároco de São Pelegrino) e Angelo Tronca (representando o Bispo Diocesano Dom José Barea), além do pároco local de Santa Lúcia, Reverendo João Marchesi. 

Dom Ambrósio foi sepultado no mausoléu da família Andreazza, no atual cemitério de Santa Lúcia do Piaí, onde ainda é muito visitado pela comunidade. 

Obituário publicado no jornal Correio Riograndense da época (foto acima) destacou a missão do padre:

"Hoje ele descansa no cemitério de Santa Lúcia. Do silêncio de sua sepultura, continua seu apostolado, pregando-nos com o exemplo de seus feitos que perduram ainda: Mortuus, adhuc loquitur" (ele continua falando).

Os passageiros

Sobreviveram ao acidente os outros 12 passageiros: Giordano Binotti, Roberto Troian e esposa, Gastão Bolivar, Atílio Frizzo, Anna Bertoldi Costa, Olivio Ferrasso, o motorista, a esposa e mais três crianças.

Parceria

Informações desta página são uma colaboração do historiador Éder Dall’Agnol dos Santos.  Moradores do distrito de Santa Lúcia do Piaí que tenham  interesse em colaborar com fotos e dados sobre suas famílias podem entrar em contato pelo e-mail ederdallagnol89@gmail.com ou fone/whats (54) 98449.9186. 

O trabalho em breve deverá ser transformado em livro. 

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