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Saúde26/09/2018 | 19h15Atualizada em 27/09/2018 | 15h28

Vacinas contra meningite seguem em falta na Serra

Desde julho, Ministério da Saúde tem repassado menos doses ao Estado do que o necessário

Vacinas contra meningite seguem em falta na Serra Divulgação/Divulgação
Foto: Divulgação / Divulgação

Está difícil vacinar as crianças contra a meningite pelo Sistema Público de Saúde (SUS) na Serra. As doses da meningocócica C estão em falta na região desde julho, quando o Ministério da Saúde (MS) informou que houve atrasos na entrega pelo laboratório produtor, a Fundação Ezequiel Dias (Funed), de Minas Gerais. A normalização dos estoques da vacina era prevista para o mês de agosto, com chegada aos postos de saúde em setembro, o que não se concretizou. 

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A continuidade do problema preocupa as famílias, já que a imunização é prevista no calendário de vacinação aos três e aos cinco meses de idade. A meningite meningocócica é uma infecção das membranas do sistema nervoso causada por uma bactéria. A condição provoca febre, dor de cabeça e vômitos, entre outros sintomas, cujas complicações podem até levar a morte. 

Para piorar, não há perspectiva de solução do problema: de acordo com a Secretaria Municipal da Saúde, Caxias do Sul recebeu em setembro 800 doses, metade do número previsto para a cidade. Em outubro, a expectativa é que o repasse seja igual. A orientação é que os pais liguem para a unidade básica de saúde (UBS) de referência no início do próximo mês para confirmar se as doses chegaram. 

Conforme a Secretaria Estadual da Saúde, em setembro o Rio Grande do Sul recebeu 80% da cota mensal estadual para a vacina meningocócica C. Segundo Patrícia Machado, responsável pela Vigilância Epidemiológica da  5ª Coordenadoria Regional de Saúde (CRS),  um informe do MS recebido na última sexta-feira, em outubro os estados receberão 50% da cota normal da vacina. 

A meningocócica C deve ser administrada aos três meses e aos cinco meses de idade, com reforço aos 12 meses. Para crianças que não receberam o reforço, a dose pode ser administrada até os quatro anos de idade. Os adolescentes entre 11 e 14 anos também deve ser vacinados, com dose única que serve também como reforço.

Por meio de nota, o Ministério da Saúde afirma que a distribuição da vacina "esta sendo normalizada" e que já distribuiu 297 mil doses para o estado do Rio Grande do Sul neste ano. O MS diz ainda que entrou em contato com a Organização Pan-americana de Saúde (Opas) para tentar adquirir a vacina de um produtor internacional, mas foi informado que "não há outro laboratório com capacidade de produção para atender a demanda do Brasil".

"As crianças estão suscetíveis à doença", avisa pediatra

De acordo com o pediatra Petrônio Oliveira Filho, a falta da meningocócica C é grave, mas não é motivo para pânico. Professor Universidade de Caxias do Sul e  mestre em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo (USP), Oliveira explica que a vacina previne contra o tipo mais frequente de meningite meningocócica, por isso foi incluído no calendário de vacinação. 

Segundo ele, a doença é mais comum em crianças de até três anos e costuma aparecer no inverno.

— Agora, nós já estamos saindo da fase de maior risco, que é geralmente no inverno. Agora se, está faltando doses, as crianças que não fizeram a vacina estão suscetíveis à doença. O risco diminuiu, mas continua existindo. Se houver uma epidemia, e a doença tem essa característica, de aparecer periodicamente em surtos, aumenta o risco das crianças — alerta. 

No entanto, não é preciso se preocupar em perder o tempo de vacinação previsto. O importante é colocar o calendário em dia quando possível, conforme o especialista. 

— O SUS busca vacinar o maior número de pessoas possível com o dinheiro que tem. Isso realmente dá resultado, quando se consegue imunizar todo o grupo de crianças dessa faixa etária. Não tem problema de fazer (a vacina) depois. Assim que houver, os pais devem procurar para vacinar. 

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