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Viticultura22/07/2019 | 07h00Atualizada em 22/07/2019 | 07h00

Do suco judaico ao biodinâmico: vinícolas da Serra apostam em novos segmentos de mercado

Ainda que produção seja pequena atualmente, empresas veem possibilidade de crescimento da demanda por produtos de nichos

Do suco judaico ao biodinâmico: vinícolas da Serra apostam em novos segmentos de mercado Augusto Tomasi/Divulgação
Garibaldi colocou suco biodinâmico no mercado neste ano Foto: Augusto Tomasi / Divulgação

Na esteira do aumento constante do consumo de suco de uva no país, algumas vinícolas decidiram apostar em novos nichos de mercado nos últimos anos. Desta maneira, começaram a ganhar espaço versões da bebida biodinâmicas e com uvas viníferas, além de rótulos feitos com motivação religiosa. A elaboração destes produtos, na maioria das empresas, ainda é reduzida, mas encarada com potencial para crescimento a longo prazo. 

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Com fabricação de sucos orgânicos desde o início dos anos 2000, a cooperativa Garibaldi, de Garibaldi, decidiu ir um passo além. A empresa lançou, no início deste ano, o primeiro suco biodinâmico do país. Assim como a produção orgânica, a biodinâmica também abole o uso de químicos no cultivo das uvas. A técnica ainda leva em consideração a interação do ser humano com a terra e o cosmo. Sendo assim, aspectos como as fases da lua, por exemplo, influenciam o momento da semeadura, da poda e da colheita da fruta. 

A Garibaldi produz cerca de 30 mil litros anuais da bebida biodinâmica. No caso dos orgânicos, o envase já chega a 500 mil litros anuais. Os volumes são modestos se comparados com o total de 11 milhões de litros de sucos que saíram da fábrica na Serra em 2018 e deixaram R$ 70 milhões em caixa. O diretor administrativo da cooperativa, Alexandre Angonese, afirma que um dos desafios é popularizar os produtos hoje tidos como de nicho.  

– O consumidor ainda não entende bem a diferença de um suco natural para um orgânico ou biodinâmico. Vemos na produção de orgânicos e biodinâmicos uma alternativa para melhorar a qualidade de vida dos nossos associados e uma maneira de associar a imagem da cooperativa à sustentabilidade – salienta. 

Dos 400 associados da cooperativa, 25 entregam uvas orgânicas e outros quatro fizeram a conversão das parreiras para efetuar o plantio biodinâmico. Segundo Angonese, a tendência é de que a produção do suco biodinâmico cresça, em média, 20% ao ano. 

Já a Casa Madeira, de Bento Gonçalves, encontrou no judaísmo a motivação para criar uma nova versão do seu suco integral. Há quatro anos, a empresa fabrica uma bebida kosher, seguindo as leis da religião. Tudo começou após um grupo de judeus ortodoxos de São Paulo visitarem a vinícola e terem feito uma proposta de parceria à marca, que pertence ao grupo Famiglia Valduga.  

O processo de fabricação do suco kosher se assemelha ao do integral tradicional. A única diferença é que um rabino e outros dois ajudantes, também judeus, participam de todas as fases de elaboração, fazendo desde a limpeza dos tanques até o acompanhamento do envase nas máquinas. Durante o período de elaboração, a vinícola é fechada apenas para os judeus. 

– A cada ano trabalhamos dois ou três dias para o suco kosher. Neste ano, fizemos 50 mil litros. É um volume que está tendo leve crescimento – explica Daniel Dalla Valle, diretor enológico do grupo Famiglia Valduga.  

Além da bebida kosher, outra aposta inusitada da Casa Madeira está na produção de sucos com uvas viníferas. A empresa possui rótulos do tipo à base de moscato e cabernet sauvignon. Neste caso, o volume envasado chega a 15 mil litros a cada ano.  

 
 
 

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