Safra da uva em Caxias do Sul merece ser comemorada - Economia - Pioneiro

Setor Vitivinícola08/04/2017 | 08h30Atualizada em 08/04/2017 | 08h30

Safra da uva em Caxias do Sul merece ser comemorada

Estimativa é de que o município encerre a colheita deste ano com 70 milhões de quilos e recupere parte das perdas da safra de 2016, que teve quebra de 60%

Safra da uva em Caxias do Sul merece ser comemorada Marcelo Casagrande/Agencia RBS
Leandro Pagliosa, da Terceira Légua, brinda à produção deste ano. Tanto da fruta como do vinho Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

A safra da uva 2017 merece ser comemorada. Após uma quebra de 65% na colheita de 2016, este ano os produtores tem muito a festejar. Embora não tenha sido recorde, a produção em Caxias deve chegar a 70 milhões de quilos – 10% da produção no Estado, que dele alcançar os 700 milhões de quilos.

Os números ainda não foram finalizados pelo Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), mas a previsão é de uma boa safra. Tanto em quantidade, como em qualidade. Por enquanto, o recorde fica com a colheita de 2011, quando o RS ultrapassou os 702 milhões de quilos.

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Caxias ocupa o terceiro lugar no ranking de produção no RS. O primeiro e segundo ficam com Bento Gonçalves e Flores da Cunha, respectivamente. Caxias tem uma área de 4 mil hectares de parreirais.

A família Pagliosa, de Caxias, comemora os bons números. Tanto na fruta quanto no vinho. Localizada na Terceira Légua, colheu este ano 150 mil quilos. Com a compra de uva de outros produtores, a produção de vinho bateu os 100 mil litros. Cerca de 5% a mais que 2015.

— Felizmente recuperamos parte da quebra (70%) da safra de 2016 — comemora o proprietário da vinícola Pagliosa, Leandro Pagliosa.

Aos 49 anos, ele cresceu vendo os pais colherem uva e fabricando vinhos. Hoje, três famílias vivem da produção dos cerca de oitos hectares de área plantados. Uma atividade que ultrapassa gerações. A filha, Letícia, 15 anos, segue os passos do pai. Está matriculada na Escola Agrícola de Caxias e pretende assumir a propriedade no futuro. O outro filho, Maurício, 12, deve seguir o mesmo caminho.

— Espero que eles preservem a tradição — diz Pagliosa.

Agora, a expectativa é que a comercialização do vinho seja boa. A vinícola só vende o vinho em garrafões de vidro, o que encarece um pouco mais o produto.

— Apostamos na qualidade. O vinho engarrafado em vidro preserva o sabor da uva — explica o vinicultor.

Segundo ele, o vinho vendido em garrafas pet (plástico) e em bags in box contém mais conservantes e reduz o sabor da bebida.

Um brinde à saúde. E à produção!


Uma safra de boa qualidade

Nas regiões mais altas do RS, as últimas uvas deste ano ainda estão sendo colhidas. Para a grande maioria dos vitivinicultores, a vindima já está praticamente encerrada e mais de 90% do volume produzido para processamento já ingressou nas vinícolas.

Segundo o Ibravin, a safra gaúcha deve contabilizar aproximadamente 700 mil toneladas. O total superou a estimativa inicial do setor, de 600 mil toneladas, e representa um aumento de 133% sobre a vindima de 2016. No ano passado, a safra registrou uma quebra histórica de quase 60%. O montante deste ano se aproxima do desempenho de 2015, quando não houve registro de interferências climáticas desfavoráveis.

— O ciclo vegetativo registrado até dezembro foi excelente. A floração, brotação das gemas, formação dos cachos foram muito bons, assim como a sanidade das uvas —, analisa João Carlos Taffarel, pesquisador da Embrapa, presidente da Associação Farroupilhense de Vinhos (Afavin) e membro do Conselho Deliberativo do Ibravin.

 Apesar do bom desempenho na fase inicial, em termos de qualidade, a safra deve ficar dentro da normalidade. Mesmo com temperaturas mais altas registradas no período de maturação e colheita, as chuvas registradas a partir da metade de dezembro diminuíram a irradiação solar, o que não favoreceu a tomada de grau dos frutos.

O diretor executivo da Federação das Cooperativas Vinícolas do Estado do Rio Grande do Sul (Fecovinho), Helio Marchioro, diz que a recuperação de volume da safra ajudou tanto os produtores de uva como os de vinho.

— O preço mínimo subiu, não sobrou uva nos vinhedos e as vinícolas equilibraram os estoques de passagem — observa o executivo.

Ano                                 Volume (milhões de quilos) 

2011...............................709,6

2012..............................696,9

2013..............................611,3

2014.............................606,1

2015............................702,9

2016...........................300,3

 
 

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