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#Diga não ao abuso14/04/2017 | 14h00Atualizada em 17/04/2017 | 10h56

Confira sinais que mostram se você está vivendo um relacionamento abusivo

Em Caxias do Sul, delegacia especializada registra entre 470 e 500 ocorrências mensais

Confira sinais que mostram se você está vivendo um relacionamento abusivo Diogo Sallaberry/Agencia RBS
Em Caxias do Sul, delegacia especializada registra entre 470 e 500 ocorrências mensais  Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS
Andrei Andrade e Maristela Scheuer Deves

andrei.andrade@pioneiro.com;maristela.deves@pioneiro.com

Se seu parceiro faz você se isolar de seus amigos ou família, tem ciúmes excessivos, não deixa você fazer nada sozinha e procura controlar o que você veste, faz ou posta nas redes sociais, cuidado: você pode estar vivendo um relacionamento abusivo, mesmo que ainda não tenha percebido.

O tema despertou debate nos últimos dias após a expulsão do participante Marcos do programa Big Brother Brasil (BBB), devido ao seu comportamento em relação a Emilly. A "sister" (que acabou ganhando o BBB) chegou a questionar a saída do namorado, e precisou ouvir das outras participantes que aquilo era para seu bem. Isso porque abuso não significa apenas agressão física:

— O que sinaliza que um relacionamento possa estar sendo abusivo é a intensidade do sofrimento que provoca, principalmente emocional, sendo que os abusos podem ser emocionais, verbais, físicos e sexuais — explica a psicóloga Anelise Rabuske.

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Ela acrescenta que ciúmes, movimentos manipuladores e de controle, chantagens, culpabilização, violência e jogos sexuais não desejados são outras características. Com isso, a pessoa fragilizada da relação (aquela que é abusada) acaba desenvolvendo sintomas de angústia, ansiedade, culpa, baixa autoestima e depressão, e muitas vezes doenças psicossomáticas costumam aparecer.

— O abusador busca passar-se por vítima, responsabilizando o outro, mostrando sinais de algum arrependimento, que passam rapidamente quando o controle é retomado. Não suportam a ideia de serem abandonados e reagem quando algo assim se anuncia, seja violentamente, seja de forma dramática, com promessas de mudanças.

As modificações no comportamento, porém, habitualmente não passam de movimentos manipuladores, avalia a psicóloga. Mesmo assim, muitas mulheres continuam com o parceiro, na esperança de que ele mude. E isso vale também para homens fragilizados psiquicamente que se submetem a relações com mulheres dominadoras. Em ambos os casos, é comum a parte mais fraca tentar justificar os comportamentos do agressor e esperar que ele melhore ou se submeta a um tratamento.

— Habitualmente pessoas com perfil abusador têm traços de personalidade perversa, e estes dificilmente se reconhecem precisando de alguma ajuda, já que se entendem superiores. Então, quando alguém se vê dentro de uma relação abusiva, precisa com urgência buscar acompanhamento psicológico ou psicanalítico para si mesmo, para se interrogar por que precisa viver esse tipo de relação, para fortalecer seu mundo interno e seu psiquismo a ponto de conseguir romper sem medos com algo que destrói sua parte mais saudável. Também para criar condições internas para denunciar as agressões e buscar suporte com pessoas e instituições mais saudáveis — aconselha Anelise.

Em Caxias, até 500 denúncias mensais

Em Caxias do Sul, a Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM) registra entre 470 e 500 ocorrências mensais. Os casos mais recorrentes, de acordo com a delegada Carla Zanetti, são de lesão corporal, ameaça, vias de fato e ofensas (calúnia, injúria e difamação). A titular da DEAM, contudo, considera que o número de casos possa ser bem maior, devido à resistência em formalizar denúncias. 

— As mulheres conhecem os mecanismos à disposição. Sabem que existe a delegacia especializada, sabem que podem chamar a Brigada Militar. O que a gente percebe muitas vezes  é a falta de iniciativa ou coragem de denunciar. Diferente de um crime como furto ou roubo, em que normalmente não há relação da vítima com o criminoso, a violência doméstica leva a ponderar muitas coisas, principalmente os filhos e a crença de que o namoro ou casamento irá melhorar — avalia a delegada.

Além de receber orientações sobre seus direitos diante da situação de agressão, ao recorrer à DEAM a vítima também é aconselhada, caso esteja decidida a romper a união, quanto ao que precisa estar atenta com relação a filhos e à patrimônio, por exemplo. Na opinião da delegada, boa parte dos casos que chegam à delegacia  seria evitada se, ainda na infância e na adolescência, as meninas recebessem a devida informação sobre a saúde da união. 

— Considero importante que faça uma abordagem de enfrentamento do problema da violência doméstica desde a educação básica. Que as meninas aprendam, tanto em casa quanto na escola, que o tratamento violento não é correto, assim como também é errado não denunciar casos de abuso — aconselha. 

A Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher fica na Rua Marquês do Herval, 1.585. O telefone é (54) 3211.1357.

Como identificar

A ONG americana Love Is Respect alerta para 11 comportamentos que evidenciam e podem configurar um relacionamento abusivo:

-  Checar seu telefone ou e-mail sem permissão

- Constantemente colocá-la para baixo

- Ter ciúme extremo e insegurança

- Ter temperamento explosivo

- Isolar você da família ou amigos

- Fazer falsas acusações

- Mudar repentinamente de humor

- Agredi-la fisicamente

- Demonstrar possessividade

- Dizer o que você tem que fazer

- Pressionar ou forçar você a ter relações sexuais

Frases que acendem o alerta

Internautas estão compartilhando nas redes sociais, com as hashtags #euviviumrelacionamentoabusivo e #podegritar, frases abusivas que já ouviram de seus parceiros. Confira algumas:

"Sua louca"
"Deixa de ser paranoica"
"Você é sensível demais"
"Ninguém vai acreditar em você"
"Você tem sorte por eu te querer"
"Você não vai com essa roupa"
"Você só me dá trabalho"
"Você não pode ir sem mim"
"Suas amigas não prestam"
"Você me provocou"
"Eu não gosto que você use batom"
"Olha no que você me transformou"
"Me dá a senha do teu Facebook"
"Não te deixo ir embora"
"Que bunda caída"
"Não pode ter amigo homem"
"Tá igual uma piranha"
"Não faz isso"

 
 

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