Olhares da cidade: "Caxias precisa evoluir em acessibilidade", diz deficiente visual  - Política - Pioneiro

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Eleições 202007/10/2020 | 06h30Atualizada em 07/10/2020 | 06h30

Olhares da cidade: "Caxias precisa evoluir em acessibilidade", diz deficiente visual 

Seção apresenta depoimentos de pessoas de diversos perfis, que compõem a representatividade da população de Caxias do Sul

Olhares da cidade: "Caxias precisa evoluir em acessibilidade", diz deficiente visual  Porthus Junior/Agencia RBS
Giovani França Pereira tem 28 anos e é deficiente visual Foto: Porthus Junior / Agencia RBS
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Dentro do projeto editorial de atenção às eleições municipais, o Pioneiro criou a seção Olhares da cidade. Este espaço é dedicado a depoimentos de pessoas de diversos perfis, que compõem a representatividade da população. O objetivo é contribuir com o debate eleitoral ao contemplar visões específicas que cada um tem sobre a cidade e qual sua relação com a cidade, compondo um cenário plural, a partir de ângulos complementares. 

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Confira a seguir o primeiro depoimento, de Giovani França Pereira, 28 anos.

"Meu nome é Giovani, tenho 28 anos, tenho deficiência visual congênita, nasci com ela. Atualmente, trabalho no Inav, o Instituto da Audiovisão. Faz oito anos que estou lá. Sou instrutor de informática. No final de 2018, eu terminei a faculdade, fiz Análise e Desenvolvimento de Sistemas pela UCS. 

Como falei, nasci cego, tenho glaucoma congênito. Com dois anos de idade, comecei a frequentar as instituições para aprender desde pequeno várias atividades, aprender braile, o uso do computador. Estudei em escola regular, fiz da primeira à quarta série no Catulo (da Paixão Cearense), no Panazzolo, depois da quinta à oitava no bairro onde moro, no (loteamento) Vitória, e o Ensino Médio fiz no José Otão. Tive várias atividades, e uma delas é a de aprender a andar sozinho, a questão da mobilidade. 

Eu gosto bastante da cidade, nasci aqui, vi ela evoluir bastante, crescer. Faz uns 14 anos que eu ando sozinho, tem uma grande diferença daquela época para hoje. Naquela época, acho que as pessoas ainda não estavam acostumadas em ver o cego andar sozinho na rua, tinham um pouco mais de receio de ajudar, de se aproximar, enfim. Hoje a gente vê que o povo é mais solidário, ajuda mais na questão de atravessar as ruas. Não só no atravessar, mas tu está numa parada de ônibus e precisa, sempre tem alguém para auxiliar. 

Não sei se eu conseguiria morar em outro lugar, talvez, mas estou tão acostumado aqui que acho que seria estranho sair daqui. Eu me viro bem e também tem tudo o que eu preciso. Tem o próprio Inav, tem os amigos. Só um ponto que eu acho ruim, um ponto negativo, que precisaria melhorar mais é a questão da acessibilidade. Tem bastante coisa, o pessoal está colocando os pisos nas calçadas, mas ainda falta bastante coisa. As calçadas são muito irregulares, e não só pensando em nós, mas nas pessoas em geral. É uma coisa que dava para ajustar. 

O próximo prefeito poderia se aproximar mais das instituições, pedir a opinião das pessoas com deficiência visual, dos cadeirantes, enfim, e fazer um plano para evoluir. A cidade precisa evoluir em acessibilidade. Uma coisa que eu acho muito importante colocar é que nós não conseguimos andar sozinhos dentro da Praça Dante Alighieri. É um lugar enorme e andar, transitar por dentro da praça sozinhos, pra nós, fica inviável, não tem como. É uma das coisas que deveria ser olhado com mais cuidado. Poderiam ver o que pode ser feito para a gente circular ali dentro."

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