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Eleições 202028/10/2020 | 14h10Atualizada em 28/10/2020 | 15h02

ÁUDIO: "Se a passagem não baixar para, no mínimo, R$ 3,50, está fadado ao fracasso", diz Adiló Didomenico (PSDB), candidato a prefeito de Caxias

Prefeiturável concedeu entrevista à Gaúcha Serra nesta quarta-feira

ÁUDIO: "Se a passagem não baixar para, no mínimo, R$ 3,50, está fadado ao fracasso", diz Adiló Didomenico (PSDB), candidato a prefeito de Caxias Juliane Ribas/Divulgação
Foto: Juliane Ribas / Divulgação
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Adiló Didomenico (PSDB) foi o terceiro candidato a ser ouvido pela Rádio Gaúcha Serra dentro da série de entrevistas com os postulantes ao cargo de prefeito de Caxias do Sul. Em 20 minutos, o vereador, que já ocupou cargos como a presidência da Codeca e a titularidade da Secretaria de  Obras e Serviços,  respondeu perguntas sobre pandemia, geração de emprego e renda e transporte coletivo urbano. Também falou sobre obras viárias e sua prioridade, caso eleito. 

A entrevista foi ao ar durante o programa Gaúcha Atualidade na manhã desta quarta-feira (28) e foi conduzida pelos jornalistas Tales Armiliato e Babiana Mugnol. Confira:

Como prometer alguns assuntos, a relação de tudo isso frente a uma pandemia?
Nós vivemos um momento jamais pensado por nenhum ser, eu acredito. Nunca se imaginou passar por situação como essa. Mas de todo esse problema nós vamos tirar um aprendizado muito grande na questão do cuidado com o meio ambiente, com a natureza e, acima de tudo, com a necessidade de uma melhor estrutura na rede pública de saúde. Ao longo dos anos se construiu grandes estádios, se fez obras que talvez pudessem ser dispensadas e se percebeu uma estrutura muito frágil nos hospitais, especialmente na rede pública de saúde. Após esse episódio todo, vamos ter que trabalhar muito forte junto ao governo do Estado e ao governo federal para manter esses leitos que foram implantados em função da pandemia, porque historicamente sempre tivemos um déficit de vagas, especialmente na questão das UTIs. Acredito que vamos precisar trabalhar isso, manter esses leitos, manter uma estrutura maior, porque da pandemia estamos tirando essa lição que acredito que vai ser útil para as demais situações, normalmente no inverno. Nós tivemos H1N1, tivemos outras situações, temos a dengue que está passando batida, vem o verão aí e as pessoas têm que cuidar muito da questão dos resíduos, dos plásticos jogados na natureza, porque a dengue é um problema sério, está batendo à nossa porta e nós não estamos atentos a esse problema.

Além do impacto na saúde, temos o impacto na economia. Já passamos por outras crises, diminuímos muito o número de empregos na cidade. Como o senhor pretende enfrentar essa situação, como gerar emprego em Caxias no pós-pandemia?
Em primeiro lugar, desde o primeiro momento fui muito criticado porque defendi a abertura gradual da economia com todos os cuidados, com uso da máscara. Fui o primeiro vereador que começou a mandar mensagem ao prefeito e ao gabinete de crise pedindo urgentemente a adoção da máscara, isso lá no início, e que fosse retomada a economia gradualmente com todos os cuidados. Nós, após essa pandemia, vamos ter que investir muito forte, já estamos preocupados com isso, na questão de uma nova matriz econômica, com inovação, tecnologia, em parceria com as faculdades. Copiar o exemplo das cidades que tiveram essa saída, essa sacada. Temos aqui perto um exemplo, Novo Hamburgo. Quanto nós perdemos? Seis mil vagas no período da pandemia, além de todas as que já havíamos perdido e Novo Hamburgo criou 4,5 mil vagas. A matriz do turismo está aí mostrando que vai ser uma atividade econômica que vai se recuperar rapidamente. Está mais do que comprovado hoje que as viagens domésticas, numa distância máxima de 450 quilômetros, será a tendência natural e nós precisamos recuperar credibilidade com o trade turístico que Caxias perdeu. Nós mandamos embora o trade turístico já há alguns anos e nós precisamos urgentemente porque são duas matrizes que dá para gerar emprego imediatamente. Além do Simplifica Caxias, que está no nosso plano de governo para ajudar e incentivar todos aqueles que querem empreender na nossa cidade, parar de complicar. Nós mandamos muitas empresas embora.  

A questão da mobilidade urbana está sempre na vida do caxiense. Isso tem sido um assunto recorrente, com sérios problemas. Como o senhor resolverá os problemas para se transitar em Caxias do Sul, principalmente em horários de pico, onde congestionamentos não param de acontecer, mas de forma imediata, sua primeira ação como prefeito, se for eleito?
Já mostramos alguns pontos, tem outros que estão mapeados, estaremos divulgando nos próximos dias, que é a rótula de acesso ao bairro Bela Vista, abertura da Avenida Rossetti saindo até a Rua Professor Marcos Martini, que é uma demanda muito antiga. Nós precisamos abrir esses cruzamentos e começar também a pensar em médio e longo prazo em elevadas. O tempo da rótula já passou, é um aparelho que já está superado. Incentivar também o transporte coletivo e os diversos outros modais, ciclovia, a moto. Nós precisamos urgentemente construir as duas estações de transbordo que estão faltando. Evidente que temos que fazer estruturas bem mais simples. Não há recursos para fazer estações iguais às EPIs Floresta e Imigrante, mas elas são estratégicas para que o usuário volte a ter interesse pelo transporte coletivo. Além de baixar a passagem. Se a passagem do transporte coletivo não baixar para no mínimo R$ 3,50, a gente está fadado ao fracasso. A integração e a redução da passagem serão alternativas importantes para estimularmos o uso do transporte coletivo.

O senhor fala em obras e chega a prometer a construção de uma elevada no bairro Desvio Rizzo. Com que dinheiro fazer essas obras diante da situação econômica, temos a questão do Caso Magnabosco. O senhor chega a comentar em conversar com o Daer, porque aquele trecho é de propriedade do Estado. Como o senhor promete algo que deve ser gerenciado primeiro pelo governo do Estado, embora a gente saiba que o governo do Estado é do seu partido, e com que dinheiro fazer essas obras?
Veja que tem situações que às vezes estão caindo de maduro. Aquela rótula que foi feita no acesso à Fazenda Souza, o terreno está mostrando que poderia ter sido feita uma passagem de nível, talvez com o mesmo gasto ou muito próximo. No Desvio Rizzo, temos a Avenida Euclides Triches, toda pavimentada, margeando a RS-122, e com todo o investimento que foi feito em parceria com a Havan e a Stock Center, mais um pouco de recurso, o município teria proporcionado a travessia em direção a RS-122. Aí tem que cortar a RS, tem que buscar o auxílio do Daer, mas é uma obra estruturante para o futuro. Temos que começar a pensar nisso. Não é uma obra tão cara e difícil, porque a Avenida Euclides Triches está toda aberta e pavimentada e ali tem um bom trecho que é área pública, uma área que era do Samae e foi permutada com a prefeitura. Ali praticamente não tem indenizações. Claro que não é uma obra tão simples, mas nós temos que começar a pensar para a frente. O Desvio Rizzo hoje é maior que a grande maioria dos municípios do RS. É uma região que merece uma obra dessa envergadura. Não adianta ficar botando sinaleira, fazendo esses arranjos que aliviam um pouco mas não contemplam em nada o pedestre e dificulta ainda o trânsito. Então tem que começar a pensar e negociar junto ao governo do Estado. Esse é o papel do prefeito e da administração municipal.

Em relação a concorrência, subsídio do transporte coletivo, de que forma, se já vai estar encaminhado o processo de licitação? O senhor falou em preço menor. O que seria esse preço menor e como fazer?  
Renegociar a questão das gratuidades, novos critérios. Provavelmente vamos ter que colocar subsídios. As grandes cidades, a maioria delas, já estão subsidiando a passagem do transporte coletivo. Caxias não vai fugir disso. Outra coisa, estavam fazendo uma licitação com uma lei de 1957. Junto com a vereadora Paula (Ioris, candidata a vice) encaminhamos projeto atualizando a lei do transporte e esse projeto foi aprovado mais de 60% e está na Câmara de Vereadores para a gente aprovar. Isso vai dar a possibilidade de melhorar muito a nova licitação.  

O senhor era pré-candidato pelo PTB e surpreendeu indo para o PSDB. O PTB estadual não queria a candidatura a prefeito? Foi uma negociação com o governo do Estado? O que provocou essa mudança de sigla quase na última hora?  
Nós vínhamos nos preparando há alguns anos para disputar a prefeitura. Em 2012, não quisemos rachar o bloco, o doutor Alceu (Barbosa Velho) havia se apresentado e nós acompanhamos. Em 2016, eu estava me preparando para isso e tive o infortúnio da perda da esposa. E agora, com o projeto já em andamento, eu tive reunião com o presidente nacional em Porto Alegre, não tive nenhuma garantia, porque a norma da executiva nacional era que municípios com mais de 200 mil eleitores aguardassem a orientação da executiva nacional. Contra isso, eu sempre me rebelei. Em 2008, quando o PTB estadual forçou a nossa coligação com o PT, fui contra. Entendo que quem tem que decidir questões do município é o diretório municipal, e o PTB, nesses 31 anos que eu participei, poucos anos teve diretório, sempre foi comissão provisória e aí tu fica muito vulnerável. Tu depende de uma decisão de uma instância que não tem nada a ver com a realidade do município. Tentamos, por mais de 10 ou 15 vezes, o presidente municipal, Gilberto Meletti foi a Porto Alegre tentar ajustar com o presidente estadual, que era o Busato (Luiz Carlos Busato, prefeito de Canoas), não obtivemos garantia nenhuma de homologação da nossa candidatura. Não restou outra alternativa. Mas isso não significou uma ruptura com o PTB, porque eu tenho muitos amigos. A grande maioria dos candidatos a vereador fui eu que filiei. Na última hora, conseguimos trazer alguns integrantes, tanto que o atual presidente, deputado (Luís Augusto) Lara, me deu todo o apoio. Nós tivemos esse respaldo, a executiva municipal também nos deu esse respaldo. Então, é parceria que buscamos, essa segurança jurídica dentro de um partido consolidado.

Há poucos dias foi postada em suas redes sociais uma foto sua dizendo que estava ajudando a Codeca e mostrava o senhor jogando sacos de lixo no caminhão. Pode ser visto como uso da máquina pública. O senhor acha normal esse tipo de procedimento em relação a um órgão municipal durante a campanha eleitoral?
Aquilo foi uma coisa surpreendida, porque eu estava conversando com os coletores, batendo papo, faço isso a vida toda quando encontro, porque muitos são meus amigos. O motorista estava arrancando o caminhão e eu peguei um saco, dois, e joguei dentro e alguém bateu a foto e foi postada numa descontração. Mas nada mais, para mim aquilo é muito natural, porque já fiz isso inúmeras vezes quando me encontrava com os coletores. A nossa amizade transcende o dia a dia. Criei muita amizade, foram quase oito anos de convivência com aquele povo que me ajudou muito. Infelizmente, foi no período eleitoral (a foto). Se tivesse sido em outro momento, não teria dado nenhuma repercussão.

Quais os seus planos para a Codeca?
A Codeca, infelizmente, terá que ser reestruturada e fortalecida. Precisaremos, inclusive, alterar seus estatutos para que ela não seja vítima, de novo, de má gestão que leve a um risco tão eminente de quebradeira. Nós herdamos em 2005 numa extrema dificuldade, pior, talvez, do que hoje. Trabalhamos duro com os funcionários, com a direção, todo mundo pegou junto no mesmo sentido. Tivemos que avalizar a compra dos primeiros quatro caminhões porque não tinha crédito de nada a Codeca. Hoje, infelizmente, ela está de novo. Veja que o principal programa que implantamos, a coleta mecanizada, em 2007, pioneira no país, implantamos quatro fases até 2012. De lá pra cá não foi implantada nenhuma fase e esse é um programa que precisa ser ampliado para os bairros, ele veio para ficar. Não é um programa passageiro. Tem que ser melhor estruturado, bem cuidado e ampliado. Todo mundo merece ter um contêiner na sua rua, no seu bairro. Eu não tenho na minha rua ainda, porque no planejamento, a Tancredo Feijó, onde resido, foi programada para a quinta fase e até hoje não avançamos. A Codeca é uma empresa que tem condições de fazer a grande maioria dos serviços de manutenção na cidade. Quando fez isso, fez muito bem feito. E hoje nós temos uma cidade com ruas esburacadas, paralelepípedos soltos, passeios aguardando há mais de um ano para ser repavimentado e a Codeca precisando faturar. Então, vamos ter esse olhar.  

O senhor confia que vai para o segundo turno e com quem?
Hoje o que mais me preocupa não são os adversários. O que me preocupa é o voto nulo, o branco e as abstenções das pessoas com mais de 70 anos. Eu não sou mais um jovem, a vida me deu uma longa experiência, mas também me colocou 68 anos nas costas. Mas eu tenho uma expectativa muito boa de fazermos uma grande votação no primeiro turno por aquilo que sinto caminhando pelos bairros onde sempre fiz. Não estou indo agora porque sou candidato. A minha vida sempre foi de caminhar, não sou uma pessoa de gabinete. Se alguém quiser se esconder de mim, vá lá no meu gabinete, porque estou sempre na rua, atendendo chamados, correndo, visitando, vendo as demandas. E isso foi o que nos levou a fazer essa parceria com o deputado Neri (O Carteiro, Solidariedade), vereadora Paula (Ioris, PSDB), mas principalmente com o deputado Neri por essa afinidade, por ter um jeito parecido de trabalhar. Gosto de atender as pessoas diretamente para sentir como está a situação. Sem isso, fica muito difícil entender as angústias e os sofrimento das pessoas, especialmente os mais necessitados.

O que é mais urgente em Caxias? Qual será sua prioridade?
Primeiro, a retomada da economia. Precisamos virar essa chave. É urgentemente recuperarmos a capacidade de geração de emprego e renda. Em segundo lugar, vamos e já temos um projeto para trabalhar de forma muito rápida a regularização desses quase 400 loteamentos, que as pessoas têm o sonho de ter a escritura do seu terreno. Isso é para ontem, é urgente. Não podemos mais esperar e tem exemplos Brasil agora que tomaram essas providências. Essas pessoas querem pagar o seu imposto e isso vai ajudar muito a recuperar a renda de Caxias sem sobrecarregar aqueles que já estão pagando. Nós recuperamos a Codeca sem pedir um aumento além da inflação. Fizemos a reestruturação interna, o enxugamento e a tornamos mais eficiente, mais produtiva. E é isso que temos que fazer na administração pública.  

Ouça a entrevista:

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