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Eleições 202022/09/2020 | 05h42Atualizada em 22/09/2020 | 08h44

A cidade é de todos: o futuro prefeito de Caxias do Sul e o desafio de gerar mais empregos 

Tema é uma das principais preocupações dos eleitores caxienses

A cidade é de todos: o futuro prefeito de Caxias do Sul e o desafio de gerar mais empregos  Marcelo Casagrande/Agencia RBS
Mariano é um dos alcançados pelo desemprego em Caxias, que perdeu quase 40 mil vagas desde 2013 Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

Pioneiro, Gaúcha Serra e pioneiro.com começam a mostrar, em oito reportagens, os temas que são as maiores preocupações de eleitores entrevistados em pesquisa, para merecer atenção e proposta desde já dos 11 candidatos a prefeito de Caxias do Sul. Para 14% dos que responderam ao levantamento,  a geração de vagas de trabalho é tema que está mencionado entre as três primeiras preocupações.

Uma estatística será só o conjunto de planilhas contendo dados e números se as pessoas por detrás dessas informações forem ignoradas. Por exemplo, o saldo de contratações e demissões, em Caxias do Sul, entre janeiro e julho de 2020, é de -7.244 vagas. Dito assim, assusta, é claro, mas não significa nada além de um arsenal para os desafiantes ao cargo de prefeito, logo ali na frente, quando iniciar a campanha eleitoral. O tema do emprego é realmente importante para os eleitores, que terão a oportunidade de "contratar", por meio do voto, o novo prefeito. 

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Em pesquisa realizada pela RBS, na região da Serra, os respondestes apontaram quais seriam os três principais problemas, por ordem de importância. O desafio de resolver o problema da falta de emprego é citado por 14% dos respondentes. O problema do emprego acentuou-se na pandemia, mas já existia em Caxias do Sul, que vem sofrendo com a diminuição de vagas há anos. Em 2013, ano do melhor saldo, Caxias tinha 183.173 trabalhadores com carteira assinada. Neste ano de 2020, com base até julho, há 143.752. Ou seja, 39.421 empregos formais a menos. Um destes desempregados, que figura nesta triste estatística é João César Santos Mariano, radicado em Caxias há 12 anos.

Mariano foi entrevistado pelo Pioneiro em fevereiro deste ano, quando foi flagrado pela reportagem vendendo água na esquina das ruas Visconde de Pelotas e Duque de Caxias, vestido de garçom, sua antiga profissão. Equilibrando uma bandeja debaixo do sol escaldante, ele procurava driblar o desemprego. Sete meses depois, Mariano segue desempregado. Na época da reportagem, ele ainda não tinha o segundo grau (Ensino Médio) completo, o que dificultava ainda mais a disputa por vagas. Por conta da reportagem, Mariano ganhou uma bolsa de estudos do Mutirão e, enfim, recebeu seu diploma este mês, há cerca de 10 dias (11/9).

E agora, com diploma, você acredita que vai ser mais fácil conseguir um emprego?, pergunto a ele, que nos recebeu na sua casa, cujo aluguel tem sido pago pela esposa, que trabalha em uma farmácia há cerca de cinco anos.

— Pode ser que seja mais fácil… — diz, Mariano, 33 anos, reticente, desviando o olhar.

Logo em seguida, pergunto como tem sido procurar emprego em meio à pandemia.

— Na maioria das vezes, a maioria exigia pessoas com Ensino Médio completo. Mas, mesmo depois de ter o diploma, fui atrás, ganhei uma carta de encaminhamento do Sine. Fui na empresa, eles queriam um auxiliar de mecânico de motos. Cheguei lá, era uma loja de motos Ninja. Já fui transparente com o homem dizendo que não entendia nada dessas motos — revela.

Mariano faz parte ainda de outra estatística perversa. Ele integra a faixa etária e a escolaridade que têm sido mais afligidas com o desemprego nos meses da pandemia. A partir de abril, os trabalhadores que mais foram demitidos se encontram na faixa dos 30 aos 39 anos e possuem apenas o Ensino Médio completo.

— Já tive experiência em mecânica automotiva, mas não em carteira. Esse é o problema. O Sine oferece vaga para quem tem seis meses de experiência em carteira. Mas como vou ter experiência se nunca tenho a oportunidade de trabalhar com registro?

As únicas experiências com registro na Carteira de Trabalho foram nas áreas de jardinagem e construção civil. No entanto, por causa de um acidente com uma motocicleta, Mariano precisou colocar quatro parafusos no joelho e não pode mais exercer a jardinagem, por ser uma atividade com alta exigência física. Desde que chegou em Caxias, vindo de Porto Alegre, depois de morar na rua e em albergues, resolveu ouvir os conselhos da assistente social que, diz ele, mudou sua vida.

— A Vanda (Ferreira Vittorazzi, atual diretora de proteção social especial na Fundação de Assistência Social, a FAS) sempre me dizia que a educação é o norte. Eu nunca me esqueci. Quando cheguei no albergue (Albergue Municipal Carlos Miguel), eu estava na sétima série. Agora concluí o Ensino Médio e vou lutar pra ver se consigo uma bolsa de mecânica no Senai. Por meio da bolsa, eu posso tentar entrar em uma empresa como auxiliar. Esse é o meu projeto, e sei que vou conseguir — acredita.

Raio-X

Emprego em Caxias
Janeiro a julho 2020
Admissões:
28.762
Demissões: 36.006
Saldo: -7.244

Saldo por setor
Janeiro a julho 2020
Agropecuária:
20
Comércio: -1.546
Construção: -346
Indústria: -2.715
Serviços: -2.657

Em 2013, ano do melhor saldo: 183.173 trabalhadores com carteira assinada em Caxias.

Em 2020 (dado de julho): 143.752 trabalhadores com carteira assinada

Ou seja, 39.421 empregos formais a menos.

Pesquisa RBS: 14% dos respondentes citaram o emprego como um dos 3 principais  problemas em Caxias do Sul

Fonte: Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério da Economia, divulgado na tarde de sexta-feira (21 de agosto) e Pesquisa RBS

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