Partido do ex-prefeito de Caxias Daniel Guerra faz suspense para as eleições   - Política - Pioneiro

Vers?o mobile

 
 

Disputa à prefeitura27/06/2020 | 12h05Atualizada em 27/06/2020 | 17h22

Partido do ex-prefeito de Caxias Daniel Guerra faz suspense para as eleições  

Por conta do impeachment, candidatura do Republicanos é um componente especial do pleito municipal

Partido do ex-prefeito de Caxias Daniel Guerra faz suspense para as eleições   Roni Rigon/Agencia RBS
Carlos Gomes (E), presidente do partido no RS, diz que Guerra é nome mais forte e aponta outras três opções Foto: Roni Rigon / Agencia RBS

A escolha do Republicanos, partido do ex-prefeito Daniel Guerra, para a disputa ao Executivo caxiense é uma das dúvidas que cerca a eleição municipal. É um encaminhamento partidário bastante aguardado, tratando-se da sigla do eleito em 2016 e cassado no final de 2019 pela Câmara de Vereadores. 

O impeachment sofrido por Guerra em dezembro do ano passado, protocolado por seu companheiro de chapa e ex-vice-prefeito Ricardo Fabris de Abreu, pode ter soterrado suas pretensões políticas por oito anos, conforme a Lei Complementar nº 135, de 4 de junho de 2010. Mas não está descartado que seja o nome apresentado para concorrer. A Justiça Eleitoral é que decide quanto ao deferimento ou não da candidatura. A certeza oficializada pelo Republicanos, até agora, é que terá candidatura própria e será chapa pura. 

O presidente estadual da sigla, deputado federal Carlos Gomes, diz que o Republicanos tem quatro possíveis nomes: os vereadores Elisandro Fiuza e Chico Guerra (irmão do ex-prefeito), o presidente do partido em Caxias, Júlio César Freitas da Rosa, e o próprio Daniel Guerra.

– (O candidato) Tem que sair de um desses quatro – diz.

E o nome mais forte, pela lógica, declara Gomes, é do próprio Daniel Guerra, "eleito com uma votação muito expressiva". 

Porém, é fato que quem coordena os movimentos é Júlio Freitas, e ganha espaço para uma eventual candidatura majoritária. Ele é assessor da bancada do Republicanos na Câmara.

Frente à questão do impeachment e a chance ou não de Guerra concorrer, Gomes arrisca:

– Tudo é possível. O mundo jurídico é muito subjetivo. A política está muito judicializada e a Justiça está muito politizada.

GUERRA À DISPOSIÇÃO

O deputado diz que não tem falado frequentemente com o ex-prefeito e que conversa mais com Júlio. Mesmo assim, conta que na última vez em que ele e Guerra conversaram, o ex-prefeito afirmou que seu nome está à disposição do partido. 

Gomes evita falar sobre estratégia, caso Guerra tenha a candidatura impugnada. O suspense deve acabar logo no início do prazo para as convenções municipais. Mantendo-se o atual calendário eleitoral, o período é de 20 de julho a 5 de agosto. Caso a eleição seja alterada para 15 de novembro,  o prazo para convenções é de 31 de agosto a 16 de setembro.

– Quanto mais cedo for a convenção, melhor – afirma Gomes. 

 CAXIAS DO SUL, RS, BRASIL, 14/03/2019Coletiva de dois anos como prefeito de Caxias do Sul de Daniel Guerra. (Lucas Amorelli/ Agência RBS)<!-- NICAID(13995898) -->
Júlio Freitas diz que haverá candidatura própria do partido e será chapa puraFoto: Lucas Amorelli / Agencia RBS

Definição se dará próximo da convenção

O presidente municipal do Republicanos, Júlio César Freitas da Rosa, segue sem abrir o jogo. Nos bastidores, o comentário é de que é tudo "muito secreto". Júlio Freitas diz que é certo que haverá candidatura e que a chapa será pura.

Há poucos dias, ele enviou nota contestando a inelegibilidade de Daniel Guerra. Apresentou uma certidão de quitação eleitoral e afirmou que "não há nenhum documento que ateste a inelegibilidade do prefeito e cidadão Daniel Guerra." 

Porém, o Cartório Eleitoral informou que a anotação da inelegibilidade é interna e não veda a emissão da certidão de quitação eleitoral, liberada na internet para todo eleitor que não tem débitos, que está com o título em situação regular, que não tem suspensão por condenação criminal, entre outras vedações para o cadastro eleitoral. 

Questionado na quarta-feira (24) se havia novidades para as eleições e se o ex-prefeito será o candidato, Freitas respondeu:

– A mesma posição que passei dias atrás. Vamos definir a chapa majoritária mais próximo da nossa convenção – limita-se a dizer Freitas.

O vereador Chico Guerra disse que não tem definição neste momento se será candidato a algum cargo. Ao ser perguntado se o seu irmão seria novamente candidato, disse apenas:

– Eu sei que a definição do partido sobre a chapa majoritária será feita mais próximo da convenção. Está sendo finalizado o plano de governo.

O vereador Elisandro Fiuza diz que, a princípio, é pré-candidato à reeleição (a vereador). Sobre o ex-prefeito concorrer, respondeu que é algo pessoal para o próprio Guerra, algo para definir na convenção.

"O GRANDE PERSONAGEM"

O ex-secretário de Desenvolvimento Econômico, Emílio Andreazza, é forte defensor do nome de Guerra. Diz que o ex-prefeito é, outra vez, o "grande personagem do processo eleitoral caxiense" – isto é, mesmo que Guerra não concorra, ele terá peso nos rumos eleitorais:

– As razões do impeachment sem crime são conhecidas e serão oportunamente expostas no processo eleitoral. Guerra enfrentou as estruturas viciadas da cidade, as corporações internas do serviço público, a concessionária de transporte municipal e muita gente que acha que pode governar a cidade sem passar pelo voto popular. Gostem seus adversários ou não, ele é, mais uma vez, o grande personagem do processo eleitoral caxiense.

Argumentos para embasar expectativa de candidatura do ex-prefeito

O ex-secretário Emílio Andreazza diz que há expectativa de que Guerra concorra, uma vez que é a maior liderança do partido, por duas razões:

– Porque não houve crime de responsabilidade, e é absolutamente inconstitucional retirar direitos políticos, que são direitos fundamentais protegidos na Constituição, por uma tramoia arquitetada por adversários políticos, numa peça de impeachment que faz vergonha até a um estudante de Direito. E há tramitação de processo visando anular o absurdo decreto legislativo da Câmara Municipal (decreto legislativo nº 414/A, de 22 de dezembro de 2019), que cassou o mandato de Guerra, sem decisão de mérito até o momento.

Ele prossegue dizendo que "a tentativa de retirada do jogo tem outras razões, que serão oportunamente apresentadas à comunidade caxiense". E que haverá uma resposta eleitoral dura.

Mas, como não pode ser ignorada a possibilidade de que se confirme a inelegibilidade, ele questiona:

– É justo um candidato retirado à força do cargo e que pode ser favorito à eleição municipal ser tolhido dessa possibilidade pela maquinação de uma das Câmaras mais improdutivas que Caxias já viu? Creio que a resposta da população seria majoritariamente negativa.

Andreazza, filiado ao Republicanos, diz que, pessoalmente, não tem intenção de concorrer. E aproveita para disparar contra o prefeito Flávio Cassina (PTB) e o vice Elói Frizzo (PSB).

– Já dei minhas contribuições como secretário do Desenvolvimento Econômico, atraímos diversos investimentos, pensamos no futuro de Caxias tirando do papel o Aeroporto da Serra Gaúcha, apenas lamento que a gestão tampão tenha esquecido que a cidade não pode parar no tempo e precisa de investimentos e empregos, e não de cartinhas a empresários e agrados a apaniguados em tempos de covid-19.

O QUE DIZ A LEI

 :: A Lei Complementar nº 64, de 18 de maio de 1990, que estabelece casos de inelegibilidade, prazos de cessão e determina outras providências, teve nova redação pela Lei Complementar nº 135, de 2010.
:: Em seu artigo 1º, alínea c, diz que são inelegíveis [...]: "o Governador e o Vice-Governador de Estado e do Distrito Federal e o Prefeito e o Vice-Prefeito que perderem seus cargos eletivos por infringência a dispositivo da Constituição Estadual, da Lei Orgânica do Distrito Federal ou da Lei Orgânica do Município, para as eleições que se realizarem durante o período remanescente e nos 8 (oito) anos subsequentes ao término do mandato para o qual tenham sido eleitos."

ENDIREITACAXIAS

:: Há um movimento denominado "EndireitaCaxias" – "#VoltaGuerra" especialmente nas redes sociais, com ex-integrantes do Governo Guerra, vários pré-candidatos a vereador.

:: Também foram produzidos adesivos para carros. É usada uma foto com a seta indicando para a direita.

:: A iniciativa, segundo Júlio, busca mobilizar a sociedade e o Judiciário sobre a anulação do impeachment e pela volta de Guerra ao mandato.

::  Recentemente, foi verificada a colagem de cartazes com esses dizeres em muros da cidade. A atitude foi repudiada por Júlio.

Leia também
Live de vereador de Farroupilha vira notícia sobre novo ministro da Educação
Câmara de Caxias aprova extinção de cargos e verbas de representação

 
 
 

Veja também

 
Pioneiro
Busca
clicRBS
Nova busca - outros