Câmara de Caxias do Sul se divide sobre isolamento como medida para prevenir o coronavírus - Política - Pioneiro

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Legislativo30/03/2020 | 17h31Atualizada em 30/03/2020 | 17h32

Câmara de Caxias do Sul se divide sobre isolamento como medida para prevenir o coronavírus

Do total de 23 vereadores, 11 são favoráveis à orientação dos órgãos de saúde

Câmara de Caxias do Sul se divide sobre isolamento como medida para prevenir o coronavírus Roni Rigon/Agencia RBS
Foto: Roni Rigon / Agencia RBS

A nota assinada por cinco vereadores em defesa de que a prefeitura de Caxias do Sul reforce as estratégias de isolamento social para conter a pandemia do coronavírus na cidade ganhou o apoio de outros seis parlamentares. O documento intitulado "O que está em jogo é a vida", encaminhado no sábado (28), foi assinado pelos vereadores Alberto Meneguzzi (PSB), Denise Pessôa (PT), Paula Ioris (PSDB), Rafael Bueno (PDT) e Renato Oliveira (PCdoB). A manifestação conjunta é um contraponto ao vídeo do presidente da Câmara, vereador Ricardo Daneluz (PDT), que defende a retomada gradual da economia.

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Somaram-se ao grupo que defende o isolamento social os vereadores Edi Carlos Pereira de Souza (PSB), Gustavo Toigo (PDT), Felipe Gremelmaier (MDB), Arlindo Bandeira (PP), Rodrigo Beltrão (PSB) e Edson da Rosa (MDB).

Diante do avanço da doença, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde orientam o isolamento social como a principal forma de evitar o contágio. Apesar dessa posição, 10 parlamentares ignoram o alerta dos especialistas em saúde pública. Eles defendem a reabertura gradual da economia como é o caso de Daneluz e do vereador Kiko Girardi (PSD). Já os vereadores Clóvis Xuxa (PTB), Wagner Petrini (PSB), Elisandro Fiuza (Republicanos), Adriano Bressan (MDB), Alceu Thomé (PTB), Adiló Didomenico (PTB), Gládis Frizzo (MDB) e Velocino Uez (PDT) defendem o isolamento parcial, apenas para pessoas incluídas no grupo de risco.

O presidente da Comissão do Idoso, vereador Felipe Gremelmaier (MDB) justificou que preferiu não assinar a nota proposta pela vereadora Denise Pessôa (PT) para não comprometer a individualidade dos demais integrantes da comissão e da bancada do MDB.

— A nota é importante e séria. Mas expresso opinião individual porque, se assinasse em conjunto, como sou presidente da Comissão do Idoso e líder da bancada do MDB, poderia estar interferindo na individualidade de outros sete vereadores.

Dos cinco integrantes da Comissão do Idoso, dois são contrários ao isolamento social: Thomé e Fiuza. Já na Comissão da Saúde, Gládis é contra o isolamento social. A vereadora Tatiane Frizzo (Solidariedade), que integra as duas comissões, não respondeu ao contato da reportagem. 

O QUE DIZEM

O Pioneiro perguntou aos vereadores: É a favor ou contra ao isolamento social como meio de combate ao coronavírus?

FAVORÁVEIS

"Sou a favor. Devemos seguir as orientações da prefeitura e da Secretaria Municipal da Saúde. Seguir em isolamento familiar, cuidando uns dos outros." Edi Carlos Pereira de Souza (PSB)

"A favor. Porque é a recomendação de prevenção da Organização Mundial da Saúde. É preciso que a população se conscientize da gravidade na atual situação. O poder público precisa dar amparo para pessoas desempregadas e para pessoas no mercado informal. Além disso, o poder Executivo precisa dar apoio a micro e pequenas empresas." Renato Oliveira (PCdoB)

"Sim, porque o isolamento social, recomendado pela Organização Mundial da Saúde é medida importante para diminuir o avanço do vírus. É necessário que o governo trabalhe no socorro aos mais vulneráveis e trabalhadores informais, bem como proceda uma política uniforme no campo da saúde. É momento de entidades empresariais cobrarem do governo federal atuações mais propositivas e de impacto, como forma de salvar empresas e empregos." Gustavo Toigo (PDT)

"A favor." Rafael Bueno (PDT)

"Temos de aprender com o que já aconteceu na Itália e na Espanha. No início, não levaram a sério e a situação está aí para nós ensinar. Estamos tendo tempo para nos organizar. Não é momento de recuar." Paula Ioris (PSDB)

"Sou a favor. Acompanho as análises técnicas de médicos, tanto aqui de Caxias quanto de médicos italianos. Sem falar dos exemplos gritantes da Itália e Espanha." Felipe Gremelmaier (MDB)

"Sou favorável à radicalização do isolamento social enquanto não houver um plano de retaguarda na saúde que atenda a demanda que virá. Não podemos titubear. Não podemos negociar com a vida das pessoas. Espanha e Itália nos mostram no que resulta um isolamento social tardio: muitos mortos. A vida em primeiro lugar sempre." Denise Pessôa (PT)

"Médicos, infectologistas, enfermeiros, autoridades sanitárias, todos falam da importância do isolamento social. A OMS recomenda. Não estamos numa 'bolha'. Precisamos ter uma noção do que acontece no mundo inteiro." Alberto Meneguzzi (PSB)

"É um momento muito delicado, sou favorável a ouvir as orientações técnicas dos especialistas, manter o isolamento social por algum tempo. Mas é preciso tomar cuidado com a economia e ajudar os empresários nessa hora difícil." Arlindo Bandeira (PP)

"Seguindo as orientações técnicas e do pico de contaminação que ainda está por vir, sou favorável ao isolamento social." Rodrigo Beltrão (PT)

"Este não é um momento de conflito, mas de reflexão. Precisamos nos unir, ser solidários e seguir as orientações e protocolos da Organização Mundial de Saúde e do Ministério da Saúde. Uma coisa é certa: não há economia sem vida e vida sem economia." Edson da Rosa (MDB)

CONTRÁRIOS

"Neste momento, sou contra o isolamento total, teria de ser parcial, com várias condições e regramentos rígidos, e fiscalização também rígida. E, peço a Deus, que eu não me arrependa dessa opinião. Muito complicado." Kiko Girardi (PSD)

"Eu sou favorável ao retorno das atividades gradativamente, com um cronograma para isso, com porcentagem de funcionários, com utilização de EPIs e todos os cuidados necessários. Com o isolamento total das pessoas em zona de risco. Também defendo a concentração de recursos na área da saúde. Em nenhum momento subestimei a gravidade do coronavírus, pelo contrário." Ricardo Daneluz (PDT)

ISOLAMENTO PARCIAL

"Eu sou a favor do isolamento dos grupos de risco, ou seja, o isolamento vertical. Reconheço que os trabalhadores precisam trabalhar para se manter durante a crise." Clóvis Xuxa (PTB)

"Devemos seguir as orientações OMS e do Ministério da Saúde. Porém, o poder público tem de ser ágil em ajudar quem precisa, ou melhor, aqueles que mais precisam. E de contrapartida libere os serviços essenciais. E avaliar a todo o momento o cenário nacional, podendo alterar a forma de enfrentar essa pandemia, por exemplo, de forma vertical." Wagner Petrini (PSB)

"Somos de acordo com o isolamento do chamado grupo de risco: idosos, gestantes, além das pessoas que apresentam algum tipo de sintoma relacionado ao vírus. Precisamos ter responsabilidade e maturidade, compreender que o assunto precisa ser tratado em conjunto com os responsáveis das áreas da saúde e econômica, buscando a melhor decisão quanto ao que pode e deve retornar de imediato ou gradualmente, avaliando que impacto isso pode causar." Elisandro Fiuza (Republicanos)

"Sou a favor do isolamento social para os grupos de risco, idosos, grávidas e pessoas com doenças respiratórias. Mas com muita responsabilidade, ouvindo os profissionais da área da saúde, temos de ir voltando à normalidade de forma gradual e pontual." Adriano Bressan (MDB)

"Sou a favor do isolamento parcial, pois alguns setores são essenciais para a vida humana. Precisamos que se avalie mais algum tempo para que se tenha uma conclusão mais definitiva. Estou avaliando autoridades e opiniões técnicas também. Sou a favor da vida." Alceu Thomé (PTB)

"Não existe vida sem economia, nem economia sem vida. O isolamento social que ocorreu seguramente vai ajudar a salvar vidas. O estrago econômico agora é grande, mas a perda de vidas e algo irreversível. Como agente público, precisamos considerar as recomendações dos técnicos da saúde, especialmente o ministro da Saúde. O isolamento dos grupos de risco deve continuar. A abertura da economia deve acontecer nos próximos dias de forma gradual e organizada, preservando os empregos e com os cuidados recomendados." Adiló Didomenico (PTB)

"Sou a favor da vida e da saúde, mas também da economia do país. Deve haver um meio termo. Não podemos deixar as pessoas morrerem, por isso o isolamento. Mas também não podemos deixar a economia falir, somos cidadãos que vivem de empregos e renda. Temos de ter muita precaução com a saúde, mas vivemos do trabalho". Gládis Frizzo (MDB)

"O isolamento é necessário porque é uma questão de saúde pública mundial. Porém, defendo que se faça rapidamente um plano para que as coisas voltem gradualmente à normalidade, com critérios e sempre ouvindo os órgãos de saúde. E não se pode abrir mão do isolamento dos idosos e de pessoas com problemas de saúde." Velocino Uez (PDT)

NÃO RESPONDERAM ATÉ AS 17H15 DESTA SEGUNDA-FEIRA:

Chico Guerra (Republicanos) e Tatiane Frizzo (Solidariedade).

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