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Possível cassação18/02/2020 | 14h07Atualizada em 18/02/2020 | 16h38

"Nunca trouxe ninguém a cabresto", diz prefeito de Farroupilha após acolhimento de processo de impeachment

Claiton Gonçalves diz que atendeu a clamor da comunidade e não descarta novos recuos a pedido de vereadores

"Nunca trouxe ninguém a cabresto", diz prefeito de Farroupilha após acolhimento de processo de impeachment Flavia Noal/Agência RBS
Coletiva ocorreu no Salão Nobre da prefeitura de Farroupilha Foto: Flavia Noal / Agência RBS

Após o acolhimento do processo de impeachment, o prefeito de Farroupilha, Claiton Gonçalves (PDT), fez a primeira manifestação pública na manhã desta terça-feira (18). Em uma entrevista coletiva na prefeitura, com a participação de representantes da comunidade e de apoiadores dele, o chefe do Executivo defendeu que a contratação de um software e compra de terrenos para a área da saúde seguiram os trâmites legais e disse que o cancelamento dos negócios serve a um clamor da comunidade.

Na segunda-feira (17), vereadores do partido de Claiton anunciaram que o prefeito voltou atrás nas negociações. A oposição sinalizou que entendeu este como um sinal de que o prefeito admite que houve erros na tramitação. A compra dos terrenos, por meio de decreto e sem tramitação no Legislativo, é o que embasa o pedido de impeachment protocolado na semana passada pelo empresário Glacir Gomes, que defende que o prefeito cometeu ato de improbidade administrativa por não respeitar a legislação municipal. Claiton disse, durante a entrevista, que a negociação atende a exigências da lei federal, que se sobrepõem à do município. No entanto, na sessão da Câmara, vereadores da base admitiram que o tema é polêmico entre advogados. A aquisição de um software ao valor de R$ 3,3 milhões para a área da saúde foi outro tema controverso em que o prefeito se envolveu recentemente. Manifestações de entidades questionavam o alto valor.

— A grande definição do meu governo passava por um modelo de saúde mais avançado que temos em qualquer lugar. Mas fui vencido. Isso me dói como médico e como prefeito — resumiu, ao falar sobre a frustração de não continuar com a compra do softwares por seguir o entendimento de que a comunidade se colocou contrária à negociação, e não por arrependimento dele ou da equipe.

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O prefeito também comentou a ruína da base de apoio que conservou durante os últimos anos. A admissibilidade do impeachment teve nove votos favoráveis, inclusive do ex-secretário Sedinei Catafesta (PSD) e do vereador Sandro Trevisan (PSB), do mesmo partido do vice-prefeito Pedro Pedrozo. Dos cinco votos contra a tramitação do processo, ao menos um foi conquistado de última hora. O vereador Fabiano Piccoli (PT), outro ex-secretário de Claiton, disse que só garantiu o apoio ao prefeito porque ele voltou atrás nas duas decisões envolvendo a área da saúde.

— Eu nunca trouxe ninguém de cabresto. Todos os vereadores têm a grandeza das suas decisões — afirmou Claiton sobre a perda de apoio.

Embora não o suficiente para impedir a continuidade do processo de impeachment, os cinco votos pró-prefeito podem garantir que ele permaneça no cargo. São necessários 11 votos do total de 15 vereadores para que ele tenha o mandato cassado. Caso a decisão seja pelo afastamento de Claiton, quem assume é o vice-prefeito, Pedro Pedrozo (PSB), que não participou na coletiva nesta terça-feira, embora o secretariado tenha ido ao salão nobre da prefeitura. Apesar da ausência do vice, o chefe do Executivo garante que a relação está "ótima" e descartou rumores de que estejam estremecidos.

O pedetista assumiu ainda que poderá recuar de decisões administrativas a pedido de vereadores, mas condicionou isso à comprovação de que cometeu enganos. Conhecido médico no município antes de ser prefeito, ele reforçou que a carreira da área da saúde o coloca numa posição de decisões rápidas e não de articulações, perfil que, na avaliação do prefeito, pode tê-lo afastado da necessária habilidade política do cargo. 

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