"Não tenho paz na minha governança", diz prefeito de Farroupilha - Política - Pioneiro

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Entrevista da 2ª16/02/2020 | 20h30Atualizada em 16/02/2020 | 20h30

"Não tenho paz na minha governança", diz prefeito de Farroupilha

Claiton Gonçalves acusa oposição de pedidos de impeachment e improbidade

"Não tenho paz na minha governança", diz prefeito de Farroupilha Rodrigo Martins/Divulgação
Foto: Rodrigo Martins / Divulgação

Alvo de um pedido de impeachment que será votado hoje, o prefeito de Farroupilha, Claiton Gonçalves (PDT), diz que o objetivo de um grupo político liderado por representantes do MDB é acusá-lo de improbidade administrativa. Além do pedido de cassação, defendeu a compra de uma plataforma de saúde para o município e a candidatura da Elaine Giuliato para a prefeitura. Confira a entrevista concedida na quinta-feira passada:

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Pioneiro: O senhor foi eleito também devido aos escândalos das administrações passadas. Seu governo tem encontrado resistência em temas como a implantação da plataforma de saúde e a compra de um terreno sem autorização do Legislativo.
Claiton Gonçalves:
Vou discordar um pouco que um fui eleito pelos escândalos do Executivo passado. Seguramente fui eleito pelo trabalho de médico que tenho há mais de 30 anos. Os escândalos do governo passado não existem mais, nós resolvemos. Hoje, 48% dos recebíveis da prefeitura são de um único CPF daquele tempo, isso representa R$ 27 milhões. O mesmo CPF que deve R$ 27 milhões tem condenação em trânsito e julgado e no despacho diz: “o valor a ser devolvido para a prefeitura de Farroupilha é inestimável”. Não é o mesmo momento.

Qual é a solução para resolver o problema de abastecimento de água na cidade?
Estamos tomando água suja, falta muita água, não temos um metro cúbico de esgoto tratado. Está no contrato que teria que ter esgoto tratado, mas não diz o prazo e não dá multa. O contrato era bom para alguém. Teve advogados de grupos econômicos defendendo a Corsan nas audiências públicas. Quero que a Corsan diga para o povo que esse contrato não serve. Podemos fazer uma nova chamada pública e a Corsan vem participar com prazo para entregar esgoto, para as expansões e com multa se não entregar. Tem mais 10 anos desse contrato ruim. Espero ter respaldo das forças vivas para mudar esse contrato.

A prefeitura comprou uma plataforma de saúde que custou R$ 3,3 milhões. Os vereadores dizem que existem outras prioridades como a ampliação do funcionamento dos postos de saúde.
A gente tem um horário estendido no bairro 1º de Maio. Hoje, 10% de todas as pessoas que têm consultas agendadas não comparecem. A plataforma é customizada, tem o formato de Farroupilha. Compramos o domínio do assunto. Esse plataforma vai durar pelo menos 15 anos, divide por 15 e vê o que custa por ano. Vai trazer cuidado com a vida das pessoas. Se salvar uma vida de paciente vítima de infarto terei pago todo o software. Tem gente que não quer.

Está satisfeito com a administração do Hospital São Carlos?
A administração do hospital pode ter uma gestão mais eficiente. Quando chegamos em 2013 na prefeitura tínhamos gestões políticas, que juntava o dinheiro do povo, transformava em migalhas e distribuía em varejo. Nós juntamos o dinheiro do povo, enxugamos a máquina e devolvemos em forma de estrutura. Vamos chegar até o final do segundo mandato com 70 quilômetros de asfalto no interior, com mais seis unidades de saúde, com a policlínica que está chegando e com investimento pesado no hospital. 

É alvo de um pedido de impeachment pela compra de terrenos para a Secretaria da Saúde? Tem irregularidade?
Não há irregularidade. Não ficarão esses dois pedidos. Deveremos ter “ene” pedidos. O objetivo não é o impeachment, o objetivo é improbidade para tirar o prefeito da liderança exponencial que assumiu. A minha voz não interessa a algumas forças e há gente querendo me silenciar. O grupo que esteve aqui, que hoje tem um único prefeito  (Bolivar Pasqual) com 16 anos de improbidade, e tem outro (Ademir Baretta) que todos os dias o Ministério Público pede informações sobre os seus atos de compra sem licitação, fazia por carta-convite. Hoje, 10 anos depois compramos mais barato do que naquela época. Isso incomoda esse grupo tradicional. O grupo meu e do Pedroso veio de fora, não participamos das mesmas reuniões da sociedade. Em 2019, tivemos R$ 38 milhões de superávit, não é pouca coisa. As pessoas não querem saber se um deixou um déficit de R$ 27 milhões e o outro deixou superávit de R$ 38 milhões. Um processo de impeachment ou de improbidade nasce dentro da prefeitura, não nasce fora. Tem gente dentro da prefeitura que está descontente com o prefeito.

Lideranças criticam a maneira de governar e o comparam a um líder monárquico.
Talvez eu não seja complacente. Havia um outro modelo de alinhamento. O prefeito visitava a Câmara todas as semanas. Eu não faço isso. Quando tem uma lei para mandar para a Câmara quem conversa com os vereadores é o meu secretário de Gestão e Governo que senta e explica. Eu não converso com os vereadores sobre os projetos. Eu não atuo como a monarquia. Faço uma gestão responsável com o futuro, não fazemos concessões.

Até o ano passado o governo tinha a maioria na Câmara. Agora tem a minoria.
Continuei sendo sempre quem eu fui, sempre muito transparente, honesto e respeitando as diferenças. Talvez algumas lideranças tenham conversado de forma diferente com os vereadores. Por isso, perdi a presidência da Câmara, e estão entrando esses processos. Não vou abrir mão de ser quem sou.

O seu governo está isolado?
Eu tenho uma grande equipe. Tenho 500 obras entregues para a cidade. Tenho 92 obras em andamento. Isolamento pode ser que tenha com a oposição.

Qual é o peso das decisões do procurador-geral do município Gelson Priotto?
O Gelson é importante na articulação com o próprio governo. Com o falecimento do Benani (Spilki, ex-secretário de Finanças) estou conduzindo ele (Gelson) para a Secretaria de Finanças. Junto comigo é quem conhece todo o financeiro da prefeitura. Vou trazer outro nome para a Procuradoria.

Qual o seu futuro político?
Eu não tenho tido paz na minha governança. Nem paz política, nem paz na minha vida de médico. Imediatamente vou atender sala de parto que é o que eu sei fazer.

Pretende concorrer a deputado federal?
Essa é uma construção comunitária, não é minha.

Será candidato pelo PDT ou Republicanos?
No Republicanos, não. Não é o meu perfil. Sou um lutador. 

Em recente entrevista soltou um palavrão para seus adversários. Considera correto esse tipo de manifestação?
Não é elegante, mas sou muito povo. Eu sou humano.

O senhor vai eleger sua sucessora?
O PDT escolheu como pré-candidata a Elaine Giuliato, a Rede, a Glória Menegotto, o PSB ainda está em discussão. A Elaine me agrada, mas se vai prosperar não sei porque vai ser escolhido no grupo de partidos.

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