"Um golpe nos 148 mil votos", diz presidente estadual do Republicanos sobre impeachment de Daniel Guerra - Política - Pioneiro

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Entrevista da 2ª13/01/2020 | 06h00Atualizada em 13/01/2020 | 10h08

"Um golpe nos 148 mil votos", diz presidente estadual do Republicanos sobre impeachment de Daniel Guerra

Deputado federal, Carlos Gomes, falou sobre os planos do partido em nível municipal

"Um golpe nos 148 mil votos", diz presidente estadual do Republicanos sobre impeachment de Daniel Guerra Reila Maria/Divulgação
Foto: Reila Maria / Divulgação

Até o ano passado, o Republicanos (ex-PRB) tinha cinco prefeituras no Rio Grande do Sul. Iniciou 2020 com uma a menos, após a cassação de Daniel Guerra da prefeitura de Caxias do Sul. Ao Pioneiro, o presidente estadual da legenda, o deputado federal Carlos Gomes, falou a respeito do processo de cassação de Guerra, o qual define como "golpe baixo" e sobre as pretensões do partido nas eleições municipais deste ano. Confira:  

Qual visão do Republicanos em nível estadual acerca do impeachment?

Como todas as pessoas entenderam, a cassação foi eminentemente sem fundamento jurídico. Foi vontade política à revelia da lei. Foi de fato um golpe nos 148 mil votos que Caxias confiou no projeto do prefeito Daniel.

O Republicanos perde a prefeitura do segundo maior município do Estado. Como isso impacta no partido?

Caxias é importante para o Rio Grande do Sul, para o Brasil, para o mundo. Evidentemente que é uma perda, mas acho que a maior perda nem é partidária, é para a democracia, para o devido processo legal que o impeachment requer. Depois desse episódio em Caxias, tudo pode acontecer a qualquer um  por qualquer motivo. Abriu-se precedente para se tirar qualquer prefeito, a qualquer momento, por qualquer motivo, basta não ter maioria na Câmara. Para o  partido, é uma representatividade, mas quem perde mais com tudo isso é Caxias pelo trabalho que estava sendo feito. Trabalho honesto, limpo. Mas, a gente não  tem controle de tudo.

O senhor teve contato com ex-prefeito neste tempo desde a cassação?

Acho que temos de dar tempo ao tempo, eu sei que eles (Daniel Guerra e defesa) estão judicializando, mas, sim, conversei com ele por mensagem no dia do  impeachment, mas o fato é que agora temos de lamentar o ocorrido e olhar para frente.

A Justiça negou um dos pedidos de liminar sob a argumentação de que os fatos do processo se enquadram, sim, em infrações político-administrativas e a Câmara teria, sim, competência para julgar. Ainda assim, vocês pretendem continuar defendendo o discurso de golpe? Qual a diferença, por exemplo, com o impeachment da presidente  Dilma Rousseff (PT), que o senhor foi favorável?

Olha, deixa eu te dizer, o fato é que são argumentos diferentes. Os argumentos utilizados contra o prefeito Daniel são argumentos totalmente, sabe... sem  noção. Então, eu não vejo outra expressão a ser utilizada a não ser um golpe na democracia porque, de fato, não tinha argumento jurídico nenhum. Não é uma defesa minha jurídica, é o que está posto, é um sentimento na mente coletiva.

E como o Republicanos se organiza para a eleição municipal agora?

Teremos reuniões para fazer a reorganização. Eu defendo que temos de ter candidatura (a prefeito) em Caxias do Sul, não tem por que não. Até porque há muitas pessoas com esse mesmo sentimento de que não poderia ter havido essa interrupção de gestão. Mesmo que houvesse forças políticas que não concordassem com a forma de gestão do  prefeito Daniel, que é diferente, inusitada, quebrou paradigmas e rompeu com modelos, que esperassem a próxima eleição. A sociedade que pode dizer "queremos mudar", isso é democrático, é do jogo. E eu sei que muitas pessoas estão manifestando apoio ao prefeito Daniel. Então, eu creio que exista espaço para ter candidato.

Caso Guerra não consiga reverter a situação, acha que teria algum outro nome forte?

Acho que o nome tem de sair do consenso e das reuniões do grupo. Ainda não tem nenhum nome definido, mas com certeza há nomes que o grupo irá apoiar. Com o tempo, as coisas se organizam e definiremos qual candidato lançar.

Um dos nomes bastante próximos do governo de Daniel Guerra era o do presidente municipal do partido, Júlio César Freitas da Rosa. É uma possibilidade?

Olha, tudo tem de passar pelo coletivo. Se entender que é ele, pode ser. Não há um nome determinado. Isso tudo vai ser definido em colegiado.

Uma das dificuldades do governo foi a forma que o impeachment ganhou força a partir da forte oposição da Câmara de Vereadores. O partido dará especial atenção em buscar aumentar a bancada no Legislativo?

Todo partido quer ter representatividade nas Câmaras e aumentar isso. Da nossa parte não pode ser diferente e precisamos trabalhar isso. Assim como tiveram grupos que se juntaram para fazer o que fizeram com o prefeito, há vários outros grupos partidários que não concordam e que podem colocar o nome à disposição também a outro projeto do Republicanos em Caxias.

Nessa inversão de cenário, qual a forma ideal de o Republicanos atuar como oposição ao "governo tampão" que assumiu?

Não se pode esquecer o que ocorreu em Caxias. Isso está para a história. Não são apenas os republicanos que têm de lembrar isso, tem de ser lembrado por todos para que não ocorra no futuro. O que aconteceu em Caxias foi um crime, foi surrupiar a democracia, o voto legal dos caxienses. Mas não no sentido do rancor, mais pelo respeito à democracia, às urnas. Agora, se vai ser oposição ou oposição ferrenha, isso passará pelo entendimento dos nossos vereadores. Cada um tem seu perfil. 

Caso Guerra conseguisse reverter a situação, ele seria candidato natural do Republicanos para a reeleição?

Não natural, ninguém é ao natural. Ele pode ser se a conjuntura levasse a isso. Só as condições e pesquisas que poderiam ser feitas é que confirmariam a ida dele ou não (à reeleição), junto com a anuência do grupo partidário, a executiva, etc.

O senhor reconhece alguma falha no governo? Uma crítica constante é com relação à falta de diálogo. Como a Executiva Estadual avalia a gestão de Daniel Guerra  nesse sentido?

O Daniel se elegeu falando que ia fazer o que fez. Não se afastou disso. Ele disse que ia fazer uma gestão técnica, que não ia ter conchavo político, que não ia sentar com pessoas que não achava que fossem dignas de sua confiança e da sua atenção. Agora, se não concordo contigo e por isso tem que me eliminar do mundo, onde está a democracia? Eu não tenho que usurpar poder, matar a democracia, promover golpe só porque você usa modo diferente de buscar eficiência em gestão. Houve grupo de partidos que não compreendeu, não sei se não engoliu a derrota porque foi muito grande, tudo isso estava entalado na garganta dessas pessoas. Foi golpe baixo, mas é vida que segue, não tem de lamentar, tem que levantar a cabeça. Se não voltar, fez o que disse que ia fazer. 

Como o futuro político de Daniel Guerra é visto dentro do partido?

O Daniel é uma pessoa qualificada que pode servir para muitas funções, mas só o tempo vai dizer para o quê. Mas ele é qualificado para ocupar muitos espaços de poder, até em outras instâncias. Porém, temos de esperar a coisa acontecer, e nosso foco agora é 2020.

O Daniel Guerra foi um dos eleitos em cima do discurso da "nova política". Essa cassação é um baque para esse movimento?

É um enfrentamento. O que o Daniel fez foi romper totalmente, completamente, diferente do Bolsonaro. O Bolsonaro se elegeu com o mesmo discurso, mas a diferença do Daniel para o Bolsonaro, além de intelectualmente, sem nenhum demérito para o Bolsonaro, é que o Bolsonaro tem as emendas parlamentares e outros instrumentos para angariar forças e construir uma base, ainda que mínima. O Daniel não tem emenda, o Daniel não faz acordo. Então ele estava disposto ou a fazer o que se propôs ou não fazer. Ele decidiu fazer e só não terminou porque não o deixaram. Temos de decantar, melhorar a política, e acho que é possível fazer a política sem vender sua alma e sua dignidade para ninguém. O Bolsonaro, com o passar do tempo, percebeu que precisava dialogar com forças políticas e tem emenda. O Daniel não tem emenda e ele quis romper totalmente.  Ele pagou preço alto por fazer a coisa certa, e se isso o satisfaz e o faz ter consciência tranquila, resta à população julgar seu trabalho na próxima eleição.

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