"O vice não é o partido", diz vereador sobre cargo do PSB no governo de Caxias do Sul - Política - Pioneiro

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Entrevista da 2ª27/01/2020 | 06h00Atualizada em 27/01/2020 | 06h00

"O vice não é o partido", diz vereador sobre cargo do PSB no governo de Caxias do Sul

Alberto Meneguzzi garante que continuará a fazer cobranças após cassação de Daniel Guerra

"O vice não é o partido", diz vereador sobre cargo do PSB no governo de Caxias do Sul Antonio Valiente/Agencia RBS
Foto: Antonio Valiente / Agencia RBS

Na primeira experiência como parlamentar, Alberto Meneguzzi (PSB) tem uma atuação marcada por cobranças, especialmente durante a gestão do prefeito cassado, Daniel Guerra (Republicanos). Já nos primeiros dias do governo tampão de Flavio Cassina (PTB), entretanto, o socialista não se privou de críticas em momentos pontuais. Ao Pioneiro, Meneguzzi afirmou que não pretende amenizar a postura, mesmo que um colega de partido, Elói Frizzo, componha o Executivo como vice-prefeito. Confira:

Como está a primeira experiência como vereador?
Alberto Meneguzzi:
Eu já acompanhava a política como jornalista, sempre acompanhei e gostei. Não foi muita novidade entrar aqui. Porém, no ritmo público as coisas muitas vezes não funcionam na celeridade que a gente gostaria. Mas eu acho que está sendo bem positiva. A relação com o público a gente faz no gabinete. Tive o projeto que implementei como presidente da Câmara da publicação de todos os atos do Legislativo no diário oficial eletrônico, o projeto antinepotismo foi uma ideia nossa do PSB, o projeto anticorrupção, que ainda está para ser votado. O projeto da agência municipal de empregos, que talvez agora com o Cassina quem sabe a gente possa começar a implementar. Acho que tem sido uma experiência positiva sim.

Pretende concorrer novamente?
Está sendo discutido dentro do PSB. A tendência é reeleição a vereador. Mas a gente tem muita coisa para discutir, inclusive a participação do PSB na majoritária. A prioridade do partido é a nominata de vereador, mas eu, particularmente, acho que é o momento de o PSB estar numa majoritária. São discussões que o partido vai fazer ainda.

Não teme ficar marcado pelo impeachment?
Quando entrei na presidência já tive que lidar com um pedido de impeachment, fui eu que comandei aquele primeiro pedido como presidente da Câmara. Foram sete pedidos e só não foram oito porque eu impedi um quando devolvi para o Ricardo Fabris porque achei um absurdo que ele entregasse na portaria um pedido de impeachment. Eu não temo ficar marcado por isso. Acho que vou ficar marcado pela luta em favor da saúde, cultura. Todas as discussões importantes desembocaram na Câmara de Vereadores, o Legislativo encaminhou uma série de assuntos porque o prefeito não dialogava. As pessoas não acompanham política. As pessoas não sabem das lutas da Câmara. Não fosse a  Câmara, esses três últimos anos seriam bem piores.

Mas na questão eleitoral, não tem receio de ficar vinculado a esse ato de cassação?
Votaria de novo como votei. Eu entendo a população. Teve processo democrático em 2016, ele (Daniel Guerra) se elegeu com 148 mil votos, mas 146 mil não votaram nele, entre nulos, brancos, abstenções e quem votou no (Edson) Néspolo (PDT). As pessoas não estão insatisfeitas por esse cenário, estão insatisfeitas com a classe política no geral. E com razão, a classe fez por merecer. Mas pior do que estava a cidade não vai ficar.

Não foi golpe então na visão do senhor?
Não, não. Teve um processo legítimo, com sorteio de comissão processante, investigação, apuração e relatório a partir dos regimentos leis e depoimentos. Eu votei a favor do relatório que foi apresentado. Se o relatório dissesse para não cassar eu votaria a favor de não cassar. Eu confiei no relatório, estudei o relatório... Não foi golpe, não.

O senhor já fez contestações ao novo governo no plenário. Vai se restringir no trabalho de oposição de algum modo pelo fato de o PSB ter o vice-prefeito (Elói Frizzo)?
Eu não sou de oposição, ou de situação. Esse papo não cola mais. As pessoas querem que o parlamentar tenha posições. Eu tenho posições, independentemente de governo. Não vou arrefecer a luta, vou cobrar e fiscalizar. Gostem ou não, esse vai ser meu espírito de atuação.

Pedido de impeachment contra Cassina e Frizzo, como o senhor vai votar?
Vou votar não. Eu já li, não tem cabimento, aliás, pela admissibilidade, entre todos os pedidos, eu votei em apenas dois. Mas entendo que é democrático e legítimo.

O artigo 55 da Lei Orgânica veda que vereador ocupe dois cargos eletivos. O senhor acha correto isso que aconteceu?
Não sei da parte jurídica deste caso em específico. A Câmara tem assessoria para orientar os vereadores. Se o assessor jurídico pago para isso não orientou, é uma falha da Câmara de Vereadores, da assessoria jurídica.

Como avalia essa situação envolvendo o IGH e a UPA Zona Norte?
Essa empresa IGH apresentou problemas desde o início. Sou contra a terceirização, acharam que ia diminuir custo e a gente viu que o modelo com terceirização não tem dado certo. É uma gestão com muitos problemas, tanto é que foram apontados na fiscalização da Secretaria Municipal da Saúde. O governo anterior foi conivente com essa empresa. A gente denunciou as irregularidades por três anos. O secretário estava escondendo a situação (das irregularidades do IGH). Eu que tive que apresentar documento revelando que a empresa ia sair pelas irregularidades apontadas. Demoraram 19 meses para fazer a primeira investigação. A empresa decidiu cumprir o contrato, é razoável a decisão para não prejudicar o atendimento, mas tem de fazer um cronograma sério.

Colocaria o seu nome à disposição para prefeitura?
Estou focado no meu mandato de vereador. Mas entendo que o partido tem de pensar na majoritária, sim. Hoje o partido tem um vice no governo, mas o vice não é o partido. O Frizzo é integrante do PSB, mas não é ele quem manda no partido. É um dos integrantes. Se me perguntar "tu és governo?", vou dizer, não, o PSB do Frizzo está na prefeitura, o PSB do Meneguzzi não está. Eu não me considero do governo. PSB do Frizzo está lá, mas faltou uma discussão mais ampla do partido para pensar de que forma podemos construir propostas e não cargos. E isso vale para todos os partidos. Aliás, penso que quem se dispõe a fazer parte deste governo de transição não deveria ser candidato a vereador. Uma pessoa que tem um cargo muito forte não pode ficar só três meses. 

E como avalia a postura do novo governo até o momento?
Diálogo só não basta. Dizer que as portas estão abertas não significa nada. Isso é óbvio, não precisa nem dizer, está em todo plano de governo, na verdade nem precisa estar em plano de governo, diálogo é óbvio. Agora, escuta verdadeira e ouvir opinião de vereador e liderança. Aí são outros quinhentos. A escuta verdadeira requer vontade de ouvir as pessoas e os encaminhamentos sugeridos por delas. Esse início, até pela rapidez que tiveram que assumir, no meu caso não houve escuta verdadeira. No meu caso não fui chamado para nada. Não quero ser chamado para pedirem "quem tu indicas para tal cargo?". Quero que perguntem o que sugiro para a área que conheço, que tenho experiência. Não é "quem" tu sugere, é "o que" tu sugere.

Como é sua relação com o Elói Frizzo?
Boa. É uma relação verdadeira. O Elói Frizzo tem uma característica, ele é uma figura muito democrática. Ele sabe ouvir, discutir. Já tivemos discussões muito fortes, mas saiu da porta... É uma discussão muito política. Eu também tenho a minha militância no PSB, tenho colaborado com o partido, não preciso aceitar todas as ideias que o Frizzo tem, eu gosto de dialogar, de discutir. E o partido tem que ser para isso. Se ele for de uma pessoa só que indica, que decide, que faz, não tem sentido de existir.

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