Ex-candidato diz estar à disposição para concorrer a prefeito de Caxias - Política - Pioneiro

Vers?o mobile

 
 

Entrevista da 2ª19/01/2020 | 20h12

Ex-candidato diz estar à disposição para concorrer a prefeito de Caxias

Para Edson Néspolo o PDT não deve ocupar cargos no governo Flavio Cassina

Ex-candidato diz estar à disposição para concorrer a prefeito de Caxias Cleiton Thiele/Divulgação
Foto: Cleiton Thiele / Divulgação

O presidente da Gramadotur e ex-candidato à prefeitura de Caxias do Sul em 2016, Edson Néspolo (PDT), surge como principal alternativa do partido para a disputa de outubro. 

Nesta entrevista, Néspolo comenta sobre o impeachment do ex-prefeito Daniel Guerra (Republicanos),  diz que o PDT não deve ocupar cargos no Governo Flavio Cassina e garante que está à disposição para concorrer em outubro, se for a vontade da população e de seu partido.

Pioneiro: Tem acompanhado o novo governo? Qual a sua avaliação até agora?
Edson Néspolo:
Não tenho a mínima ideia. O Natal Luz terminou na semana passada. Eu estava (envolvido) até a cabeça. Nesta semana, fui a Brasília e voltei quinta de noite. Eu sei dois ou três secretários, mas não tenho conseguido acompanhar. Eu vim sexta à noite para Caxias e participei de um evento da família. Eu estava muito envolvido com o Natal Luz.

Como se define diante do novo governo. É aliado ou está na oposição?
Eu acho que agora é uma questão de cidade. Tem que ajudar. A saída (impeachment de Daniel Guerra) teve um apoio maciço. Os vereadores têm que ajudar no que puderem.

O PDT deve integrar ou não o Governo Cassina?
Sou totalmente contra o PDT ter cargos. Acho um absurdo. O PDT não pode fazer parte com cargos. Vai parecer que o partido é carguista, vai parecer uma situação aproveitadora, de todo mundo querendo mamar como sempre. Nós fomos jogados para a oposição há quatro anos e tem que respeitar essas questões. Nós perdemos a eleição e tem que respeitar. Agora ir para um governo para aparentar que está atrás de cargo é a parte mais nojenta da política, e a gente tem que se livrar disso. É difícil falar sobre esse contexto por que não estou vivendo o dia a dia.

O que o novo governo deve fazer para conquistar apoio da população?
Uma coisa que o governo anterior mais se distanciou (da população) foi a falta de diálogo. Tomar decisões de cima para baixo, isso é totalmente contramão de tudo o que a gente pensa. A gente sabe que quanto mais a gente socializa, quanto mais divide, menos chance tem de errar e mais tu envolve as pessoas. O grande erro do Governo Guerra foi esse isolamento que ele mesmo se colocou e depois colocou o governo dele. Muito distante da comunidade. O Cassina é uma grande figura. Eu gosto muito dele e acho que é uma pessoa muito séria. Ele tem que ouvir e fazer um governo mais democrático. Esses governos totalitários não têm como dar certo. O Guerra infelizmente errou muito nisso.  

Qual sua avaliação sobre a cassação do prefeito Daniel Guerra?
Eu não tenho como falar. Eu ouvia muita gente que me encontrava em Gramado, mas é uma coisa muito artificial. Mas posso dizer o seguinte: uma pessoa que é avisada sete vezes e não faz nada para melhorar. Tem vereadores que votaram pela cassação que eu acho que dificilmente votaria, mas votaram por que o Guerra não deu outro caminho. Não vou entrar no mérito porque não sei qual a consistência das denúncias, mas eu sei de vereadores que devem ter votado no extremo do extremo porque não tinha mais o que fazer. O Guerra não ajudou em nada.

O Governo Flavio Cassina e Elói Frizzo já tem um pedido de impeachment contra eles. Qual sua opinião sobre esse instrumento?
É lamentável para a imagem de Caxias. Não tenho como entrar no mérito nem desse e nem dos outros (pedidos de impeachment), mas estava nesta semana em Brasília e as pessoas não falam mais em Caxias como uma cidade pujante, eles falam das confusões políticas que estamos vivendo. Nesses dois últimos anos, eu ouvia muita chacota sobre Caxias, o que me revolta e me deixa muito chateado. Eu sei que é um instrumento democrático, mas Caxias banalizou isso nos últimos anos. Sinceramente, as pessoas têm que aprender a ganhar ou perder e respeitar mais os outros. Nesses três anos eu fui várias vezes perguntado sobre como estava o Governo Guerra e respondia: eu perdi a eleição, quero ser respeitado e quero que ele faça o governo dele. Eu nunca fui atrás de prejudicá-lo ou querer interromper a vida dele. Ele (Guerra) só plantou vento e tempestade e queria colher o quê? É muita banalização do impeachment em Caxias. A gente tem que ter uma maturidade maior nos próximos anos. Não dá para ter um clima desses aí.  

Gostaria de ter outra chance de concorrer a prefeito?
Eu sempre falo que as minhas vontades pessoais estão abaixo do interesse maior que primeiro é da comunidade e depois do partido. Se eu tiver que dar um passo atrás e me convencerem que tem outras pessoas e que para Caxias é melhor isso ou aquilo, eu vou refletir muito sobre isso. O partido está acima das minhas vaidades e vontades pessoais. Agora se o partido achar que eu sou o melhor nome, vou me colocar à disposição, não por uma questão revanchista, mas porque acho que tenho uma grande contribuição para dar. Já administrei tantas secretarias com o (ex-prefeito José Ivo) Sartori, fui desafiado com 26 anos ser secretário de Educação do município, já passei com tantas experiências em nível de gestão, em escolas em que fui diretor, na Festa da Uva, agora na GramadoTur, na frente de grandes eventos e sempre com resultado muito positivos. Eu teria uma grande contribuição para dar, e uma guinada na questão do eixo econômico da cidade que sofre a tantos anos com o setor metalmecânico. Agora com calma tem que ouvir todo mundo e se convergirem no partido e se algumas lideranças também  acharem que posso dar uma contribuição, vou vir com muita garra.

O ex-prefeito Alceu Barbosa Velho já indicou seu nome como possível candidato à prefeitura.
O Alceu é uma grande figura, tenho um grande respeito, mas tem o partido inteiro. Eu tenho recebido essas manifestações dia a dia. No PDT, tenho encontrado pessoas que me apoiam, imagino que também têm pessoas que tenham resistência, e isso é democrático e normal, mas tem aumentado muito o apoio de pessoas do partido para eu concorrer, vamos aguardar. Estou muito pé no chão. Graças a Deus, estou em um momento bom onde trabalho, tenho convites de outros lugares, mas tenho muita vontade de dar minha contribuição para Caxias e com muita determinação.

O impeachment de Guerra vai alterar a disputa eleitoral de outubro?
Acho que sim. As coisas estavam mais claras. Hoje temos um governo que deve ser ajudado acima das vaidades pessoais. Certamente dar tem impacto. Caxias tem que ir para uma disputa com maturidade, não pode errar. Tem que colocar (eleger) pessoas preparadas independente dos nomes, que tenham experiência e que não vão fazer uma aventura no cargo (de prefeito).  

Se for candidato a prefeito, qual deve ser a estratégia de alianças para a eleição?
Não pode, não pode ter um amontoado de partidos. A população está repugnando isso. Por isso que estou mais leve para concorrer com dois, três, quatro partidos, e não ficar tão dependente em ter que contemplar muita gente. Estou mais leve, e hoje é uma coisa mais amadurecida. Os erros que a gente cometeu foi em decorrência de muita gente dando opinião, muito interesse de grandes partidos. Não quero nem pensar mais nisso. É uma coligação de dois, três partidos, mas não para fazer um grande conchavo. Isso a gente vai aprendendo com a vida.

Leia também:
As polêmicas do novo prefeito de Caxias do Sul Flavio Cassina
Poderes do vice-prefeito de Caxias do Sul são ampliados
Republicanos entra com ação contra prefeito e vice de Caxias por não terem renunciado a cargos de vereador ao assumirem a prefeitura

 
 
 

Veja também

 
Pioneiro
Busca
clicRBS
Nova busca - outros