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Novo governo20/01/2020 | 21h08

Discurso de independência se amplia na Câmara de Vereadores de Caxias

Flavio Cassina contou com o apoio de 19 vereadores na eleição indireta. Oposição segue com 3 vereadores

Discurso de independência se amplia na Câmara de Vereadores de Caxias Gabriela Bento Alves/Divulgação
Foto: Gabriela Bento Alves / Divulgação

O Governo Flavio Cassina (PTB) contará com o apoio da maioria dos vereadores. Dos 23 parlamentares, apenas três votaram contra a chapa única – Elisandro Fiuza e Tibiriçá Maineri, ambos do Republicanos, mesmo partido do prefeito cassado Daniel Guerra, e Denise Pessôa, do PT. O resultado da eleição indireta de 9 de janeiro aponta que o novo governo praticamente não terá oposição no parlamento. Os três que deram voto contrário à chapa não conseguiram ampliar o espaço da oposição, ainda que boa parte dos vereadores que votaram a favor da chapa única prefira não se assumir ao governo, ensaiando o tradicional discurso de independência.

– Se o projeto for bom, votarei a favor. Se o projeto não for bom, vou me manifestar contrário. Vou atuar de forma independente – sintetiza o vereador Renato Oliveira (PCdoB).

Essa postura é compreensível em ano eleitoral. Constituir-se em base de apoio automaticamente transforma uma bancada ou partido em vidraça. O MDB, por exemplo, tratou logo de assumir-se como independente, esclarecendo que qualquer indicação de integrantes do partido era escolha do prefeito Cassina.

O Pioneiro perguntou para nove vereadores como pretendem atuar em relação ao novo governo. Com exceção dos vereadores Fiuza e Tibiriçá, que não responderam até o fechamento da reportagem, os outros manifestaram-se que pretendem ter posição de independência à nova administração – exceto Denise, que votou contra a chapa única e confirma sua condição de oposição. Arlindo Bandeira (PP) foi o único que se admitiu como “situação”.

Porém, as primeiras ações do vereador Alberto Meneguzzi (PSB) têm causado surpresa e até constrangimento em vereadores da base da governo. Na semana passada, o socialista manifestou-se contrário à manutenção do Instituto de Gestão e Humanização (IGH) na gestão da Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) Zona Norte.

Dois pedidos de informações protocolados por Meneguzzi e que serão votados na sessão representativa da Câmara de hoje aumentaram a tensão. Ele pede informações sobre o quadro de pessoal da Fundação de Assistência Social (FAS) e requer informações sobre o processo de identificação e encaminhamento para tratamento pela Secretaria Municipal de Educação (Smed) de estudantes com possíveis sintomas de problemas neurológicos e psicológicos.

– O vereador poderia ter solicitado essas informações com dois telefonemas. Temos um inimigo na trincheira. Preferiu expor o governo. Deve ser uma disputa com o vice (Elói Frizzo) – disse um vereador da base governista, que pede para ter a identidade preservada.

Meneguzzi adianta que continuará atuando da mesma maneira que no Governo Guerra. Os pedidos de informações, diz ele, servem para obter documentos sobre o assunto solicitado.

– Vou continuar protocolando as indicações como fazia com o prefeito Daniel e cobrando. O problema é deles (vereadores) se se sentirem incomodados. Sei que tira tempo do governo, mas o vereador pode apontar possíveis erros e colaborar com a administração. Espero que esse governo ouça o que dizemos – defendeu Meneguzzi.

O socialista negou que suas ações sejam para confrontar o vice-prefeito Elói Frizzo. Segundo ele, os assuntos partidários são tratados dentro do partido.

– Eu e o Frizzo temos uma relação muito sincera.

CRÍTICA NA REDE SOCIAL

Já o vereador Rafael Bueno (PDT), que tem buscado se descolar do governo, criticou ontem fortemente em uma rede social a possibilidade de prorrogação por mais seis meses do contrato de concessão com a Visate, acenada por Frizzo em entrevista à Gaúcha Serra.

“Como assim será prorrogado por mais 6 meses o contrato com a Visate? Primeiro é cancelada a licitação e agora tal prorrogação? Foi uma conversa de gabinete entre interessados ou em uma audiência pública? E hoje (ontem) foi anunciado um provável aumento em torno de R$ 4,70 na tarifa, que é de R$ 4,25. Convenhamos, está muito esquisita essa nuvem de fumaça. É preciso muita transparência e a participação dos usuários nesse processo”, escreveu. (Com Ciro Fabres)

O QUE DIZEM

A reportagem contatou os três vereadores que votaram contrários à chapa Flavio Cassina (PTB)-Elói Frizzo (PSB), mais representantes de partidos não-automaticamente alinhados ou próximos ao grupo que está no novo governo. Além do vereador Alberto Meneguzzi (PSB), que tem exposto visão crítica, especialmente em relação à gestão da UPA Zona Norte, e do vereador Rafael Bueno (PDT), que, em suas manifestações, tem buscado se descolar do novo governo. Tibiriçá Maineri e Elisandro Fiuza, ambos do Republicanos, não retornaram à consulta.

"Se o projeto for bom, votarei a favor. Se o projeto não for bom, vou me manifestar contrário. Vou atuar de forma independente. O prefeito Cassina tem dado bons sinais, como o diálogo com entidades empresariais e os movimentos sociais. Os secretários atendem às ligações e têm dado respostas sim ou não." Renato Oliveira (PCdoB)

"Mais um governo que sou oposição. Mas não impede de votar a favor dos projetos que são bons para a nossa cidade. Não foi o caminho eleitoral que eu escolhi (a eleição indireta). Tem que esperar um pouco mais para avaliar esse governo." Denise Pessôa (PT)

"Vou manter o mesmo posicionamento que tinha com relação ao Governo Guerra. Nem oposição nem situação. Tudo o que for bom para a população, estaremos apoiando, e o que não for, estaremos cobrando. Nosso objetivo é buscar o melhor para a população." Tatiane Frizzo (Solidariedade)

"Independente. Nem situação e nem oposição. Não tivemos reunião de bancada. É o momento de agir e fazer as mudanças necessárias. Não adianta trocar a parentada que tinha de CCs e fazer acordos de gabinetes para colocar amigos partidários." Rafael Bueno (PDT)

"Vou ter a mesma atitude que sempre tive. Projetos e ações boas, estarei junto, e o que achar que não está certo, vou cobrar. Deixei claro no meu pronunciamento no dia do impeachment." Kiko Girardi (PSD)

"Vou continuar protocolando as indicações como fazia com o prefeito Daniel e cobrando. O problema é deles (vereadores) se se sentirem incomodados (pelos pedidos de informação). Sei que tira tempo do governo, mas o vereador pode apontar possíveis erros e colaborar com a administração. Espero que esse governo ouça o que dizemos." Alberto Meneguzzi (PSB)

"Agora sou vereador de situação. Mas vou continuar cobrando coisas para o nosso interior." Arlindo Bandeira (PP)

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