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Impeachment17/12/2019 | 06h00Atualizada em 17/12/2019 | 06h00

Três entre 12 entidades se posicionam sobre possibilidade de impeachment de Daniel Guerra

Pioneiro ouviu entidades representativas para falar sobre eventual afastamento do prefeito, mas poucas assumiram posição

Três entre 12 entidades se posicionam sobre possibilidade de impeachment de Daniel Guerra Felipe Nyland/Agencia RBS
Foto: Felipe Nyland / Agencia RBS

Ao longo dos três anos que completam a administração do prefeito Daniel Guerra (Republicanos), foram recorrentes manifestações de entidades criticando suposta falta de diálogo do poder público com diferentes setores representativos. 

A mais notória discordância com a postura da gestão pública foi por parte da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços (CIC) de Caxias do Sul, que, por meio de pronunciamentos do seu atual presidente, Ivanir Gasparin, criticou em diferentes ocasiões decisões tomadas pela prefeitura. Foi justamente o acumulado de desavenças que fez ruir as relações institucionais que em parte embasaram a sétima denúncia contra o prefeito, atualmente em trâmite no Legislativo. 

No entanto, com a proximidade da apresentação do parecer final da Comissão Processante, que será submetido para votação do plenário (pelo arquivamento ou cassação), e que deve ser apresentado amanhã, a maior parte das entidades recuou em se posicionar sobre a situação. 

Na tarde desta segunda-feira (16), o Pioneiro fez levantamento junto a 11 representações setoriais do município. Entre as consultadas, poucas manifestaram oficialmente a opinião sobre a possibilidade de afastamento do chefe do Executivo. A pergunta feita aos entrevistados foi a mesma: "Para sua entidade, neste momento, o que é melhor para Caxias: o afastamento do prefeito? Ou a continuidade do Governo Guerra?" 

Apenas três delas se pronunciaram enfaticamente e divergiram sobre o tema: União das Associações de Bairros (UAB), Sindicato do Comércio Varejista (Sindilojas) e Diretório Central dos Estudantes da UCS (DCE/UCS). Outros representantes, como Assis Melo, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, assumem posição, mas em caráter pessoal.

Pergunta: para sua entidade, neste momento, o que é melhor para caxias: o afastamento do prefeito? ou a continuidade do governo guerra?

As respostas:

"Não sei tecnicamente o que é mais viável. Enquanto cidadão, percebo uma cidade travada. As coisas não andam como deveriam, em termos de diálogo e de postura. Quanto à universidade, é uma postura adversa do que se esperaria de uma prefeitura. Ele (prefeito) também faz parte do Conselho Diretor da universidade e tem uma postura contrária à própria universidade. Mas em termos técnicos, não saberia me posicionar. O que seria melhor para Caxias? Falta só um ano (de gestão), não sei o que seria melhor."Evaldo Antonio Kuiava, reitor da Universidade de Caxias do Sul (UCS)

"Entre os servidores, tem gente que defende prefeito e tem gente que não. Não há uma opinião oficial do sindicato."Silvana Piroli, presidente do Sindicato dos Servidores Municipais (Sindiserv)

"Não gostaria de comentar, até porque (o processo) está na Câmara. Gostaria de deixar tanto a Câmara quanto o Executivo se acertarem. Agora, que existe momento de turbulência em Caxias, eu não tenho dúvida. Mas prefiro esperar o pessoal do Legislativo e Executivo se resolver. Para Caxias, tem de ter paz, teria de haver um grande acordo entre Legislativo e Executivo."Ivanir Gasparin, presidente da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços (CIC) de Caxias do Sul

"Como bispo, chegando há três meses na cidade, não tenho condição de emitir juízo sobre isso. Não estaria correspondendo à realidade daquilo que está acontecendo. Seria prematuro e não estaria fazendo justiça para ambas as partes. Temos de olhar para a coisa toda: o que a cidade ganha, ou o que a cidade perde? Coloco nas orações diárias os nossos administradores, seja prefeito ou Câmara de Vereadores."Dom José Gislon, bispo da Diocese de Caxias

"Como presidente (do sindicato), não reuni a direção para ter uma posição como entidade. Minha opinião pessoal, sem uma análise mais profunda do fato, técnica, onde se aponte o crime de responsabilidade, meu entendimento é de que se deveria respeitar o voto popular. Neste momento, eu seria contrário ao impeachment. É uma administração infelizmente trágica. Episódios lamentáveis, me sinto constrangido em ver uma retroescavadeira derrubando uma banca de revista. Isso foi um símbolo do atraso. Enfim, acho a administração trágica, mas nem por isso sou a favor do impeachment, porque afinal de contas a população votou massivamente no prefeito." Assis Melo, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Caxias e Região

"O Simplás entende que, acima de todos os interesses e vaidades individuais, deve ficar o bem-estar da população, que espera um retorno dos impostos que paga. O mínimo que se espera é que todos os representantes do poder público tenham a maturidade e a honestidade necessárias para atuarem em harmonia entre si e com a iniciativa privada em favor de toda sociedade." Gelson de Oliveira, presidente do Simplás

"(A favor) do afastamento, sem dúvidas. Caxias do Sul não merece o que está acontecendo. Precisamos retomar o crescimento desta cidade, que parou no tempo, está abandonada." Valdir Walter, presidente da União das Associações de Bairros (UAB)

"Como entidade, não podemos emitir opiniões políticas. Então, ficarei neutro. Tenho uma posição pessoal, mas como sou presidente do Simecs, também irei resguardá-la. Nós temos pouca proximidade com o prefeito, conversamos mais com o secretário Emílio (Andreazza, secretário de Desenvolvimento Econômico), o prefeito não comparece em reuniões, não conversa com a gente." Paulo Spanholi, presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico(Simecs)

"Todo afastamento acaba sendo prejudicial para a política, por outro lado, a situação da maneira que está, a condução política dele e os graves problemas criados junto a todas as entidades e toda a sociedade, torna bastante difícil a continuidade. De nossa parte, da OAB, não há posicionamento. Aguardamos relatório da Comissão Processante para dizer se concordamos ou não. A forma que ele tem conduzido a política da cidade tem levado a gente entender que o afastamento é melhor, mas isso não significa necessariamente que somos a favor do afastamento, pois faremos a análise do relatório." Rudimar Brogliato, presidente da subseção da OAB em Caxias do Sul

"Neste momento, que se termine de uma vez por todas essa situação. Se a Justiça coloca que o processo está correto e é isso que tem de acontecer, que aconteça. O pior são as coisas ficarem sem definição. A gestão optou por um modelo um tanto fechado com relação à comunidade, sem dar espaço para compartilhar as decisões e sem abertura para apontamentos. A gente não acredita neste modelo de gestão." Ivonei Pioner, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) Caxias

"Como entidade que depende do poder público para várias ações, nessa altura do campeonato, tendo três anos à frente de Caxias do Sul, para nós é melhor que continue e não precise trocar todo o secretariado e tudo de novo por pouco tempo. Em ano de eleição, como pouca coisa vai acontecer mesmo, que continue (o governo). A gestão (de Daniel Guerra) não somou nada para nós do comércio, nada para a entidade, não tivemos acesso e nem nossas ações foram atendidas." Idalice Manchini, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Caxias do Sul (Sindilojas)

"É preciso ter embasamento jurídico e técnico para se efetivar processo de afastamento. Quando houve votação do Daniel Guerra, particularmente, ele não foi meu candidato e o projeto político dele não me representa. Porém, o voto da urna precisa ser respeito, a não ser que haja embasamento jurídico, o que não me parece ser o caso. O afastamento parece muito mais político, pela relação que ele tem com os outros entes, do que de fato alguma irregularidade jurídica. Acho que o município se prejudica como um todo, pois atrasa o desenvolvimento social e econômico da região, da cidade. A gente sempre é favorável ao que respeita a democracia. Apesar de ser um governo desastroso, ser muito ruim para a cidade e não pensar no bem-estar social, mas, ainda assim, é um projeto que foi eleito nas urnas. Tem de ser feita oposição de forma democrática, com as pessoas participando deste processo." Hector de Oliveira Vieira, presidente do Diretório Central dos Estudantes da UCS (DCE/UCS) 

Placar

Contra o afastamento: 2
A favor do afastamento: 1
Não assumiram posição: 9

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