Integrantes de administrações comandadas por grupo adversário de Daniel Guerra predominam em governo interino - Política - Pioneiro

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Prefeitura27/12/2019 | 20h31Atualizada em 27/12/2019 | 20h31

Integrantes de administrações comandadas por grupo adversário de Daniel Guerra predominam em governo interino

Embora encaminhada a eleição indireta, alguns partidos já adiantam que não devem participar por não reconhecerem a validade do impeachment

Integrantes de administrações comandadas por grupo adversário de Daniel Guerra predominam em governo interino Porthus Junior/Agencia RBS
Foto: Porthus Junior / Agencia RBS

Quando concorreu a prefeito em 2016, a candidatura de Daniel Guerra (Republicanos) tinha como premissa o contraponto ao grupo político que governou Caxias do Sul por 12 anos (de 2015 a 2017) com José Ivo Sartori (MDB), por dois mandatos, e Alceu Barbosa Velho (PDT). Guerra venceu as eleições com maioria expressiva de 62,79%, o equivalente a mais de 148 mil votos. 

Com apenas dois vereadores na base do governo na Câmara, acabou sofrendo forte oposição da maioria do plenário. A falta de relação institucional com o Legislativo contribuiu para agravar a situação, que culminou na cassação no último dia 22 de dezembro. Com o afastamento de Guerra, formou-se uma equipe de transição, composta, até o momento, por 22 integrantes (incluindo secretários, presidentes de autarquias e subprefeitos). Desses, 10 já estiveram nos governos de Alceu e Sartori.

Do primeiro escalão, 14 nomes já foram definidos. Dez deles possuem filiação política. Estão representados os partidos MDB, PP, PSB, PSDB e PTB. Todos esses atuaram como oposição à gestão de Guerra e integraram os governos de Alceu e Sartori. 

Embora esteja encaminhada a eleição indireta para o dia 9 de janeiro (matéria abaixo), alguns partidos já adiantam que não devem participar do pleito por não reconhecerem a validade do impeachment e alegarem motivos políticos na cassação do prefeito. 

Foto:

Total

PTB : 3 integrantes
PSB: 3 integrantes
MDB: 3 integrantes
PP: 1 integrante
PSDB: 1 integrante
Sem partido: 3 integrantes

O Pioneiro buscou a opinião de lideranças de legendas que não compõem a equipe de transição para avaliar a atual composição do governo interino e as perspectivas para o cenário político após o impeachment.

Pergunta: o retorno de nomes e partidos que compunham o grupo político que governou Caxias por 12 anos antes de Daniel Guerra reforça o argumento de inversão do processo democrático gerado pela cassação?

"Primeiro lugar: a regra democrática implica que haja eleição e o povo eleja o governo. Sempre que se fere essa regra democrática, é muito grave. 'Ah, o prefeito é ruim', oquêi, qual o remédio para trocar o prefeito? É esperar a eleição e deixar o povo decidir. Isso é muito grave, pois quem vai assumir o governo não foi eleito para governar. É uma banalização da ideia de que o impeachment é uma questão política, não, não é política, ela é técnico-jurídica, tem de haver crime de responsabilidade. Sobre o que vem pela frente é uma incógnita, porque não precisaram apresentar programa para se eleger. Não vemos sentido, não nos reunimos para discutir, mas a tendência é o PT não participar do processo indireto. Queremos é eleição direta. Como diz o ditado, quem pariu o Mateus que embale." Pepe Vargas, deputado estadual do PT

"Não falo em nome do partido, mas falando em meu nome, acho muito ruim que o processo de impeachment tenha se dado com argumentos tão frágeis e abre um precedente perigoso. Fica claro e inegável que houve acordo político para a derrubada do prefeito para que esse mesmo grupo que derrubou o prefeito assuma o governo. Ficou claro também que já há um candidato a prefeito e vice-prefeito praticamente eleitos desde outubro. O Novo não vai participar deste pleito (indireto). Ainda que legítima a posição dos vereadores, entendemos como frágil e ruim para a instituição. Não devemos participar porque entendemos que não matamos o cara, por isso não vamos carregar o caixão". Marcelo Slaviero, provável pré-candidato a prefeito do Partido Novo

"O que eu vejo, falo como opinião pessoal, é quem está assumindo a prefeitura é a Câmara de Vereadores, está dentro da lei, até porque não apresentariam nada para prejudicar a cidade e para equacionar um problema que surgiu. Talvez podem chamar pessoas de outros partidos, mas não participamos disso (processo de impeachment). Não posso comentar, pois é algo novo e, ao que parece, momentâneo. O Democratas sempre esteve à disposição para ajudar a cidade, embora não estejamos envolvidos neste contexto." Milton Corlatti, presidente do DEM

"A Executiva do Podemos de Caxias do Sul emitiu nota para informar que descartou "qualquer participação do partido na ocupação de cargos de confiança". Dessa forma, nenhum filiado do Podemos poderá compor o governo que está se instalando na cidade após o impeachment, sob pena de 'desligamento automático'". Quem assina a nota é Antonio Feldmann, presidente do Podemos Caxias

O Pioneiro não conseguiu contato com o presidente do PCdoB, Paulo Freitas, e com o deputado estadual do Solidariedade, Neri, o Carteiro. Pelo Republicanos, o ex-secretário da Saúde, Júlio Freitas, já havia dito que prefere não se pronunciar.

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