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Entrevista26/12/2019 | 11h52Atualizada em 26/12/2019 | 12h14

"Estamos pegando uma administração no escuro", afirma chefe de gabinete do governo interino em Caxias

João Uez (PSDB) falou em entrevista à Gaúcha Serra sobre ações em relação a projetos que estão em andamento na prefeitura

"Estamos pegando uma administração no escuro", afirma chefe de gabinete do governo interino em Caxias Viviany Dupont/Divulgação
Chefe de gabinete interino também assumiu seis pastas da administração municipal Foto: Viviany Dupont / Divulgação

O primeiro dia do governo interino de Caxias do Sul após o recesso de Natal dos servidores do Executivo servirá para a equipe do prefeito interino, Flavio Cassina (PTB), se inteirar sobre a situação das diversas secretarias e autarquias municipais. O governo interino ficará por um período de até 30 dias, dentro do qual a Câmara de Vereadores deverá escolher, de forma indireta, quem serão o prefeito e vice-prefeito que vão comandar de forma definitiva a cidade até o fim de 2020. Como Cassina já se colocou como candidato a assumir a prefeitura até o fim do mandato, existe a possibilidade de o prefeito interino se tornar definitivo. 

Em entrevista ao programa Gaúcha Hoje, da rádio Gaúcha Serra, na manhã desta quinta-feira (26), o chefe de gabinete do governo interino, João Uez, afirmou que o dia será de ir às secretarias, conhecer a estrutura de funcionários e fazer o diagnóstico dos projetos que estão em andamento.

— Estamos pegando uma administração no escuro. Até o presente momento, não temos dados, não temos levantamento. Porque uma coisa é você fazer uma transição de governo de 40 dias, um mês, três meses; outra coisa é assumir de um dia para o outro, não ter a quem se dirigir, ex-secretários, ex cargos em confiança, e somente servidores públicos, que são extremamente qualificados e que vão poder nos dar todo apoio e o suporte — afirmou.

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Segundo Uez, a Secretaria de Recursos Humanos recebeu uma lista de 100 exonerações de cargos em confiança do governo de Daniel Guerra (Republicanos), mas o atual governo interino ainda não sabe se absolutamente todos os CCs se exoneraram ou se ainda há funcionários nestes cargos.

Perguntado sobre o perfil de governo municipal retornar a uma política de distribuição de cargos para aliados políticos, algo muito criticado por Guerra e que foi um dos argumentos que atraíram o apoio de eleitores na campanha de 2016, Uez disse que, neste momento, são voluntários. O próprio João Uez é filiado ao PSDB, partido da vereadora Paula Ioris, que votou favoravelmente ao impeachment. Ele é sobrinho do vereador Velocino Uez (PDT), mas destaca que entrou muito antes do tio na vida política. 

— O prefeito Cassina deixou muito bem claro para nós que as escolhas foram extremamente de confiança dele. Você pode ver que há diversas secretarias neste momento sendo lideradas por servidores públicos de carreira, sem filiação partidária. Claro que um dos temas principais da campanha de 2016 era essa situação do apadrinhamento, de pessoas filiadas a partidos políticos. Nesse primeiro momento, são voluntários que se colocaram à disposição do prefeito Cassina para fazer essa condução, desses 15, 20 ou 30 dias, até a eleição do novo prefeito. Não temos garantia alguma de continuar nos cargos — afirmou. 

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Durante a entrevista, Uez falou sobre temas importantes que estão em andamento e precisam de um posicionamento da prefeitura, mesmo no período de governo interino. Um exemplo é o edital de concessão do transporte coletivo, que terá a abertura de propostas no dia 14. Na terça-feira, Cassina falou que tem uma opinião sobre o assunto, mas preferiu não expor, dizendo que precisaria estudar melhor o tema. Uez garante que um posicionamento deve sair nos próximos dias.

Sobre o caso Magnabosco, que envolve uma indenização milionária da prefeitura à família Magnabosco pela ocupação irregular da área que se tornou o bairro Primeiro de Maio, Uez disse que a prefeitura fará uma negociação com a família.

— Agora é o momento, como o prefeito relatou na coletiva de imprensa na terça, de buscar o diálogo com a família. Pagar, em função de todas essas decisões judiciais, a prefeitura num momento ou outro terá de fazer o pagamento. De forma integral no primeiro momento, você inviabiliza toda a cidade. Então sim, buscar o diálogo com a família Magnabosco, junto com os procuradores da família, para tentar dissolver esse valor em algumas prestações.

Uez também citou como temas prioritários do governo interino a devolução das bancas de revistas, a revogação do decreto a respeito da realização de eventos em espaços públicos do município, rever medidas da gestão Guerra a respeito da Feira do Agricultor, promover a ocupação da Maesa a partir da Secretaria da Segurança Pública e providenciar laudos e documentações sobre a área do futuro aeroporto de Vila Oliva. Segundo o chefe de gabinete, será mantido, ou até aumentado, o ritmo que a gestão anterior vinha tendo no encaminhamento da questão do aeroporto, mantendo o diálogo com os governos Federal e Estadual.

Durante a entrevista, Uez também informou que o Instituto de Previdência e Assistência Municipal (Ipam) ficará a cargo de Cezira Höckele, procuradora do município aposentada que já havia comandado o instituto durante a gestão de Alceu Barbosa Velho (PDT). Ela assumiu o Ipam nesta quinta. Segundo Uez, Cassina não anunciou o nome de Cezira na terça porque ainda faltava uma conversa entre o prefeito interino e a procuradora aposentada para definir a questão.

Confira a entrevista na íntegra:

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