"Não sou petista. Sou de esquerda", diz Rodrigo Beltrão, vereador de Caxias - Política - Pioneiro

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Entrevista da 2ª25/11/2019 | 09h58Atualizada em 25/11/2019 | 13h19

"Não sou petista. Sou de esquerda", diz Rodrigo Beltrão, vereador de Caxias

De saída do PT, político deve anunciar uma nova filiação partidária até o final do ano

"Não sou petista. Sou de esquerda", diz Rodrigo Beltrão, vereador de Caxias André Tajes/Agência RBS
De saída do PT, política deve anunciar uma nova filiação partidária até o final do ano Foto: André Tajes / Agência RBS

O vereador Rodrigo Beltrão está de saída do PT devido a “um processo quase de perseguição”. Ele deve anunciar seu novo partido até o final do ano. Distante das principais lideranças de oposição na Câmara de Vereadores, Beltrão diz que vive um momento de amadurecimento político. Beltrão ainda comentou sobre o processo de impeachment do prefeito Daniel Guerra,a postura do ex-presidente Lula e o Governo Jair Bolsonaro. 

Pioneiro: O senhor fez uma oposição forte ao ex-prefeito Alceu Barbosa Velho. No Governo Daniel Guerra, adotou outra postura.
Rodrigo Beltrão:
Não entendo dessa forma. No segundo turno (da eleição de 2016) quando lideranças abriram apoio ao Guerra, eu declarei meu voto nulo. Desde o início desse mandato tenho feito oposição. No entanto, por mais que tenha descalabros o Governo Guerra, os quais tenho combatido  e forma pontual, aqui na Casa está sendo feito um acerto de contas da eleição de 2016. Uma parcela (de vereadores) tem feito uma oposição sistemática, diferente da que eu tenho feito num grau de maturidade que adquiri. As questões que entendo como equivocadas eu  denuncio, fiscalizo. O Governo Alceu tinha uma base enorme e tínhamos poucos vereadores de oposição e assumi um destaque pela ênfase que dava. Não vejo que tenha uma diferença de tom de oposição. 

Tua atuação tem sido discreta.Está desiludido com a  política ou com o PT?
O PT fez de forma proposital um processo de asfixia nos últimos anos. No PT estou totalmente desmotivado. Com tudo que sofri no partido, um processo quase de perseguição, há uma desmotivação óbvia. Passo por um momento de transição na política. Minha essência é de esquerda, mas não uma esquerda religiosa como já fui.Não sou mais petista, sou de esquerda. Sempre vou entender que se deve privilegiar os que mais precisam.

Como avalia sua atuação nesta legislatura?
Tenho procurado ser propositivo. Tenho uma matéria aprovada e sancionada pelo prefeito  que é o ensino de Libras da rede municipal, aprovamos o projeto vigilante 24 horas, o projeto do IPTU verde, matérias que dialogam com a macropolítica da cidade. Em relação a fazer oposição, tenho sido mais ponderado. Entendo que deve sempre haver o respeito institucional e tem que ser feita uma oposição fundamentada. Minha atuação atingiu a maturidade que busca o equilíbrio de ser propositivo e fazer a oposição delegada pelas urnas.

Já disse que vai deixar o PT. Qual será seu destino?
A única decisão tomada é de sair do PT. Não existe qualquer possibilidade de permanecer no partido.Já existe um amadurecimento de para onde ir, mas não há uma conclusão. Estou conversando com alguns partidos do campo democrático popular saindo de uma visão esquerdista e tentando migrar para uma ideia de centro-esquerda. Tenho conversado com minha base política, e essa conclusão deve acontecer até o final do ano.

Por que votou contra o acolhimento do impeachment do prefeito?
Todas as denúncias que constam no pedido de impeachment podem e devem ser averiguadas pelo Ministério Público ou até uma ação no  Judiciário. O impeachment tem que ter um crime de responsabilidade onde aja o condão da mão do prefeito. Eu mantenho meu discurso coerente, não sou daqueles que dizem que no Governo Dilma (Rousseff) foi golpe e no município, por conta da impopularidade de Governo Guerra, pega a onda e surfa. Esse pedido de impeachment tem uma certa contaminação porque quem protocolou foi o ex-vice-prefeito (Ricardo Fabris de Abreu), que é um desafeto público do prefeito Guerra.

A posição continuará a mesma caso ocorra a sessão de julgamento?
Tenho uma posição coerente em todos os pedidos de impeachment, independente de bafo na nuca. Agora na medida que há uma instrução tramitando vou com muita cautela observar e, se ficar evidenciado um crime de responsabilidade doloso do prefeito, certamente votarei pela cassação. 

Pretende disputar a eleição no ano que vem?
Com certeza. Eu preciso disputar a eleição do ano que vem. Com uma motivação renovada após a saída do PT e considerando que vivi todos os dias a vida política da cidade nos últimos 11 anos, eu ainda tenho muita contribuição a dar a cidade. 

Para qual cargo?
É uma decisão que tem que estar em sintonia com o partido a que vou me filiar. Não escondo que tenho pretensão de concorrer à prefeitura. Isso  vinha sendo alinhavado no partido que atualmente estou, no entanto, não é uma decisão que se toma sozinho. Neste momento, assumo uma postura de humildade para concorrer e atuar em qualquer posição, seja vereador, candidato a prefeito ou até a vice. 

Por que a Comissão dos Direitos Humanos da Câmara não se posicionou sobre a proibição da Parada Livre na Praça Dante Alighieri?
Nos posicionamos. A pedido da organização, emitimos uma nota que foi juntada no mandado de segurança. A comissão financiou parte do material e divulgação. A participação foi discreta? Foi discreta por que existem parlamentares que talvez tenham adquirido o monopólio da pauta. Não preciso tocar trombeta nas esquinas para ser visto.

O que achou da postura do ex-presidente Lula ao sair da prisão?
Primeiro, a soltura do Lula foi justa porque é o que reza a Constituição. No caso do triplex, que era o motivo por que ele estava preso, há uma evidente perseguição e uma injustiça. Entendo que a pauta do Lula Livre coloca o PT no isolamento e o fracionamento da esquerda. O PT, pelo seu legado, precisa, nesse momento, entender que a pauta principal hoje é a democracia e o desenvolvimento econômico. O Brasil precisa de uma retomada de um projeto de desenvolvimento para gerar emprego.Isso tem que unificar a esquerda. Na Reforma da Previdência, criminosa para os trabalhadores, não houve uma resistência da esquerda, que estava distraída com a pauta específica do PT.Essa pauta impede que se busque construir uma frente de esquerda tão necessária neste momento para barrar o fascismo e a ameaça à democracia. A postura do Lula coloca o PT no isolamento, que é nocivo para aqueles que pretendem resistir a esse avanço fascista. Tem que deixar as vaidades de lado. Tem que estar ao lado dos partidos tradicionais de esquerda e com outras forças que tenham  como ponto convergente a defesa da democracia e o direito dos trabalhadores. 

Qual tua avaliação sobre o crescimento dos partidos de direita no país?
É um processo cíclico de pensamento da sociedade, assim como no passado se teve um pensamento progressista. Não é à toa que praticamente  todos os países da América Latina elegeram governos democráticos e populares, que o PT elegeu quatro mandatos consecutivos (no Brasil). Esse fracionamento da esquerda foi um dos motivos desse avanço do pensamento conservador no país. 

Qual a nota para o Governo Daniel Guerra?
Nota dois. Algumas questões tem que ser reconhecidas, ele não nomeou alguns cargos de confiança e abriu a UPA Zona Norte. Para além disso, o governo Guerra é um desastre. Não aprimorou as políticas existentes e faz um processo de destruição de uma máquina que de certa forma funcionava.

E do Governo Bolsonaro?
Nota um. O Bolsonaro não tem uma pauta positiva no país, criou um acirramento nunca antes visto e aprovou a Reforma da Previdência.

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