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Entrevista da 2ª07/10/2019 | 06h00Atualizada em 07/10/2019 | 06h00

"O Daniel Guerra não sabe ser prefeito", avalia presidente do PSL de Caxias

Renato Toigo critica governo municipal e reitera ideias de Jair Bolsonaro para conduzir partido na cidade

"O Daniel Guerra não sabe ser prefeito", avalia presidente do PSL de Caxias Mateus Frazão/Agencia RBS
Foto: Mateus Frazão / Agencia RBS

No final de setembro, o contador Renato Toigo assumiu a executiva municipal do PSL em Caxias do Sul. Toigo, que já concorreu duas vezes a deputado federal, sem se eleger, afirmou ao Pioneiro que espera deixar como legado político a liderança à frente do mesmo partido do presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), com quem reiterou alinhamento de ideias e valores. Confira trechos da entrevista:

Pioneiro: Conte um pouco da sua trajetória política e da sua aproximação com o PSL.
Renato Toigo:
Comecei vida política no PDS, fui candidato a vereador em 1992. Na época, fiquei como suplente, mas não tive a oportunidade de assumir.  Concorri em 1998 a deputado federal pelo PPB e novamente na última eleição. Recentemente, decidi voltar ao menos para dar satisfação aos netos quando  perguntarem "Vô, o que você fez?" Em 2017, eu estava filiado ao Novo, aí surgiu essa oportunidade de ser filiado e concorrer ao PSL. Sempre fui de direita, minha família sempre foi de direita. Encontrei simpatia com os valores que o Bolsonaro  prega, que é a família, estudo, disciplina, coisas que fazem diferença na sociedade. Como tive formação religiosa muito forte, a gente tem essa formação de direita.

Qual a ideia partido para as eleições do ano que vem Caxias
Junto com a Executiva estadual, temos como meta a prefeitura de Caxias do Sul. Além, é claro, de uma nominata boa de vereadores.

O perfil de empresário é ainda o que miram (para concorrer à prefeitura)?
Não necessariamente. Gostaríamos de ter perfil de administrador, que consiga administrar o município de forma que a população tenha benefício. O lucro de uma  prefeitura está no bem-estar da população. No momento que a população sequer pode  ocupar espaço público, fica complicado. Quer dizer, a cidade é de quem?

(O empresário) Jaime Andreazza é um nome que o partido descarta após manifestação dele declinando ao convite do partido?
Não, no momento não descartamos nome de ninguém. Procuramos gente que tenha perfil "bolsonariano" e pretendemos buscar nomes interessantes. O nome do Jaime é  interessante, mas tem outros que podemos trabalhar. Pensamos que em Caxias um partido sozinho vai ser muito difícil de conseguir a prefeitura, por isso,  estamos pensando em coligações.

Jaime Andreazza teve interesse inicial?
Simplesmente disse que iria pensar. Achou muito interessante o convite, mas disse que ia pensar. Mas, eu vejo que independente do nome, eu acho que, se quisermos mudar algo, alguém tem de se sacrificar. Não dá para ser "não posso por isso, não posso por aquilo." Se alguém quiser mudar algo, tem de se sacrificar.

Além dele, conversaram com alguém?
Não, ainda não. Não temos nenhum nome, a gente imagina alguns, mas não conversamos com ninguém.

Que partidos que se identificam à primeira vista?
Não queremos focar num partido único de direita, queremos formar uma frente de direita. Todos que estiverem alinhados com as ideias de Bolsonaro podem ser  nossos parceiros.

Ano passado, (governador José Ivo) Sartori usou o apoio a Bolsonaro para concorrer ao Governo do Estado. O MDB, por exemplo, é uma possibilidade de coligação?
Poderia sair sim. Agora, é tudo uma questão de análise.

Sartori sendo candidato... É um nome que interessa?
Sim, é um nome forte, se se candidatasse, acredito que seria nosso prefeito. Fez bons governos. 

O PSL abriria mão de cabeça de chapa caso ele fosse candidato?
Sim. Gostaríamos de ser cabeça de chapa, mas se tiver um nome forte que acharmos que fecha com as nossas ideias, com certeza abriria mão da cabeça de chapa.

Quando anunciado o interesse em Jaime Andreazza, alguns filiados do próprio PSL criticavam a escolha. Não acha que há uma confusão dentro do próprio  partido atualmente?
Quando nos prontificamos em ficar à frente do partido, nosso objetivo seria unir as duas correntes que havia na cidade. Penso que hoje estamos muito unidos,  conseguimos unir essas duas correntes. E estamos muito unidos com as executivas estadual e federal. 

(Tenente-coronel Luciano) Zucco ou Bibo Nunes (dois deputados em conflito dentro da Executiva estadual)?
(Risos) Na verdade, sou amigo dos dois. Estamos alinhados com todos os grupos de todas as instâncias do partido.

O que acha do Governo Guerra?
Acho que o Daniel Guerra não sabe ser prefeito. Penso que ele é uma boa pessoa, mas como prefeito deixa muito a desejar. Prefeito teria que estar próximo da população, dispor a cidade para a população. Penso que vamos perder quatro anos em Caxias. Os entraves que empresários encontram para empreender e investir são difíceis. Caxias está carente de um bom governante.

Daniel Guerra sempre se mostrou simpatizante do Bolsonaro. Se tentasse uma aproximação com PSL, estariam abertos?
Seria muito difícil, justamente pelo perfil que tem de administrador e pelo que mostrou até hoje como prefeito de Caxias. Está sendo difícil encontrar alguém que considere ele um bom prefeito. Um prefeito que consegue acumular sete pedidos de impeachment em três anos algum problema tem.

Mas ainda assim, ele defende os mesmos valores que você citou anteriormente...
Mas ele não se mostrou amigo dos bairros, não fez questão de descer do seu trono e abraçar o povo. Valores, é claro, a formação que ele teve, é uma pessoa de direita. Mas ficou carente a questão da administração.

A referência máxima do PSL de Caxias é, de fato, o alinhamento com Bolsonaro mesmo?
Sim, somos "bolsonarianos". Defendemos muito que Bolsonaro não é mais uma pessoa, Bolsonaro é uma ideia. Uma ideia que vai transformar o Brasil num país forte, de direita, disciplinado e coerente. Muita gente critica o Bolsonaro por determinados pontos, mas tenho dito, a política é a ciência do possível, não se pode fazer tudo que se quer, mas se tem ideias e se faz o que for possível. Existem outros grupos que não concordam com Bolsonaro e têm  ideias também. Vamos condená-los? Não, vamos colocar na mesa e peneirar para ver o que é melhor para a população.

O PSL se fundamenta muito como crítico a movimentos de esquerda. O senhor falou em respeitar ideias de partidos... Qual vai ser a postura do PSL nesse sentido nas eleições?
A gente respeita a esquerda moderada. A esquerda radical tem de ficar fora. Não existe radicalismo que pode ser aceito, principalmente da esquerda. Mas penso que as boas ideias têm de ser aplicadas, venham de onde vierem, mas as más ideias têm de ser erradicadas. Então, a esquerda moderada, sim, a gente pode até analisar as propostas. Se é que existe esquerda moderada.

Quase um ano de Bolsonaro, está indo dentro da expectativa?
Governo está muito bem, está fazendo coisas que vão surtir efeitos interessantes. Pegar um país governado pela  esquerda por quase 20 anos e transformar em um país de direita não é fácil. 

Ainda assim, é um governo cercado por polêmicas e há pesquisas que mostram queda de popularidade...
Quem é bolsonariano ainda acredita e pensa que Bolsonaro vai fazer bom governo. A queda de popularidade não vai atrapalhar o governo. O governo disse que tem  o estilo dele e não vai mudar. 

Nota ao Governo Daniel Guerra.
Com toda boa vontade, 4.

E para Bolsonaro?
Daria 9.

Por que não 10?
Porque, em determinados momentos... Vamos dizer o seguinte, 10 seria para o supermestre, e Bolsonaro ainda é um mestre.

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