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De volta03/08/2019 | 18h20Atualizada em 05/08/2019 | 13h01

Como foi o retorno de Sartori às atividades partidárias em Gramado

Ex-governador palestrou em encontro da Juventude do MDB neste sábado

Como foi o retorno de Sartori às atividades partidárias em Gramado Galileu Oldemburg / Divulgação/Divulgação
Foto: Galileu Oldemburg / Divulgação / Divulgação

Sete meses após deixar o governo do Estado, José Ivo Sartori (MDB) participou de sua primeira atividade partidária pública, o 12º Encontro de Inverno da Juventude do MDB, neste sábado (3), em Gramado. Reclamou das críticas nas redes sociais e fora delas e lamentou a falta de discussão sobre a crise econômica no pleito do ano passado. 

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O ex-governador fez uma espécie de prestação de contas, exaltando iniciativas que tornaram viáveis algumas medidas já nos primeiros meses de governo de Eduardo Leite (PSDB) — como as privatizações da CEEE, da CRM e da Sulgás. 

— O importante é que nós soubemos abrir a porteira do Rio Grande para as mudanças estruturais que eram necessárias serem feitas. Se não deu tudo certo, nós cumprimos a nossa parte, até porque não se muda aquilo que não se quer mudar ou que não se pode mudar ou o que não deixam mudar. Abrir a porteira é a melhor coisa, tanto é verdade que algumas coisas foram conquistadas agora porque nós tentamos desde 2016 — discursou. 

Considerado uma das principais lideranças do MDB ao lado de nomes como Pedro Simon, Sartori falou justamente da falta de líderes não somente na política, mas em outros setores, como na Igreja e até mesmo na imprensa. Para ele, faltam lideranças com visão social: 

— A maioria dos líderes que se manifestam, se manifestam individualmente, porque não tem concepção social. A única que se expressa, mas é negativa para a vida social é o corporativismo. O corporativismo não é só do servidor público, ele está em todas as áreas da sociedade. O corporativismo é a maior chaga. 

Sartori também fez críticas, sem citar nomes, ao PT e ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva: 

— Teve alguém no nosso país que fez com que todos os partidos ficassem iguais, inclusive o dele, e o que é pior, nas coisas piores. 

Futuro político 

Em nenhum momento da palestra, Sartori falou sobre os planos para os próximos anos. O futuro político ainda é um mistério. Presidente do MDB gaúcho, deputado federal Alceu Moreira, diz que o ex-governador ainda não manifestou seu desejo daqui para frente, mas que ele tem condições de ser o que desejar. 

— Sartori, como todo mundo sabe, em alguns momentos é enigmático. Sartori é uma das figuras políticas para o MDB do Brasil com maior capacidade de representar o que o novo MDB deseja: um partido com absoluta integridade, com compromisso histórico, com profundidade intelectual, mas, principalmente, podendo ser confiável para as pessoas — destaca. 

Embora nem Sartori, que não quis falar com a imprensa ao término do evento, nem Alceu Moreira comentem o futuro do emedebista, o presidente da Juventude do MDB RS, Norton Soares, dá pistas de que o ex-governador possa concorrer ao Senado em 2022. 

— É natural que daqui a três anos e meio as forças políticas o procurem para uma possível candidatura. Vão ter movimentos que vão querer a volta dele ao governo do Estado, que acho que seja improvável que ele queira. Provavelmente, também, movimentos querendo a candidatura dele a outros cargos como o Senado. É muito cedo para falar, mas não queremos que ele saia do nosso cenário político — destaca Soares. 

O QUE SARTORI DISSE

Veja trechos da palestra

"As pessoas interpretam tudo, falam de tudo e dizem de tudo sem fazer absolutamente nada. Para criticar, para falar mal e para dizer outras coisas, todo mundo ajuda. Para trabalhar coletivamente, juntar e agregar as pessoas e praticar aquilo que deve ser a solidariedade e o exercício da atividade humana para fazer o bem e fazer com que as coisas andem para frente, tem pouca gente". 

"O mais grave do nosso país é que durante a campanha eleitoral inteira ninguém discutiu a crise econômica brasileira. Não pode ser um pleito assim". 

"Tem gente que criou ao longo do tempo o 'nós contra eles' ou 'fora tal' e isso veio de volta". 

"Acho que a situação hoje é muito difícil, mas seria muito mais grave se nós não tivéssemos tomado nenhuma atitude e se não tivéssemos feito nenhuma mudança no RS. Muitos do meu partido, muitos dos aliados vinham me dizer 'tu tem que mudar, tu vai te prejudicar politicamente, tu é um nome, tu é importante, para com essas transformações'. Eu achei que o melhor caminho para o futuro do RS era permanecer firme, com coragem, com determinação, tomando as medidas amargas que nós tomamos. São amargas porque muita gente não quer modificar". 

"A previsão do déficit do governo do Estado era de R$ 25 bilhões. Nós devemos ter entregue perto de R$ 8 bilhões, cujos R$ 4 bilhões poderiam ter sido diminuídos daquilo que nós conseguimos na Justiça com a suspensão do pagamento mensal da dívida. Ampliamos o prazo para o pagamento da dívida, o que também diminui o valor da mensalidade".

"Criamos a lei de responsabilidade fiscal, a primeira do país. O que significa, que eu não poderia deixar para o governador que fosse me suceder nenhum centavo de reajuste salarial. Para vocês terem uma ideia, o que nós recebemos de herança representou em torno de R$ 4 bilhões. E nós cumprimos tudo". 

"Tenho visão muito crítica do que está acontecendo no Brasil nas últimas décadas. Tem muita gente que me acha pessimista, me acha negativo e eu prefiro dizer que sou realista. Tem saída para o nosso país, mas para isso temos de fazer crítica e autocrítica". 

"Houve uma época em que a Conferência Nacional dos Bispos dava o tom e o caminho para a vida política brasileira. Existia uma época em que a Ordem dos Advogados do Brasil era uma expressão nacional, em que a Associação Brasileira de Imprensa era também um caminho que mostrava que tinha lideranças nessa área. E acho que esse é o maior problema que nós temos é da crise de lideranças no campo político, no campo social, nos campo dos empreendedores, no campo das profissões liberais, no campo do sindicalismo patronal e dos trabalhadores. Não existem lideranças na Igreja, na advocacia, na imprensa, no jornalismo. Não tem ninguém que se destaque e seja agregador". 

"Não temos mais lideranças agregadoras". 

"Os partidos ficaram todos iguais. Partido político não se faz com cargo de confiança. Partido político se faz com ideias, com programa e com concepção da vida da sociedade". 

"Quem era do MDB era contra o governo. Quem era da Arena, era a favor. Ideologicamente, se sabia o lado que estava. Hoje, não se sabe mais de que lado se está". 

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