Lideranças políticas de Caxias do Sul avaliam conversas entre Deltan Dallagnol e Sergio Moro  - Política - Pioneiro

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Diálogos sob suspeita10/06/2019 | 20h59Atualizada em 10/06/2019 | 20h59

Lideranças políticas de Caxias do Sul avaliam conversas entre Deltan Dallagnol e Sergio Moro 

Conteúdo publicado pelo site The Intercept Brasil mostra diálogos entre o procurador e o ex-juiz sobre casos como o do triplex do Guarujá, que levou à primeira condenação do ex-presidente Lula

Lideranças políticas de Caxias do Sul avaliam conversas entre Deltan Dallagnol e Sergio Moro  Theo Marques e Evaristo Sá / Folhapress e AFP/Folhapress e AFP
Foto: Theo Marques e Evaristo Sá / Folhapress e AFP / Folhapress e AFP

A divulgação de conversas entre integrantes da força-tarefa da operação Lava-Jato, incluindo o então juiz Sergio Moro, atual ministro da Justiça, e o procurador Deltan Dallagnol, repercutiram no cenário político e jurídico brasileiro.

As trocas de mensagens foram reveladas no domingo pelo site The Intercept Brasil, os diálogos mostram que, quando ainda era juiz, Moro teria extrapolado suas funções, ao ajuda e passar orientações ao Ministério Público Federal (MPF) no âmbito de ações da Lava-Jato que ele próprio julgaria – como o processo que levou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à prisão.

O Pioneiro ouviu lideranças políticas caxienses sobre o assunto.

"É escandaloso. Só confirma o que a gente tem denunciado há muito tempo. Eles há muito tempo deixaram de observar a lei. Eles estabeleceram um objetivo independente de conseguirem provas ou não. Eles condenam, eles articulam entre si. O conteúdo que apareceu até agora é suficiente para que o (juiz Sergio) Moro deixa de ser ministro da Justiça, como vai ter uma ministro que não cumpre a lei? É um conluio que não observa a legislação, que não observa a prova e quer condenar. Condenou e afastou o Lula do processo eleitoral. A motivação política é evidente daquele grupo." Pepe Vargas, deputado estadual

"Eu, como advogado, converso com juízes, promotores e colegas advogados, inclusive sobre causa que estejam a nossa responsabilidade. Cada um na sua. Respeitosamente. O que não pode é "cantada", "insinuação". Mas conversar sobre "causas", não vejo problema. Outra coisa: quem roubou e está preso não é por causa de "conversa". São fatos, provas! Será que eles falaram com o TRF (Tribunal Regional Federal) e com o STJ (Supremo Tribunal de Justiça) combinando algo? Muita fantasia." Alceu Barbosa Velho, ex-prefeito

"A OAB vê isso com muito preocupação, porque essa combinação de eventual combinação de acertos que possa haver, se for comprovado, ela vicia o todo o processo, o que comprometeria a própria busca da Justiça e do fim da corrupção. O processo tem que seguir algumas regras, essas regras não foram respeitadas. É lamentável essa combinação que seria desnecessária. Não deixa a mesma paridade de armas da defesa. Por exemplo, no futebol é como se o juiz fosse no vestiário de um dos times e combinasse jogadas com essa equipe. É evidente que o resultado do jogo vai ser parcial. No momento em que há combinação com uma das partes, a imparcialidade fica prejudicada. Agora cabe às instituições constituídas, no caso o STF e os conselhos nacionais do Ministério Público e da magistratura, fazerem a apuração desses fatos. Por outro lado, deve permanecer a liberdade de imprensa e o direito do jornalista não revelar sua fonte." Rudimar Brogliato, presidente da OAB Caxias do Sul

"Vejo com preocupação. Espero que não seja motivo para acabar com a Lava-Jato e transformar culpados em inocentes." Adiló Didomenico, vereador

"O prefeito Daniel Guerra não irá se manifestar sobre o assunto", informou em nota a assessoria de imprensa da prefeitura.

* Os deputados estaduais Carlos Búrigo (MDB) e Neri, O Carteiro (Solidariedade) foram contatados, mas não se manifestaram até o fechamento desta edição.

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