Em Bento, líder do Governo Bolsonaro admite mudanças no BPC e aposentadoria rural - Política - Pioneiro

Versão mobile

 
 

Reforma da Previdência27/04/2019 | 17h19Atualizada em 27/04/2019 | 17h21

Em Bento, líder do Governo Bolsonaro admite mudanças no BPC e aposentadoria rural

Deputada Joice Hassellmann (PSL-SP) conheceu o projeto que propõe a criação da Zona Franca da Uva e do Vinho

Em Bento, líder do Governo Bolsonaro admite mudanças no BPC e aposentadoria rural Bárbara Salvatti/Divulgação
Foto: Bárbara Salvatti / Divulgação

A líder do governo Jair Bolsonaro na Câmara Federal, deputada Joice Hassellmann (PSL-SP) admitiu que a reforma da Previdência vai sofrer ajustes em pelo menos dois pontos: no Benefício de Prestação Continuada (BPC) e na aposentadoria rural. Desde sexta-feira, ela cumpre agenda no Rio Grande do Sul e neste sábado participou de um encontro com o setor vitivinícola que apresentou o projeto de lei que tramita da Câmara dos Deputados e que propõe a criação da Zona Franca da Uva e do Vinho. O evento aconteceu no Spa do Vinho, em Bento Gonçalves.  

Antes do evento, Joice concedeu uma entrevista coletiva e afirmou que o Governo Bolsonaro não irá abrir mão da espinha dorsal da reforma da Previdência que é uma economia de R$ 1 trilhão em 10 anos.

_  Tenho pedido muita sensibilidade aos parlamentares, inclusive aos parlamentares aqui do Sul, para que nós não desidratemos a reforma a ponto de termos uma reforma anoréxica. Preciso de uma reforma com (uma economia de) R$ 1 trilhão garantido.

Na entrevista, Joice ainda comentou sobre as manifestações polêmicas dos filhos do presidente Jair Bolsonaro, os ataques do guru do governo, o escritor Olavo de Carvalho, as crítica do ex-presidente Lula ao Governo Bolsonaro e negou que o governo pretende liberar R$ 40 milhões em emendas a cada deputado que votar a favor da Previdência.

_ É mais fake que uma nota de três dólares. Isso não existe, isso não existe, isso é mentira, é uma mentira tão deslavada, tão deslavada, que é difícil até de responder.

A pauta de costumes atrapalha a reforma da Previdência?
Não. De maneira nenhuma. Até porque há tempo para todas as coisas. O tempo agora é o da reforma da Previdência, da nova Previdência e na sequência do próximo pacote envolvendo a economia como a reforma tributária e também a revisão do pacto federativo. A pauta de costumes vai andar concomitante a isso, mas nesse momento todo o foco do governo e do Congresso está voltado para a nova Previdência então não tem como atrapalhar. Ademais o Congresso é gigantesco, tempos 513 deputados e 81 senadores e não é possível que consigamos discutir mais do que eu tipo de pauta com as casas daquele tamanho.

Qual a melhor marca do governo Bolsonaro?
A honestidade, a franqueza, a clareza. Todo o resto a gente ajusta. Se uma pessoa não está fazendo o trabalho bem feito troca como ele já trocou ministro. Quando não tem honestidade, franqueza e transparência aí não tem jeito.

E qual a dificuldade?
A dificuldade é a gente terminar de afinar o time. Agora há pouco trocou o ministro da Educação, um novo ministro está chegando e é um excepcional gestor e acho que vai dar muito certo, mas tem que fazer os ajuste ali. E também os ajustes com o Congresso Nacional que está cabendo a essa que vos fala. É um baita de um trabalho fazer essa pavimentação, construir uma ponte do Congresso para o Palácio do Planalto, uma ponte sem porteiras para a gente ter um livre diálogo, um livre trânsito e construir um Brasil juntos.

A base do governo está alinhada para defender a reforma da Previdência?
A gente viu os bons números na CCJ. O próprio governo aguardava 43 votos e tivemos 48. Tivemos mais do que a conta feita pelo próprio governo. A gente sabe que tudo é um processo de construção e porque aprovou na CCJ é certo que vai aprovar no plenário, mas a gente está caminhando para essa aprovação. E a reforma vai sofrer ajustes porque há muitos líderes que dizem que não concordam com alguns pontos. É melhor a gente flexibilizar alguns pontos e manter os votos do que ir para o enfrentamento e perder esses votos. Eu não vu perder voto nenhum. Agora tenho pedido muita sensibilidade aos parlamentares, inclusive aos parlamentares aqui do Sul, para que nós não desidratemos a reforma a ponto de termos uma reforma anoréxica. Preciso de uma reforma com R$ 1 trilhão garantido.

O que o governo não abre mão na proposta original da reforma da Previdência?
A gente só não abre mão da espinha dorsal, do valor. O que vai se mexer no Congresso é um problema do Congresso. Não gostou do BPC, não gostou do rural, são dois pontos que estão pegando muito desde a apresentação do texto. Vamos discutir, não tem problema. Agora a gente não pode desidratar muito por que senão ela perde a razão de ser. Ela resolve um problema desse governo ou daqui a mais quatro anos e quando chegar o próximo governo vai ter confusão. A gente quer resolver o problema do Brasil para duas, três décadas. Não é uma reforma de um governo. É uma reforma do país. Estou buscando votos de todo mundo, inclusive da oposição. Ou queremos um Brasil crescendo, com geração de emprego, dinheiro no bolso do brasileiro, investimentos aqui ou a quebradeira generalizada a começar pelos estados. Um voto para um país grande e acho que qualquer parlamentar vai votar por isso, mesmo aqueles que criticam o governo.

As críticas dos filhos de Bolsonaro e do escritor Olavo de Carvalho a integrantes do governo atrapalham?
Eu não falo nada que envolva a família do presidente da República. Não respinga (na família brasileira). Enquanto a gente ficar fazendo futrica e dando atenção para o que disse o filho do presidente, deixa a família presidencial tocar a vida e escrever  o que quiser. Eles podem falar o que quiserem. O Olavo de Carvalho é um grande amigo querido, meu parceiro, me chama de meu anjinho, fez campanha para mim, e eu vejo que ele está em atrito com uma ou outra figura do governo, que são figuras que eu gosto muito que são os generais. Eu fico entre a cruz e a espada. Não vou criticar nenhum e nem o outro. A minha ideia é pacificar esse país.

A distribuição de R$ 40 milhões de emendas é uma forma de toma lá da cá?
A Folha de São Paulo deu uma notícia absolutamente fake. É mais fake que uma nota de três dólares. Isso não existe, isso não existe, isso é mentira, é uma mentira tão deslavada, tão deslavada, que é difícil até de responder. Emenda parlamentar não se coloca no bolso do parlamentar. Já há a liberação de emenda parlamentar desde dois meses atrás, porque é uma coisa impositiva e tem que pagar. O governo está liberando as emendas conforme tem orçamento para fazer estrada, posto de saúde, hospital. Trata-se uma coisa tão séria, que é tão importante para os municípios como se fosse bandidagem. É por isso que o Brasil não é levado a sério. 

O ex-presidente Lula chamou o Governo Bolsonaro de "um bando de malucos". Qual a sua opinião?
O chefe de um bando de ladrões não tem nenhuma autoridade para fazer qualquer julgamento desse ou de qualquer governo. Esse é um governo decente, honesto e que não pesa nenhuma vírgula em relação a corrupção. O ex-presidente e atual presidiário Lula que restrinja-se a sua insignificância de presidiário. Essa liminar para que ele dê entrevista é uma tentativa de iniciar uma campanha política. Ele entrou na cadeia e não sai da cadeia pelo menos pelos próximos 20 anos por que vai ser condenado em outras tantas ações. Não vou fazer comentário com bandido porque daqui a pouco vou ter que comentar as declarações do Marcola, do Fernandinho Beira-Mar.

Leia também:
Lula diz que sua obsessão é "desmascarar" Sergio Moro
Anteprojeto do aeroporto regional será apresentado segunda em Caxias 
Líder do PDT diz que pedido de expulsão de Ricardo Daneluz não tem anuência de vereadores

 
 
 

Veja também

 
Pioneiro
Busca
clicRBS
Nova busca - outros