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Política10/04/2019 | 09h00Atualizada em 10/04/2019 | 09h37

Como políticos e entidades da região avaliam os 100 dias de Jair Bolsonaro e Eduardo Leite

Opiniões sobre andamento de governos estadual e federal são divergentes

Como políticos e entidades da região avaliam os 100 dias de Jair Bolsonaro e Eduardo Leite Diversos/Montagem
Foto: Diversos / Montagem
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Representantes políticos e de entidades da região avaliaram os 100 dias dos governos do presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), edo chefe do Executivo do Estado, Eduardo Leite (PSDB), completados nesta quarta-feira (10). Confira: 

Daniel Guerra, prefeito de Caxias do Sul

 CAXIAS DO SUL, RS, BRASIL 30/12/2016Daniel Guerra, prefeito eleito de Caxias do Sul pelo PRB em entrevista no Jornal Pioneiro. (Felipe Nyland/Agência RBS)
Foto: Felipe Nyland / Agencia RBS

"Em apenas 100 dias é impossível corrigir erros, desmandos e distorções históricas, mas é possível imprimir as diretrizes de um novo governo."

Guiomar Vidor, presidente da Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB-RS)

 Imagem do candidato a deputado estadual pelo PC do B, Guiomar Vidor, nas eleições 2010.
Foto: Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal

JAIR BOLSONARO

"Totalmente perdido, com falta de capacidade política e com excesso de autoritarismo. Era o prevíamos. Tem apresentado somente propostas de desconstrução do bem estar social e não apresentou concretamente nenhuma saída viável para a crise que o Brasil enfrenta, no que diz respeito aos milhões de desempregados. Só apresentou a Reforma da Previdência que está gerando mais desemprego ainda. Além de ser um governo autoritário com políticas neoliberais ao extremo e acaba entregando também o patrimônio nacional. As trapalhadas em nível internacional têm prejudicado o setor produtivo. Exportações de frango, carne bovina, suína e soja decaíram por conta dos conflitos criados pelo governo. "

EDUARDO LEITE

"Governo do Estado também não tem apresentado políticas públicas claras para retomar a questão do desenvolvimento econômico, a única pauta que ele coloca na ordem do dia é a privatização das estatais, como se isso fosse o grande problema do Estado e lança mais um processo de venda das ações do Banrisul, que é o símbolo do desenvolvimento econômico do Estado, especialmente nos pequenos municípios. Não tem política clara com relação à educação, na segurança se percebem alguns movimentos iniciais, mas insuficientes. É um governo paralisado. No que diz respeito aos trabalhadores, segue a cartilha neoliberal também. A partir do momento que concede reajuste para o salário mínimo regional inferior ao nacional demonstra que está atendendo interesse dos setores econômicos e os trabalhadores, que mais precisam do Estado, não estão contando com ele."

Ivanir Gasparin, presidente da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços (CIC) de Caxias do Sul:

 CAXIAS DO SUL, RS, BRASIL, 18/12/2017. Novo presidente da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul, a CIC, Ivanir Gasparin, em perfil para o caderno +Serra. (Diogo Sallaberry/Agência RBS)
Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

EDUARDO LEITE

"Praticamente não se viu nada em termos de mudanças drásticas. O empresário segue na expectativa. O que se nota no é que vamos ter praticamente o prosseguimento do governo Sartori, vão ser poucas mudanças em termos econômicos e de estrutura. Mas a expectativa é positiva, tendo em vista que ele está assinando algumas PPPs (parcerias público-privadas) e isso é muito importante."

JAIR BOLSONARO

"Entendo que há muitos interesses, mas eu vejo projetos, não pessoas e as expectativas continuam altas. O que a gente vê no governo Bolsonaro é que falta uma linha, uma diretriz. É preciso menos Twitter e mais RP (relações públicas), mais profissionais. A postura da presidência, qualquer palavra bem ou mal colocada, pode mexer com o mercado. É importante que haja liturgia no cargo. É preciso que olhemos para frente."

Pepe Vargas (PT), deputado estadual:

 CAXIAS DO SUL, RS, BRASIL 14/09/2016Pepe Vargas, candidato a prefeito de Caxias do Sul pelo PT (Felipe Nyland/Agência RBS)
Foto: Felipe Nyland / Agencia RBS

EDUARDO LEITE

"Governo Leite havia assumido compromisso de regularizar repasses para hospitais e saúde dos municípios, colocar funcionalismo em dia e até o momento não cumpriu nada. Ele criticava o governo anterior alegando que só tinha uma pauta, que era o ajuste fiscal. Mas, se formos analisar, ele também concentra tudo no ajuste fiscal e se submete a todas imposições do governo federal, como por exemplo, a política externa do governo Bolsonaro que são visíveis interesses da população gaúcha. Cito exemplo de quando o Bolsonaro disse que o Mercosul não é prioridade, sendo que 11% das exportações gaúchas são do Mercosul, ou então quando ele hostiliza a China e mundo Árabe que é onde está o grosso das exportações de frango e soja. Não por acaso já tivemos uma queda no início do ano. Outra coisa grave foi a retirada da tarifa antidumping da improtação do leite da Nova Zelândia e dos Estados Unidos, o que é arrasador para a cadeia de leite do RS. Governador poderia estar liderando processo junto aos demais governadores de propor construção que garantisse ressarcimento da Lei Kandir, que é outro encaminhamento da dívida do Estado, mas não e silencia pela ausência da política industrial, ficou quase 90 dias sem sequer nomear secretário de Desenvolvimento. Não é por acaso que ele disse que apoia incondicionalmente a Reforma da Previdência, que penaliza classe média, assalariados e mais pobres. Se os 100 primeiros dias são uma sinalização, eu diria que ao fim do seu governo, o RS estará mais pobre."

JAIR BOLSONARO

"É um governo muito ruim para os interesses nacionais e do povo brasileiro. A agenda do governo Bolsonaro é a retirada dos direitos sociais, desmonte do setor público, defesa de dogmas econômicos e aplicar receitas que já tentadas no Brasil nos anos 90, cujo resultado foi baixo crescimento, desemprego estrutural e aumento da pobreza. A política externa é equivocada, marcada por dogmas ideológicos e não pelo pragmatismo que sempre conduziu a política externa brasileira e isso traz prejuízos à economia nacional. Milhões de pessoas serão impedidas de se aposentar, que não resolverá problemas da previdência. Muito pelo contrário, vai agravar, pois se aplicarem o modelo de capitalização, a receita da presidência vai diminuir e não aumentar."

Alceu Barbosa Velho, ex-prefeito de Caxias e eleitor de Bolsonaro:

Candidato Alceu Barbosa Velho
Foto: Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal

EDUARDO LEITE

"O Eduardo não evoluiu absolutamente nada, o que ele está fazendo é o que o Sartori vinha fazendo. É uma continuação muito tranquila daquilo que fazia o governo Sartori, até porque não há muito o que fazer."

JAIR BOLSONARO

"Bolsonaro é uma trapalhada atrás da outra, é um governo sem foco. Falta no governo Bolsonaro a liturgia do cargo. Ele está governando o Brasil como se ainda estivesse na Câmara dos Deputados, falando o que quer. E a presidência exige um comportamento diferente. Felizmente, o lado bom é que, ao que se vê, estancou a corrupção desenfreada que vinha dos governos anteriores."

Paulo Périco (MDB), presidente do diretório municipal do Movimento Democrático Brasileiro (MDB)*:

Vereador Paulo Périco (MDB)
Foto: Gabriela Bento Alves / Divulgação

EDUARDO LEITE

"Leite ainda não montou toda equipe de segundo escalão, não se mexeu em nenhuma das coordenadorias. São as mesmas pessoas, que são competentes, que herdou do governo Sartori. Mas fica a dúvida de, afinal, quem dará continuidade aos trabalhos? São essas pessoas? São novas? Vai ser a mesma filosofia? Não vai? Mas creio ser um problema que será contornado com o tempo. No sentido positivo está mantendo algumas coisas que vinham sendo feitas no governo Sartori."

JAIR BOLSONARO

"Governo ainda parado por questão de reajuste da equipe de governo, haja visto o ministro da Educação, que em três meses só teve polêmicas e não criou nenhum projeto para o País. Precisa resolver essa questão da equipe e também a comunicação com o Legislativo, que se não melhorar não vai conseguir aprovação da Reforma da Previdência. Quando houve interferências por questões de religião por parte de ministros, foram colocações que enfraqueceram o governo de Bolsonaro. Sem falar da família, os filhos quando falam, só dizem besteira. Mas 100 dias, pela complexidade de um governo, é pouco tempo, não dá para dizer que consiga se organizar e tomar conta de todas as situações. "

*o ex-governador José Ivo Sartori (MDB)preferiu não se manifestar

Neri Andrade (SD), deputado estadual

 CAXIAS DO SUL, RS, BRASIL, 08/10/2018. Vereador de Caxias Neri, o Carteiro, do partido Solidariedade (SD), é eleito deputado estadual. Neri visita a redação do Pioneiro para participar de uma live no facebook do jorna. (Diogo Sallaberry/Agência RBS)
Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

EDUARDO LEITE

"O governo Leite tem sido um governo de diálogo. Apesar do momento difícil para o Estado, o governador tem demonstrado uma postura corajosa ao encaminhar as propostas de mudança necessárias ao Rio Grande do Sul. Já obtivemos retorno para algumas demandas estaduais da região da Serra e é visível o esforço do governo para cumprir com as propostas de campanha. Ainda há muito o que avançar mas nos parece que Leite está no caminho certo."

JAIR BOLSONARO

"O trabalho realizado pelo presidente Jair Bolsonaro nestes primeiros 100 dias ainda está longe daquilo que foi prometido e das propostas que o elegeram para a Presidência da República. Temos acompanhado muitas polêmicas sem necessidade e muitas discussões sobre questões pouco relevantes. O povo brasileiro apostou na mudança e nas propostas de Bolsonaro. Torcemos para que nosso presidente encontre o caminho da boa gestão e consiga tirar do papel o seu plano de governo, para construir um país mais justo, humano e solidário."

Guilherme Pasin (PP), prefeito de Bento Gonçalves:

prefeito de Bento Gonçalves
Foto: Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal

EDUARDO LEITE

"O governador utilizou os primeiros 100 dias para iniciar uma composição de base que sustentasse o bloco de projetos estruturantes, de mudança e quebra de paradigma no Estado. Para governar, precisa aprovar a grande quantidade de reformas. Ele dedicou nos 100 primeiros dias na estruturação da composição de apoio na Assembleia. É um governo que apostou no diálogo. A questão de concessões PPPs, esse é o caminho que o governador estruturou para ter um ano de reformas e conseguir três anos de gestão e entrega para os municípios e as comunidades."

JAIR BOLSONARO

"O presidente optou por uma corrente em projetos e comunicação direta com a sociedade em detrimento da construção política. O presidente sustenta a ideia de que, com o apoio popular, fará com que o Congresso aprove tais medidas. Ele também aposta em reformas estruturantes."

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