Vereadores iniciam primeiras articulações de impeachment do prefeito de Caxias do Sul - Política - Pioneiro

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Impeachment08/01/2019 | 19h57

Vereadores iniciam primeiras articulações de impeachment do prefeito de Caxias do Sul

Parlamentares evitam comentar sobre o novo pedido de afastamento de Daniel Guerra

Vereadores iniciam primeiras articulações de impeachment do prefeito de Caxias do Sul Felipe Nyland/Agencia RBS
Foto: Felipe Nyland / Agencia RBS

O período de recesso da Câmara Municipal de Caxias do Sul esconde as primeiras articulações para a votação do pedido de impeachment do prefeito Daniel Guerra (PRB). As semanas de janeiro oferecem o tempo necessário. Os vereadores de oposição promovem uma reprise do período da pré-votação de admissibilidade do processo do ano passado para medir a força acumulada pelo grupo e contabilizam o número de votos para aprovar a admissibilidade. O pedido de impeachment será lido e votado na primeira sessão do ano legislativo, no dia 5 de fevereiro. O documento foi protocolado no dia 17 de dezembro.

Nos bastidores, a conversa predominante é que os vereadores estariam dispostos a aprovar o acolhimento do processo somente se houver o comprometimento de passar também a cassação do mandato de Guerra. O PSB se sentiu traído por vereadores que mudaram o voto.

Em setembro de 2017, o Pioneiro flagrou uma reunião dos vereadores Edson da Rosa e Paulo Périco, do MDB, Adiló Didomenico, Alceu Thomé e Flávio Cassina, do PTB, Velocino Uez (PDT), Renato Oliveira (PCdoB) e Elói Frizzo (PSB) na véspera da votação da admissibilidade do segundo pedido de impeachment de Guerra. Com a repercussão negativa do encontro, os vereadores rejeitaram o trâmite e o processo foi arquivado.

O novo trunfo dos vereadores será tentar convencer a opinião pública sobre a validade de cassar o mandato de Guerra para melhorar as condições de governabilidade. Eles avaliam que a renúncia de Ricardo Fabris de Abreu (Avante) do cargo de vice pode contribuir para o convencimento da população sobre a necessidade da saída do prefeito. Outra estratégia é manter a discussão longe da imprensa para evitar pressões dos eleitores. A articulação será silenciosa.

_ Os vereadores estão contando os votos, mas são reféns da opinião púbica. Pode ser aceito (a abertura do processo de impeachment), mas não passa lá na frente _ diz uma liderança política que prefere o anonimato.

Segundo um governista, a renúncia de Fabris seria a cartada final na tentativa de tirar Guerra da prefeitura. O afastamento do vice seria a condição imposta por vereadores da oposição e, em troca, o agora ex-vice poderia assumir como secretário de Segurança Pública e Proteção Social, uma antiga vontade sua, em um eventual novo governo.

O Pioneiro procurou os líderes das 12 bancadas para Câmara para saber como os partidos que eles representam estão tratando o quinto pedido de abertura de processo de impeachment de Guerra. A maioria se restringiu a dizer que está lendo o processo. Essa vaga resposta sugere que a admissibilidade é considerada.

O QUE DIZEM

"Contra é óbvio. É só jogo político de quem perdeu e até hoje não aceita. Eles deveriam estar trabalhando um nome e esperar o povo decidir se aprovou (o mandato) ou não. Se querem reeleger o Guerra ou não." Renato Nunes (PR)

"Bah... Não nos reunimos ainda." Edio Elói Frizzo (PSB)

"Ainda não nos reunimos para uma discussão, certamente cada vereador lê analisa, depois conversamos." Gladis Frizzo (MDB)

"Estamos estudando o pedido ainda." Arlindo Bandeira (PP)

"Hoje (ontem) peguei todo o processo impresso e vou levar para casa e ler." Kiko Girardi (PSD)

"O partido já tem um acúmulo que só há impeachment com crime de responsabilidade (fiscal) comprovado. É uma denúncia que deverá ter uma nova análise e nova apreciação. Só se pode admitir um processo de impeachment se houver claros indícios de crime de responsabilidade (fiscal). E quanto à votação de mérito, isso só depois de tramitar e for comprovado o crime." Rodrigo Beltrão (PT)

"Ainda estou fazendo a leitura do processo. Por isso é precipitado dizer como será meu voto." Paula Ioris (PSDB)

"Contra. Não tem fundamento algum para tal." Chico Guerra (PRB)

"Imprimi o material, estou lendo. A direção do partido vai ajudar a analisar. Vamos analisar em conjunto." Renato Oliveira (PCdoB)

"Não vou estar na Câmara. A vereadora (Tatiane Frizzo) chega no dia 15. Ela vai estudar o processo, avaliar e tomar a decisão dela." Neri, O Carteiro (SD)

"Na bancada, não conversamos pormenorizadamente sobre este tema. De qualquer forma, minha opinião é votar de forma contrária ao recebimento do impeachment, uma vez que os fundamentos deste pedido já foram analisados pela Câmara." Adiló Didomenico (PTB)

"A bancada não tem nenhuma posição. Não nos reunimos para tratar sobre isso. Não tive acesso e não sei se os outros vereadores tiveram." Rafael Bueno (PDT)

 
 
 

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