"Não tenho tempo de me dedicar ao partido", diz ex-prefeito de Caxias do Sul - Política - Pioneiro

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Entrevista da 2ª13/01/2019 | 16h28Atualizada em 13/01/2019 | 16h34

"Não tenho tempo de me dedicar ao partido", diz ex-prefeito de Caxias do Sul

Alceu Barbosa Velho fala sobre o PDT e os dois primeiros anos do governo Daniel Guerra

"Não tenho tempo de me dedicar ao partido", diz ex-prefeito de Caxias do Sul Lucas Amorelli/Agencia RBS
Foto: Lucas Amorelli / Agencia RBS

Após um período de isolamento, o ex-prefeito de Caxias do Sul, Alceu Barbosa Velho (PDT), aceitou o convite do Pioneiro para analisar temas da política caxiense e nacional, em especial sobre seu partido, que passa por momentos turbulentos na cidade. Na sexta-feira, Alceu recebeu a reportagem em seu escritório de advocacia localizado no bairro Panazzolo.

Alceu reconhece que sua saída e a do ex-deputado Vinicius Ribeiro da presidência do PDT causaram um transtorno para o partido, mas garante que logo haverá uma recuperação. Ele também admitiu que ficou frustrado com a perda da eleição à deputado federal.

O ex-prefeito evitou comentar possíveis nomes de candidatos à Prefeitura de Caxias e também se esquivou se poderá apresentar seu nome para a disputa. Por fim, Alceu diz que as obras executadas no governo do prefeito Daniel Guerra (PRB) foram deixadas por sua administração. Confira.

Pioneiro: O PDT está enfraquecido com os pedidos de licença da presidência do senhor e do Vinicius Ribeiro?
Alceu Barbosa Velho:
Evidente que isso causa um transtorno. Penso que esse transtorno logo na frente vai ser reparado. Hoje, ele causa não digo um enfraquecimento, mas uma descontinuidade daquele trabalho que vinha sendo feito. E logo na frente isso será recuperado.

O senhor está descontente com os rumos do PDT? Cogita deixar o PDT?
Não, eu nunca cogitei deixar o partido. Eu disse que estava me licenciando da presidência porque depois da campanha ficaram muitas arestas a serem aparadas e não tinha mais como lidar com as duas coisas. Então chamei o Vinicius e disse: "Se virem e me deem um tempo." Em momento algum falei em deixar o PDT. A campanha que fiz para deputado federal, que toma todo o tempo e dinheiro, fiz tudo às minhas expensas, não pedi dinheiro para ninguém, sempre disse que sou contra o financiamento de campanha. Tinha que acertar essas coisas e me dedicar 100% ao meu escritório, não tenho e nunca tive nenhuma boquinha. Sou advogado e estou vivendo exclusivamente da advocacia.

Como deve ser a reestruturação do partido?
O tempo vai dizer. Viemos de uma eleição traumática, em que pese o PDT, em nível nacional, ter ido muito bem, em nível estadual não foi bem. Manteve a composição da Câmara Federal, mas perdeu quatro deputados estaduais. Agora vai ser recomposto. Novas pessoas estão vindo todos os dias para o PDT. O Ciro Gomes criando juízo total e viu na fria que entrou com a história de se misturar com o PT. Vejo que há futuro. A política é a arte da conversa, da boa negociação. Mas hoje não tenho tempo de me dedicar ao partido. Então, vou ter que advogar, advogar e advogar.

O PDT terá candidato a prefeito de Caxias na eleição de 2020?
Esse é uma boa pergunta. Muitos partidos vão ter candidatos, mas penso que o PDT poderá ter também. Não vejo por que não (ter candidato). O PDT tem bons quadros.

Quem pode ser o candidato?
Como diz o gaúcho: aí tu me apertou. Se falo que é A, o B reclama. Se falo que é o B, o C reclama. Se falo que é o C, o D reclama. Penso que isso na época oportuna vai ser discutido. Como diria o velho e bom amigo, (ex-governador José Ivo) Sartori: “Isso é assunto para depois da Festa da Uva.” Se é que vai ter.

O senhor colocaria seu nome à disposição para concorrer à prefeitura outra vez?
(Risos). Vou usar de novo meu amigo Sartori: "Se não preciso dizer que sim, também não vou dizer que não."

Após a eleição do ano passado, o senhor passou por um período de isolamento. Por que?
Sempre costumo dizer: passarinho na muda não canta. Eu não tinha nada a dizer. Agora preciso agradecer a minha votação. Fiz mais de 40 mil votos. Fui o mais votado dos candidatos de Caxias do Sul. A nossa legenda foi muito alta e não deu (para me eleger). Volto a repetir: estou muito focado no meu trabalho de advogado, no meu escritório, que graças a Deus, com a minha volta definitiva, tem um peso, e está dando certo.

O senhor cogitou obter cerca de 100 mil votos na eleição e conquistou 40.489. Foi uma frustração? O que houve? 
Eu concorri em seus eleições e ganhei seis eleições. Duas de vereador, duas de vice (prefeito), uma de deputado (estadual) e uma de prefeito. Eu estava mal acostumado. Eu sempre ganhei. E esta não ganhei. Havia não só da minha parte, mas por parte das pessoas essa expectativa, mas aconteceu uma coisa atípica, de umas votações estranhas, tanto que ninguém fez mais do que eu em Caxias. Todo mundo dizia que eu ia ser o mais votado e de fato eu fui, só que não foi suficiente para me eleger. A primeira eleição que não obtive êxito traz uma carga de frustração, mas passou e bola para frente.

Como avalia o governo Daniel Guerra?
É uma administração desastrada. A maior conquista dessa administração foram os conflitos. E coisas amadoras: essa última do jornal de hoje (sexta-feira) de alterar uma obra de arte porque tinha uma crítica, isso é inconcebível. Administrar não é só aplausos. Tem que aprender a conviver com a crítica. As obras da cidade são as que eu deixei prontas. Não existe absolutamente nada desse governo, a não ser fechar o Postão 24 Horas. Ele copiou esse projeto (da reforma do Postão). Nós iríamos ali (no Postão) fazer as alterações para que houvesse o financiamento da União e já que tínhamos uma UPA de porte 3, transformaríamos o Postão de porte 2 para recebermos os valores do Estado e da União. Houve uma mudança de projeto, em que pese não concorde, mas é uma decisão da administração e eu respeito. Não pensa que estou feliz em ver Caxias crescendo que nem rabo de cavalo, não, não estou feliz em ver a nossa cidade em permanente conflito. Não existe a paz. Eu fico feliz em ouvir quando dizem que a estrada de Santa Lúcia do Piaí a Sebastopol começou. Ótimo eu deixei pronto (o financiamento obtido junto ao Comitê Andino de Fomento, o CAF). O asfaltamento da estrada do Caravaggio está andando, ótimo, eu deixei pronto. O trevo da Codeca deixei pronto o dinheiro. A UPA abriu, que bom que abriu, deixei pronta a UPA Zona Norte. A presidente Dilma (Rousseff), em uma atitude muito simpática baixou a conta da luz, agora vai para o segundo ano sem ter reposição da tarifa da água do Samae. Para quem dizia que a prefeitura estava quebrada, como está há dois anos sem reajustar a água? O Samae pode e deve fazer muito mais, o salário do servidor aumenta, os insumos aumentam, e mais para quem conhece a cidade, nós precisamos muito de mais investimentos em tratamento de água e esgoto. É fácil não cobrar nada, mas pegou o (Sistema) Marrecas pronto. Por mais que o Samae seja rentável, e é, vejo isso (sem reajuste) com muita apreensão, essa coisa de dois anos seguidos sem reajuste. Acumulamos um caixa no Samae, mas é para fazer o que falta na cidade, existem carências. Essas novas adutoras deixamos prontas, é da nossa gestão. Quando entreguei o governo, antecipei o IPTU para janeiro, era sempre em março. (Daniel Guerra) só não me chamou de Alceu... Agora recebi o IPTU para pagar em janeiro. Ou seja, falou mal e fez igual. Não tem nada, nenhuma novidade. Analiso esses dois anos com preocupação.

E qual a avaliação do governo Jair Bolsonaro?
O começo de um governo sempre tem problemas quando não há uma sequência. São erros que estão cometendo e que todo o governo que começa comete. Mas eu acredito muito na equipe, acho que é uma boa equipe de governo, com exceção, com todo o respeito, não conheço ela, mas acho essa ministra, a Damares (Alves, ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos), meio destrambelhada. Ela tem umas atitudes, pensamentos muito retrógrados, não condiz com aquilo que penso da vida. Ela precisa se dedicar à função de ministra e não ficar dando palpite de azul ou rosa. Quando elegeu esse prefeito aqui de Caxias, o Sartori, e agora o governador Eduardo Leite, e o Bolsonaro, eu só torço que dê certo. Não sou daqueles que puxa para trás.

Como o senhor projeta a eleição de 2020?
Toda eleição tem um contexto, e essa de 2020 vai ser diferente. É uma eleição difícil para todo mundo, para quem for candidato. Hoje em dia, é muito difícil ser candidato. A função de prefeito é nobre, é bonita, mas eu sei o que passei com essa história de Tribunal de Contas, às vezes as pessoas, não entendendo o que você fez, sendo inclusive injustamente, covardemente, fui atacado pela administração dizendo que... (neste momento Alceu pega recortes do jornal Pioneiro e lê) "poderia Alceu também explicar a condenação do Tribunal de Contas que mandou ele devolver mais de R$ 430 mil dos cofres públicos". Fui absolvido de tudo. Essas declarações aconteceram em cima da eleição. Não tive má-fé, tanto que fui absolvido por 7 a 0. Essa administração vai ver o que é cair nas mãos do Tribunal de Contas e ter que dar explicação, e não é porque é ladrão, corrupto, mas é a interpretação administrativa das coisas, e por mais boa-fé que você faz, eles encontram os problemas e depois tem que ficar dando explicação e passando vexame. Quando diz: “Alceu tem que devolver R$ 430 mil”, o que as pessoas pensam? “Alceu pegou R$ 430 mil do caixa e colocou no bolso dele. Agora o Tribunal descobriu e vai ter que devolver.” Não, isso era questão (Alceu exemplifica) tinha isentado de imposto, se não tinha, se tinha cobrado imposto certo, se não tinha. Se tinha cobrado pela gleba ou pelos lotes. Essas questões um prefeito passa. E esse vai passar e todos vão passar. Tem prefeito de Caxias que até hoje está pendurado no Tribunal de Contas. Eu agora, dois anos após ter sido prefeito, não tenho nenhum processo, de nenhum tipo. O que tinha era essa pendência, e agora terminou. Sou ficha limpa e vou continuar sendo ficha limpa.

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