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Entrevista10/12/2018 | 20h03Atualizada em 10/12/2018 | 20h30

Sexto deputado estadual mais votado em Caxias admite que não conhece as demandas da cidade

Luciano Zucco obteve 9.581 votos à Assembleia no município

Sexto deputado estadual mais votado em Caxias admite que não conhece as demandas da cidade Fernando Gomes/Agencia RBS
Foto: Fernando Gomes / Agencia RBS

Apesar da expressiva votação em Caxias do Sul, onde foi o sexto candidato mais votado à Assembleia, o deputado estadual eleito Luciano Zucco (PSL) admite que não conhece as principais demandas da cidade. Ele foi o recordista, com 166,7 mil votos _ 9.581 deles em Caxias.

Aos 44 anos, o tenente-coronel do Exército ressaltou durante a campanha sua proximidade com as ideias de Jair Bolsonaro, seu colega de PSL. Zucco diz que não pretende atuar como deputado de oposição ou situação no governo Eduardo Leite (PSDB). Ele defende a privatização de estatais, mas faz uma ressalva sobre a venda do Banrisul.

_ No tocante específico ao Banrisul, tenho que ver com mais calma, estudar com muita parcimônia.

Quais serão as prioridades do seu mandato?
A questão da segurança pública, ou insegurança. Esses crescentes índices de latrocínios, homicídios, abigeatos, crimes virtuais. Com certeza, a pauta da segurança pública será uma das minhas maiores bandeiras. A própria questão da corrupção, o inimigo público número um do nosso país. Para a questão da educação, tenho uma ideia muito própria, de tentar aumentar o número de colégios militares ou militarizados. Não nos moldes do Colégio Militar de Porto Alegre ou do Colégio Tiradentes, da Brigada Militar, mas um colégio com índice Ideb altíssimo, administrado por militares da reserva que ajudam nessa questão de símbolos nacionais, patriotismo, civismo. 

O senhor obteve 9.581 mil votos em Caxias do Sul. O senhor conhece as principais demandas da cidade?
Tive uma aceitação que me deixou muito feliz aí na Serra. Conheci recentemente agricultores do setor da uva, mas realmente tenho de sentar e observar as principais demandas da região para poder ajudar o melhor possível.

O PSL será situação ou oposição ao governo Eduardo Leite?
Sou totalmente favorável a ajudar o governo que está iniciando. Acho que todos os partidos deveriam pensar assim. Não concordo muito com essa posição de oposição. Até mesmo porque não me foi apresentado nada para que tivesse que dar a minha opinião. Quando tiver qualquer demanda apresentada pelo Executivo, vou sentar com os demais deputados do PSL para avaliar e, se for para o bem dos gaúchos, a gente vai aprovar. Mas não tenho nenhum posicionamento se sou oposição ou situação. Sou pró-gaúcho. O que for para o bem do Rio Grande, a gente vai levar em consideração.

O senhor defende a privatização do Banrisul para assinar o regime de recuperação fiscal com o governo federal?
A privatização é um bandeira não só do PSL, e eu penso que a privatização é importante neste momento em que não temos capital e o Estado está com as contas públicas quebradas. No tocante específico ao Banrisul, tenho que ver com mais calma, estudar com muita parcimônia, mas, de forma geral, acredito que a gente precisa privatizar algumas estatais para ajudar na governabilidade do Estado.

O PSL defende novas práticas na política, mas o crescimento da sigla ampliou as disputas internas. Como explicar?
O PSL era um partido muito pequeno, não tinha nem vereador. Logicamente, com a adesão do presidente Bolsonaro, houve um grande fortalecimento, e tivemos como prova disso a sua eleição. Eu acredito que a gente tenha que fazer uma política séria, sem fisiologismo, sem clientelismo, sem toma lá da cá, com transparência total dos mandatos. Quanto à adesão de novos integrantes, que eles saibam que aqui se faz uma política séria e transparente.   

A população terá paciência com propostas do governo Bolsonaro?
Acredito que sim. Não pode, depois de 16 anos onde nós acumulamos dívidas, escândalos de corrupção, querer resolver em um, dois, três ou seis meses. A gente está dando o exemplo muito claro que a gente quer buscar o que é correto com as nomeações dos ministros. Vou citar um exemplo pessoal, em que participei ativamente da indicação do ministro da Infraestrutura (Tarcísio Gomes de Freitas), excelente nome, primeiro colocado no Instituto Militar de Engenharia, com a melhor média do curso. É um técnico especialista, uma pessoa ímpar. Tem o exemplo na economia com o ministro Paulo Guedes, um nome renomado. O próprio Sergio Moro, um dos responsáveis por toda essa evolução no cenário nacional com políticos atrás das grades e fortalecido com a Operação Lava-Jato. Outros nomes importantes como de Roberto Campos Neto para o Banco do Brasil, Roberto Castelo Branco para a Petrobras, Joaquim Levy para o BNDES, pessoas técnicas e de referência para as áreas.   

Qual a sua opinião sobre a movimentação financeira atípica de R$ 1,2 milhão nas contas de ex-assessor de Carlos Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro, e o depósito de R$ 24 mil na conta de Michelle, esposa do presidente eleito?
Não tenho opinião formada. Não estou ciente de tudo que está sendo falado. Estou indo à Brasília amanhã (hoje) e vou tentar me inteirar, mas não tenho nenhuma opinião sobre o assunto.

O senhor defende investigação neste caso?
Qualquer caso em haja alguma coisa errada deve ser investigado independente de quem quer que seja.

O senhor é defensor do Escola Sem Partido? O senhor tem um exemplo concreto do que é chamado de "doutrinação" nas escolas?
O colégio foi feito para se estudar matemática, história, geografia, inglês, valorizar os hinos, valorizar os professores. Até pode se estudar como é uma estrutura de um governo, mas não deve trabalhar a questões político-partidária de maneira nenhuma. É só ver os vídeos de alguns professores tomarem pé de determinado partido, de determinada ideologia e ofenderem aqueles que porventura são contrários. Escola não é local de debate político. Lá as crianças e os jovens têm que aprender o ensino curricular. 

Por que o turismo merece um ministério e o trabalho não? O trabalhador não é importante?
Não tenho opinião sobre isso. Prefiro entender todo esse processo. 

A Reforma da Previdência terá medidas impopulares? Como convencer o Congresso a aprová-la?
Com maturidade. A gente tem que entender que estamos passando por um período muito importante. O gasto público precisa ser contido, racionalizado. A gente precisa fazer uma ampla reforma. Temos que tornar a máquina mais eficiente, menos burocratizada, e a Reforma da Previdência é base para qualquer avanço nas contas públicas do país. Nenhum governante gostaria de ter que mexer no bolso do cidadão, mas, com muita responsabilidade, é importante uma interlocução com a Câmara dos Deputados, mostrando para o cidadão que sem reforma não tem como melhorar o quadro econômico.


 
 
 

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